Estudo mostra que consumir até quatro xícaras de café por dia pode ajudar a proteger o coração. Entenda os benefícios e os cuidados.
Para muita gente, o café é um companheiro indispensável logo nas primeiras horas do dia, não é mesmo? Agora, uma revisão de evidências científicas publicada pela Associação Norte-Americana do Coração (AHA) reforça que esse hábito pode trazer benefícios além da disposição. Quando consumido com moderação, o café pode estar associado a um menor risco de doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral, o AVC.
Isso não significa que a bebida seja uma solução para prevenir problemas cardíacos. Os especialistas destacam que os efeitos positivos dependem da quantidade consumida, da forma de preparo e também dos hábitos de vida de cada pessoa. Além disso, algumas pessoas precisam de um consumo individualizado por apresentarem maior sensibilidade à cafeína ou condições de saúde específicas.
Quantas xícaras de café por dia podem fazer bem?
De acordo com a revisão publicada na revista Circulation, o consumo diário de até 400 miligramas de cafeína, quantidade equivalente a aproximadamente três ou quatro xícaras de café coado, é considerado seguro para a maioria dos adultos saudáveis e pode estar relacionado à redução do risco de doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores observaram que quem consome entre duas e quatro xícaras de café com cafeína por dia apresentou associação com menor risco de doenças cardíacas, insuficiência cardíaca e AVC.
Por outro lado, o consumo acima desse limite pode não trazer os mesmos benefícios. A análise aponta que a ingestão de quatro ou mais xícaras pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca, mostrando que a moderação continua sendo um fator importante.
O café vai muito além da cafeína
Embora a cafeína seja o componente mais conhecido da bebida, ela não é a única responsável pelos possíveis efeitos positivos.
O café contém diversos compostos bioativos, entre eles os polifenóis, especialmente os ácidos clorogênicos, reconhecidos pela ação antioxidante. Também estão presentes substâncias como a trigonelina, que possui potencial antioxidante e pode contribuir para a proteção das células. Esses compostos atuam em conjunto e ajudam a explicar por que o café é considerado uma bebida bastante complexa do ponto de vista nutricional.
Segundo os especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense, essa combinação favorece a saúde cardiovascular, contribui para o funcionamento dos vasos sanguíneos e pode colaborar com um melhor controle do metabolismo da glicose.
O jeito de preparar o café também faz diferença
Nem todo café apresenta o mesmo impacto sobre a saúde cardiovascular. A revisão científica destaca que métodos como expresso, prensa francesa, café turco e café fervido preservam compostos chamados cafestol e kahweol. Essas substâncias estão associadas ao aumento do colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.
Já o café preparado com filtro de papel elimina boa parte desses compostos durante o preparo. Por esse motivo, ele costuma ser a opção mais indicada para pessoas que apresentam colesterol elevado ou desejam reduzir esse risco.
Outra recomendação importante é evitar transformar a bebida em uma sobremesa. A revisão mostra que os benefícios observados estão relacionados ao café consumido sem grandes quantidades de açúcar, chantilly, xaropes ou outros ingredientes que aumentam significativamente o valor calórico da bebida.
Café pode reduzir o risco de outras doenças?
Além da associação com doenças cardiovasculares, a revisão identificou resultados interessantes envolvendo outras condições de saúde.
O consumo regular de café sem adoçantes foi relacionado a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que são necessários novos estudos para compreender melhor essa relação e confirmar os mecanismos envolvidos.
Em relação às arritmias, a análise mostrou que o consumo moderado de uma a três xícaras de café por dia não esteve associado a um maior risco de fibrilação atrial, uma das alterações mais comuns do ritmo cardíaco. Alguns estudos incluídos na revisão chegaram a encontrar uma associação com menor incidência dessa condição.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores lembram que a resposta ao café varia bastante de pessoa para pessoa.
A velocidade com que a cafeína é metabolizada depende de fatores como genética, idade, metabolismo, uso de medicamentos e doenças preexistentes. Enquanto algumas pessoas conseguem consumir várias xícaras ao longo do dia sem desconforto, outras podem apresentar palpitações, tremores, ansiedade ou dificuldade para dormir mesmo após pequenas quantidades.
Por isso, não existe uma recomendação única que funcione para todos. Também é importante distribuir o consumo ao longo do dia, em vez de concentrar várias xícaras em um único momento. Outra orientação é evitar ingerir café nas horas que antecedem o sono, principalmente para pessoas mais sensíveis aos efeitos estimulantes da cafeína.
Bebidas energéticas entram na conta?
Embora também contenham cafeína, as bebidas energéticas não oferecem os mesmos benefícios observados no café. Segundo os especialistas, esses produtos costumam concentrar grandes doses de cafeína em pequenos volumes e ainda podem conter taurina, guaraná, ginseng, açúcar e outros estimulantes que potencializam seus efeitos sobre o sistema cardiovascular.
Essa combinação pode aumentar a frequência cardíaca, elevar a pressão arterial e favorecer o aparecimento de arritmias, especialmente quando consumida junto com bebidas alcoólicas ou durante exercícios físicos intensos.
Por isso, as conclusões da revisão se referem especificamente ao consumo de café e não devem ser extrapoladas para outras bebidas cafeinadas.
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