Pesquisas mostram que televisão, excesso de trabalho e até o horário da sua caminhada podem influenciar o peso muito mais do que parece.
É comum que muitas pessoas depois de meses tentando emagrecer não consigam perder os quilos desejados. O roteiro é sempre mais ou menos assim: a dieta estava certa, os exercícios foram feitos, e mesmo assim o peso na balança não mudou muita coisa. Mas por que isso acontece?
O que a ciência tem mostrado com mais consistência nos últimos anos é que o problema raramente está somente naquilo que as pessoas escolhem comer ou na frequência com que vão à academia. Pesquisas apontam que comportamentos muito mais cotidianos, tão incorporados à rotina que passam completamente despercebidos podem estar sabotando os seus esforços de perder peso. Quatro deles têm chamado atenção dos pesquisadores justamente por serem simples, invisíveis e surpreendentemente eficazes quando mudados.
Por que assistir à televisão pode ser mais prejudicial ao peso do que parece?

A relação entre televisão e peso não é direta, mas é consistente. Um estudo americano que acompanhou 486 adultos em Boston, dois terços deles acima do peso, descobriu que cada hora diante da TV estava associada a 144 passos a menos dados ao longo do dia.
Pode parecer pouco, mas quando paramos para pensar que o ideal é darmos em torno de dez mil passos por dia para manter a saúde, fica mais fácil entender como ficar sentado em frente à televisão pode estar sabotando nossa saúde. Segundo os especialistas, para cada hora que passamos sentados em frente a tela, a probabilidade de atingir a meta diária de passos caía 16%.
Há ainda outro efeito silencioso, mas igualmente prejudicial: a televisão encoraja o hábito de beliscar. Além disso, a atenção dividida entre a tela e a comida "desativa" os sinais naturais de saciedade. Isso quer dizer que comer diante da TV é, em grande parte, comer sem perceber que está comendo.
Por outro lado, quando você presta atenção no que está comendo, você permite que o cérebro processe os estímulos sensoriais (texturas, aromas e sabores), garantindo que o cérebro "entenda" que você se alimentou e que está saciado, o que ajuda a evitar o consumo excessivo de calorias por pura distração. Adotar esse hábito contribui também para a melhora da digestão, uma vez que, ao prestar atenção no que se está comendo, a tendência é que você faça uma mastigação mais consciente.
O que acontece com o corpo de quem trabalha mais de nove horas por dia?

Trabalhar demais tem um custo metabólico que vai além do cansaço. Estudos mostram que pessoas que ultrapassam nove horas de trabalho diário, incluindo o almoço, independentemente de como ele seja usado, apresentam maior propensão ao sobrepeso.
De acordo com os cientistas, o motivo por trás disso é conhecido: quanto mais longo e estressante for o dia de trabalho, maior será a tendência de você recorrer a petiscos e alimentos ultraprocessados como válvula de escape. O cortisol elevado, hormônio liberado em situações de estresse crônico, também favorece o acúmulo de gordura abdominal ao longo do tempo.
Segundo especialistas, a produtividade, curiosamente, também sai perdendo. O rendimento por hora tende a cair após um certo limite de horas trabalhadas, o que significa que trabalhar mais não significa produzir mais. Isso só contribuirá para você ganhar peso, ficar mais estressado, cansado e até mesmo ter um burnout.
Então, fica a dica: se você trabalha mais de nove horas por dia, é uma boa ideia começar a pensar num trabalho que lhe exija menos!
Por que caminhar antes do jantar funciona melhor do que caminhar em outros horários?

A caminhada antes da refeição noturna tem um efeito que vai além da queima calórica. Como a maioria dos exercícios aeróbicos, ela reduz o apetite temporariamente, o que significa que quem caminha antes do jantar costuma comer menos na refeição seguinte sem precisar fazer esforço consciente para isso.
Um estudo realizado na Universidade de Glasgow testou esse efeito em dez mulheres com obesidade e descobriram que vinte minutos de caminhada reduziram o apetite e aumentaram a sensação de saciedade de forma comparável ao consumo de uma refeição leve. Segundo os pesquisadores, isso acontece por causa das alterações nos hormônios do apetite que ocorrem durante e logo após o exercício.
Mas por que o horário importa?
O horário importa porque o jantar tende a ser a refeição mais calórica do dia para muitas pessoas. Além disso, à noite o nosso metabolismo costuma estar mais lento. Sendo assim, uma caminhada de vinte minutos antes do jantar, pode mudar significativamente o saldo calórico semanal.
O que a falta de sono faz com os hormônios que controlam a fome?

Dormir pouco não é apenas cansativo, é também um dos mecanismos menos percebidos de ganho de peso. Pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, analisaram dados de 15 mil adultos e descobriram que a privação de sono estava associada a um risco quase duas vezes maior de desenvolver obesidade.
A explicação está nos hormônios. Quando o corpo dorme menos do que precisa, a produção de grelina, o hormônio que estimula a fome, aumenta. Ao mesmo tempo, a produção de leptina, o hormônio que sinaliza saciedade, cai. O resultado é uma fome maior, com menos capacidade de perceber quando já comeu o suficiente.
Estudos indicam que sete a oito horas por noite é a faixa associada ao melhor equilíbrio metabólico. Abaixo disso, quanto menor a média de sono, maior tende a ser o índice de massa corporal ao longo dos anos.
O que todos esses quatro comportamentos têm em comum é que nenhum deles parece, à primeira vista, ter relação com peso. Televisão parece entretenimento. Trabalho parece disciplina. Não caminhar antes do jantar parece apenas falta de hábito. Dormir pouco parece inevitável. Mas a ciência tem provado cada vez mais que o corpo responde muito mais a esses padrões silenciosos podem afetar a nossa saúde e peso mais do que a maioria das pessoas se dá conta.
Aviso importante!
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo, e foi produzido com base em estudos científicos publicados e revisados. Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento médico profissional. Sempre consulte seu médico e nutricionista antes de alterar hábitos relacionados à saúde. Em caso de emergência, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou Bombeiros (193).
ⓘ Este artigo foi revisado pela equipe editorial de saúde do nosso veículo em 05 de maio de 2026 e está em conformidade com nossa Política Editorial de Conteúdo Médico.