Com a nova dose, o esquema vacinal contra a pólio passa a ter cinco doses, reforçando a imunização das crianças no Brasil.
A partir de 3 de agosto, crianças de 4 anos passam a receber mais uma dose de vacina contra a poliomielite pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança amplia o esquema vacinal de quatro para cinco doses e reforça a proteção de uma geração que nunca conviveu com a doença, mas que ainda precisa estar imunizada contra ela.
Com a mudança, o esquema completo contra a pólio passa a ter cinco doses, todas com a vacina inativada poliomielite (VIP), a versão injetável que substituiu a "gotinha" bivalente desde novembro de 2024. A substituição foi baseada em novas evidências científicas sobre a proteção oferecida por cada tipo de imunizante.
O calendário atualizado funciona assim:
- três doses na fase primária, aos 2, 4 e 6 meses de vida;
- um primeiro reforço aos 15 meses;
- e agora um segundo reforço aos 4 anos.
Essa última dose tem como objetivo manter a imunidade elevada por mais tempo e preservar a proteção coletiva contra o vírus.
Crianças com o esquema incompleto também devem ser vacinadas. As unidades de saúde vão avaliar cada caso e orientar sobre as doses que ainda faltam. A vacinação pode ser feita até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Para crianças imunocomprometidas, o segundo reforço já era indicado em centros especializados e não há mudança nesse protocolo.
A decisão foi tomada após discussão com câmaras técnicas, sociedades científicas, gestores municipais e estaduais de saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O Brasil não registra casos de poliomielite desde 1989 e é certificado como área livre do poliovírus desde 1994. Mesmo assim, a vacinação segue sendo indispensável. Enquanto o vírus circular em qualquer país do mundo, o risco de reintrodução existe, especialmente em regiões com baixas coberturas vacinais. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos países que ainda convivem com a doença de forma endêmica.
Por que a cobertura vacinal caiu e o que isso significa
Nas últimas décadas, o Brasil chegou a registrar coberturas vacinais contra a pólio superiores a 95%,atingindo o patamar considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde para garantir a imunidade coletiva. Nos últimos anos, esse índice caiu de forma consistente. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em alguns estados, a cobertura ficou abaixo de 70% em ciclos recentes de vacinação.
Esse declínio preocupa especialistas porque aumenta os chamados "bolsões de suscetíveis", grupos de crianças não vacinadas que podem facilitar a circulação do vírus caso ele seja reintroduzido. A nova dose de reforço aos 4 anos é uma das respostas a esse cenário.
O que é a vacina inativada e como ela difere da gotinha?
A VIP, vacina inativada poliomielite, é aplicada por injeção e contém vírus mortos, o que elimina qualquer risco de reversão para uma forma ativa da doença. A vacina oral, a popular gotinha, usava vírus atenuados e, em casos raros, podia causar poliomielite associada à vacinação em crianças com imunidade comprometida.
A transição para o esquema exclusivamente injetável coloca o Brasil em linha com as recomendações mais recentes da OMS e com a prática adotada por países que já erradicaram a doença há mais tempo.
Onde e como vacinar seu filho?
A vacina está disponível sem custo em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Não é necessário agendamento na maioria dos municípios. Para verificar a situação vacinal do filho, os pais podem consultar a caderneta de vacinação física ou acessar o aplicativo ConecteSUS, que reúne o histórico de imunizações registrado no sistema público de saúde.