Vacina contra o sarampo volta ao centro das atenções em 2026. Entenda a eficácia, o calendário, a dose zero, os sintomas e quem deve se vacinar.
O sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus altamente transmissível e a principal forma de prevenção é a vacinação. Em 2026, o tema voltou a ganhar atenção no Brasil após a confirmação de casos em São Paulo e a adoção de estratégias de vacinação em municípios como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
Por isso, manter a vacina contra o sarampo em dia é importante mesmo para quem recebeu doses na infância. O esquema indicado varia conforme a idade, o histórico de vacinação e a situação epidemiológica.
Manchas avermelhadas pelo corpo podem ser sintomas de sarampo. (Imagem: s-dmit/iStock)
O que é o sarampo e por que ele voltou a preocupar em 2026
O sarampo é uma doença infecciosa provocada pelo vírus do sarampo, o Morbillivirus da família Paramyxoviridae. A transmissão ocorre principalmente pelas secreções respiratórias de pessoas infectadas, como aquelas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar.
O vírus é muito transmissível. Por isso, a vacinação é considerada a principal medida de prevenção e controle da doença pelo Ministério da Saúde.
Em 2026, uma alta nos casos de sarampo trouxe a condição novamente para o centro das atenções. Como citamos, em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde registrava 12 casos confirmados no município até 29 de julho, segundo dados provisórios.
Também foram adotadas medidas específicas para proteger bebês de 6 a 11 meses em São Paulo e Guarulhos. Em julho, o Ministério da Saúde recomendou ainda a chamada dose zero para crianças dessa faixa etária em São Bernardo do Campo, diante do risco de reintrodução do vírus.
O cenário não significa que todas as pessoas estejam em risco da mesma maneira, mas reforça a importância de verificar a situação vacinal e completar o esquema quando houver indicação.
Por que a vacina contra o sarampo é tão importante
A vacina contra o sarampo é a principal forma de prevenção da doença. Ela também ajuda a reduzir a circulação do vírus na população. A vacina tríplice viral contém vírus vivos atenuados, ou seja, enfraquecidos. Eles não têm capacidade de causar sarampo, mas estimulam o organismo a desenvolver defesas contra a doença.
Além da proteção individual, manter uma cobertura vacinal elevada ajuda a interromper as cadeias de transmissão.
Qual é a eficácia da vacina contra o sarampo?
A proteção oferecida pelo imunizante aumenta quando o esquema vacinal recomendado é completado. O Ministério da Saúde informa uma proteção de cerca de 93% após a primeira dose e 97% após a segunda dose.
Esses números também aparecem na literatura científica. O estudo “Measles Elimination: Identifying Susceptible Sub-Populations to Tailor Immunization Strategies”, publicado em 2019 no periódico International Journal of Environmental Research and Public Health, utilizou estimativas de efetividade de 93% para a primeira dose e 97% para a segunda em sua análise de suscetibilidade populacional.
Outra revisão sistemática, “Vaccines for measles, mumps, rubella, and varicella in children”, publicada em 2020 na Cochrane Database of Systematic Reviews, analisou 138 estudos com mais de 23 milhões de participantes. A revisão encontrou efetividade de 95% para prevenir sarampo após uma dose e 96% após duas doses entre as populações avaliadas.
Os valores podem variar conforme a população e o desenho de cada estudo. Por isso, para a comunicação do calendário brasileiro, a referência utilizada nesta matéria é a estimativa adotada pelo Ministério da Saúde: cerca de 93% após uma dose e 97% após duas.
O que é imunidade coletiva e por que a meta é de 95%?
A imunidade coletiva acontece quando uma parcela suficientemente grande da população está protegida contra uma doença, dificultando a circulação do agente infeccioso. No caso do sarampo, a meta de cobertura vacinal é de 95%. O objetivo é manter um nível de proteção capaz de interromper a transmissão do vírus.
Esse percentual continua sendo um desafio. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, a cobertura nacional da primeira dose da tríplice viral chegou a 92,66%. A segunda dose ficou em 78,02%.
Ou seja, ainda existem pessoas sem a proteção esperada, especialmente quando se considera a segunda dose.
Quais são os riscos de não se vacinar?
O sarampo pode provocar complicações, principalmente em crianças pequenas e pessoas mais vulneráveis. Entre os problemas associados à doença estão pneumonia, otite e encefalite. A infecção também pode evoluir de forma grave e levar à morte.
Na gravidez, a infecção pelo sarampo pode trazer consequências para a gestação. Por isso, a prevenção é especialmente importante para quem pode estar exposta ao vírus. A vacinação reduz o risco de adoecer e também contribui para proteger pessoas que não podem receber determinadas vacinas.
Quais são os sintomas do sarampo?
O período de incubação da doença, isto é, quanto tempo a doença leva para começar a se manifestar no corpo, é de 10 a 14 dias, em média. Os sintomas incluem:
- Febre;
- Tosse;
- Coriza;
- Infecção nos olhos;
- Nariz escorrendo;
- Mal-estar generalizado;
- Manchas vermelhas por todo o corpo, começando geralmente entre três a cinco dias após o aparecimento dos primeiros sintomas.
Atenção:
Para ter o diagnóstico correto dos seus sintomas e fazer um tratamento eficaz e seguro, procure orientações de um médico ou farmacêutico.
Quando e como tomar a vacina contra o sarampo
O esquema de vacinação depende da idade e do histórico de doses! De acordo com as orientações atuais do Ministério da Saúde, o esquema é:
- Crianças de 12 meses a 29 anos: duas doses, quando não há comprovação de vacinação anterior;
- Adultos de 30 a 59 anos: uma dose para quem não tem comprovação de vacinação;
- Profissionais de saúde: duas doses, independentemente da idade;
- Crianças de 6 a 11 meses: podem receber uma dose zero em situações específicas, como surtos ou outras estratégias definidas pelas autoridades de saúde.
Quando duas doses são indicadas, o intervalo mínimo entre elas é de 30 dias. Se você não sabe quantas doses recebeu, a orientação é procurar uma unidade de saúde com a caderneta de vacinação para verificar a situação e receber orientação sobre a necessidade de atualização.
O que é a dose zero e quando ela é indicada?
A chamada dose zero é uma dose antecipada da vacina tríplice viral destinada a crianças de 6 a 11 meses em situações específicas de risco. Ela não substitui as doses previstas no calendário de rotina. Depois dela, a criança ainda deve receber as doses indicadas a partir dos 12 meses.
Em 2026, o Ministério da Saúde publicou orientações específicas para a aplicação da dose zero em municípios de São Paulo e Guarulhos. Em julho, a estratégia também foi recomendada para São Bernardo do Campo. Por isso, a indicação da dose zero depende do cenário epidemiológico e das orientações das autoridades de saúde.
Tríplice viral e tetraviral: qual é a diferença?
A tríplice viral protege contra três doenças: sarampo, caxumba e rubéola. Já a tetraviral protege contra quatro: sarampo, caxumba, rubéola e varicela, conhecida como catapora. As duas fazem parte da estratégia de vacinação contra o sarampo no SUS. A vacina indicada depende da idade, do esquema vacinal e da situação de cada pessoa.
A dupla viral não deve ser apresentada como uma das vacinas da rotina atual. O Ministério da Saúde informa que, na rotina dos serviços públicos, as vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo são a tríplice viral e a tetraviral.
Quem não deve tomar a vacina contra o sarampo?
A vacina tríplice viral é contraindicada para alguns grupos, entre eles estão:
- Gestantes
- Crianças menores de 6 meses
- Pessoas com imunossupressão grave
- Pessoas com histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina, como a neomicina
Pessoas com imunodepressão precisam ser avaliadas de acordo com as orientações específicas dos serviços de referência. Mulheres em idade fértil também devem evitar a gravidez por pelo menos um mês após a vacinação.
Se uma gestante receber a vacina de maneira inadvertida, isso não significa que a gestação deva ser interrompida. O Ministério da Saúde orienta acompanhamento pré-natal para identificar possíveis intercorrências.
A vacina contra o sarampo é segura?
Sim, o Ministério da Saúde classifica a vacina tríplice viral como segura e eficaz! Ela utiliza vírus vivos atenuados, que não têm capacidade de causar sarampo. Como acontece com outras vacinas, podem ocorrer reações após a aplicação. As mais comuns são leves e temporárias, como dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, febre baixa e manchas vermelhas na pele.
Algumas pessoas podem apresentar febre mais alta ou aumento dos gânglios entre cinco e 12 dias depois da vacinação. Reações graves são extremamente raras. A segurança das vacinas também é acompanhada por sistemas de farmacovigilância.
A Anvisa explica que as vacinas são monitoradas depois de disponibilizadas à população para acompanhar eventos adversos e avaliar continuamente a relação entre benefícios e riscos.
Como é feito o tratamento do sarampo?
Não existe um tratamento específico que elimine diretamente o vírus do sarampo. O cuidado é direcionado às necessidades de cada paciente e aos sintomas apresentados. Por isso, diante de sinais compatíveis com a doença, é importante procurar um serviço de saúde para avaliação e diagnóstico.
Quem apresentar suspeita de sarampo também não deve simplesmente ir a um posto de vacinação para receber a dose por conta própria. O Ministério da Saúde orienta que casos suspeitos sejam investigados, com coleta das amostras necessárias, antes da vacinação.
Depois da fase aguda e da coleta adequada, a atualização vacinal pode ser realizada conforme orientação profissional e o calendário.
Perguntas frequentes sobre a vacina contra o sarampo
Quem tomou uma dose precisa tomar outra?
Se o esquema indicado para a faixa etária for de duas doses e houver apenas uma dose registrada, é necessário completar a vacinação. Para pessoas de 1 a 29 anos, o Ministério da Saúde recomenda duas doses quando não há comprovação do esquema completo.
Quem já teve sarampo precisa se vacinar?
Sim. O Ministério da Saúde orienta a vacinação mesmo para quem já teve a doença, porque as vacinas também protegem contra outras doenças, como caxumba e rubéola.
A vacina contra o sarampo pode causar a doença?
Não. A tríplice viral contém vírus atenuados, que não têm capacidade de causar sarampo.
Gestante pode tomar a vacina contra o sarampo?
Não. A tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Mulheres não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina no período após o parto, conforme orientação de saúde.
Quanto tempo é preciso esperar para engravidar depois da vacina?
A recomendação do Ministério da Saúde é evitar a gravidez por pelo menos um mês após a vacinação.
A vacina contra o sarampo está disponível no SUS?
Sim. A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde, de acordo com as indicações do Programa Nacional de Imunizações.
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