Anvisa autorizou a produção de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Entenda como a tecnologia funciona e por que ela pode ajudar no combate à dengue.
O combate à dengue acaba de ganhar mais um reforço importante no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova empresa a produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, uma tecnologia que vem sendo utilizada para reduzir a transmissão da dengue, da zika e da chikungunya.
A decisão não significa que mais mosquitos transmissores serão colocados em circulação. Na prática, a estratégia utiliza exemplares que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, capaz de impedir que os vírus se desenvolvam dentro do inseto. Dessa forma, mesmo quando esses mosquitos picam uma pessoa, a chance de transmitir as doenças diminui significativamente.
O que a Anvisa autorizou?
A autorização permite que a empresa Flyttr, antiga Oxitec, produza mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia. O aval tem validade de cinco anos e estabelece que a produção seja destinada exclusivamente a programas de saúde pública voltados ao controle das arboviroses.
Na prática, a empresa poderá fabricar os mosquitos para atender iniciativas conduzidas por órgãos públicos responsáveis pelo enfrentamento da dengue. A decisão representa um passo regulatório importante porque amplia a oferta da tecnologia, que já vinha sendo utilizada por outras instituições em projetos de controle do mosquito.
O que é a Wolbachia?
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em cerca de metade das espécies de insetos existentes no mundo, mas ela não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti.
Após anos de pesquisa, cientistas conseguiram introduzir essa bactéria no mosquito transmissor da dengue. O resultado é um inseto que continua vivendo normalmente, mas passa a ter grande dificuldade para permitir a multiplicação dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya em seu organismo.
Isso significa que, quando um mosquito com Wolbachia pica uma pessoa infectada, o vírus encontra uma barreira para se desenvolver dentro do inseto. Como consequência, a probabilidade de transmissão para outras pessoas diminui.
Como funciona essa estratégia?
O método consiste na liberação controlada de mosquitos portadores da bactéria em determinadas regiões. Esses insetos se reproduzem com os mosquitos locais e transmitem naturalmente a Wolbachia para seus descendentes.
Com o passar do tempo, a bactéria se torna cada vez mais presente na população de mosquitos daquela área. O objetivo não é eliminar completamente o Aedes aegypti, mas fazer com que a maior parte deles carregue a bactéria protetora, reduzindo a circulação dos vírus responsáveis pelas doenças.
A tecnologia substitui outras formas de prevenção?
Não. A estratégia faz parte de um conjunto de medidas para combater a dengue. Mesmo com a utilização da Wolbachia, continua sendo fundamental eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d'água fechadas e colaborar com as ações de vigilância sanitária.
Além disso, os resultados não aparecem imediatamente. Segundo especialistas, a tecnologia precisa de tempo para que os mosquitos com a bactéria se estabeleçam na população local, processo que pode levar cerca de dois anos em algumas regiões.
Os mosquitos com Wolbachia oferecem risco às pessoas?
De acordo com as informações divulgadas sobre a tecnologia, não. A bactéria utilizada não causa doenças em seres humanos nem torna o mosquito mais agressivo. Ela atua apenas dentro do organismo do inseto, dificultando a multiplicação dos vírus.
Por isso, o objetivo da estratégia é justamente reduzir o risco de transmissão das arboviroses sem recorrer ao uso exclusivo de inseticidas.
Por que essa autorização é importante?
A nova autorização amplia a capacidade de produção dos mosquitos com Wolbachia no Brasil. Nos últimos anos, a dengue registrou números elevados de casos em diversas regiões do país, aumentando a necessidade de estratégias complementares para controlar a doença.
Com mais capacidade de produção, programas públicos poderão ter acesso a um número maior de mosquitos preparados com essa tecnologia, permitindo a expansão gradual do método para novas localidades, conforme planejamento das autoridades sanitárias.
Embora a medida represente um avanço importante, especialistas ressaltam que ela não elimina a necessidade das ações tradicionais de prevenção nem substitui outras políticas de controle do mosquito.
Garanta sua assinatura da versão impressa da Revista Seleções para aproveitar vantagens exclusivas e receber o nosso conteúdo em casa todos os meses.