Descubra como a vitamina D influencia o humor durante o inverno, quais são os principais sinais de deficiência e quando é hora de procurar ajuda médica.
Thyago Murad | 11 de Junho de 2026 às 12:00
Com a chegada do inverno, muitas pessoas relatam mudanças no humor, maior sensação de cansaço, falta de disposição para atividades cotidianas e até uma tendência ao isolamento social. Embora seja comum associar esses sintomas apenas às baixas temperaturas e aos dias com menos luz solar, existe outro fator que pode estar influenciando diretamente o bem-estar durante a estação: a vitamina D.
Conhecida principalmente por sua importância para a saúde dos ossos, essa vitamina também desempenha um papel relevante no funcionamento do sistema imunológico, muscular e nervoso. Nos últimos anos, pesquisas têm reforçado ainda sua relação com aspectos emocionais, incluindo a regulação do humor.
O problema é que justamente durante o inverno ocorre uma redução da exposição ao sol, principal fonte de produção de vitamina D pelo organismo. Como consequência, os níveis da substância podem cair, aumentando o risco de deficiência e favorecendo o surgimento de sintomas que muitas vezes passam despercebidos.
Entender a relação entre vitamina D e saúde mental, além de reconhecer os sinais de deficiência, pode ser essencial para atravessar os meses mais frios com mais energia e qualidade de vida.
A vitamina D é produzida principalmente pela pele quando ela é exposta aos raios ultravioleta B, ou UVB, do sol. Embora alguns alimentos contenham pequenas quantidades da substância, cerca de 80% a 90% da vitamina D necessária para o organismo é obtida por meio da exposição solar.
Durante o inverno, diversos fatores contribuem para a redução dessa produção natural. Os dias são mais curtos, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e, quando saem de casa, costumam utilizar roupas que cobrem uma área maior do corpo.
Além disso, em algumas regiões, a incidência dos raios solares adequados para a síntese da vitamina também diminui durante a estação. O resultado é uma queda gradual dos níveis sanguíneos da vitamina D, especialmente em pessoas que já apresentavam valores baixos anteriormente ou pertencem a grupos de risco.
A conexão entre vitamina D e saúde emocional tem despertado cada vez mais interesse da comunidade científica. Isso acontece porque os receptores da vitamina D estão presentes em diversas áreas do cérebro envolvidas na regulação das emoções, da memória e do comportamento.
A substância também participa de processos relacionados à produção e ao funcionamento de neurotransmissores importantes, como a serotonina, frequentemente associada à sensação de bem-estar. Quando os níveis da vitamina estão inadequados, algumas pessoas podem apresentar sintomas como desânimo, irritabilidade, falta de energia e dificuldade de concentração.
A deficiência de vitamina D não é a única causa de alterações emocionais, é claro, mas pode contribuir para o agravamento desses sintomas, especialmente durante o inverno. Em países de clima mais frio, inclusive, existe uma condição conhecida como transtorno afetivo sazonal, caracterizada por episódios depressivos que surgem em determinadas épocas do ano, geralmente nos meses com menor incidência solar.
Embora a condição tenha múltiplas causas, a redução da vitamina D está entre os fatores investigados pelos pesquisadores.
A deficiência de vitamina D nem sempre provoca sintomas evidentes. Em muitos casos, a pessoa passa meses ou até anos com níveis baixos sem perceber.
Quando os sinais aparecem, eles podem ser facilmente confundidos com outras condições de saúde ou mesmo com os efeitos naturais da rotina estressante. Entre os sintomas mais frequentemente associados à deficiência de vitamina D estão:
A única forma de confirmar a deficiência é por meio de exames laboratoriais solicitados por um profissional de saúde. O teste mais utilizado mede a concentração sanguínea de 25-hidroxivitamina D, considerada o principal marcador dos estoques corporais da substância.
A interpretação dos resultados deve ser feita por um médico, já que os valores considerados adequados podem variar de acordo com a idade, histórico clínico e condições de saúde de cada pessoa.
Por isso, não é recomendado iniciar suplementação por conta própria apenas com base em sintomas.
Alguns grupos apresentam maior probabilidade de ter deficiência de vitamina D. Entre eles estão os idosos, que possuem menor capacidade de síntese da vitamina pela pele, pessoas que passam grande parte do tempo em ambientes fechados e indivíduos que utilizam protetor solar constantemente sem períodos controlados de exposição solar.
Pessoas com obesidade também podem apresentar maior risco, já que parte da vitamina fica armazenada no tecido adiposo, reduzindo sua disponibilidade para o organismo. Além disso, indivíduos com doenças intestinais que afetam a absorção de nutrientes, como doença celíaca e doença de Crohn, merecem atenção especial.
Mesmo nos meses mais frios, algumas estratégias podem ajudar a preservar níveis adequados de vitamina D. A principal delas continua sendo a exposição solar moderada e segura, sempre respeitando as orientações médicas e os horários mais adequados.
Também vale incluir na alimentação fontes naturais da vitamina, como peixes gordurosos, entre eles salmão, sardinha e atum, além de gema de ovo e alimentos fortificados. Quando necessário, o médico pode recomendar suplementação individualizada.
É importante lembrar que tanto a deficiência quanto o excesso de vitamina D podem trazer riscos à saúde. Por isso, qualquer reposição deve ser realizada com acompanhamento profissional.
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