Entenda o que dizem especialistas e autoridades de acontecer uma pandemia de Ébola.
O surgimento de novos casos de Ébola na África e a investigação recente de pacientes suspeitos no Brasil voltaram a despertar uma pergunta que muitas pessoas não imaginavam fazer novamente após a pandemia de Covid-19: existe risco de uma pandemia global de Ébola?
A preocupação aumentou nas últimas semanas depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o atual surto da doença na África como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Ao mesmo tempo, dois casos suspeitos registrados no Brasil, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, mobilizaram autoridades sanitárias e chamaram a atenção da população.
Apesar disso, especialistas brasileiros afirmam que a possibilidade de o Ébola provocar uma pandemia mundial semelhante à Covid-19 é considerada extremamente baixa.
Segundo médicos ouvidos pelo jornal O Dia, o vírus apresenta características muito diferentes das observadas no coronavírus, especialmente em relação à forma de transmissão.
Por que especialistas descartam uma pandemia de Ébola?
De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, em entrevista ao jornal O Dia, o Ébola não possui características típicas de um vírus pandêmico.
“Ele não tem uma transmissão respiratória, como o covid. Não tem pacientes assintomáticos transmitindo o vírus. São pacientes que normalmente vão ter necessidade de internação hospitalar, onde os cuidados vão ser mais adequados, em termos de isolamento. É pouco provável que tenha uma pandemia de ebola, a gente nem espera isso”, afirmou o especialista.
Essa é justamente uma das diferenças mais importantes em relação à Covid-19. Enquanto o coronavírus podia ser transmitido pelo ar e também por pessoas sem sintomas, o Ébola depende do contato direto com fluidos corporais contaminados.
Isso reduz significativamente sua capacidade de disseminação em larga escala.
Casos podem aparecer fora da África?
Embora uma pandemia seja considerada improvável, os especialistas alertam que casos isolados podem surgir em qualquer parte do mundo devido às viagens internacionais. Segundo Chebabo, o aparecimento de pacientes infectados fora das regiões afetadas não está descartado.
“Eventualmente, podemos ter casos acontecendo fora da região mais quente, por causa do período de incubação e viagens, mas normalmente vão ser casos que certamente serão controlados, com uma transmissão secundária contra controlada. É pouco provável que se tenha uma expansão no mundo inteiro, a partir de um surto na Áfica”, explicou.
A infectologista Tânia Vergara, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, compartilha da mesma avaliação. Segundo ela, o maior risco está concentrado nos países vizinhos às regiões onde os surtos estão ocorrendo atualmente, especialmente na República Democrática do Congo e em Uganda.
O que aconteceu com os casos suspeitos no Brasil?
A preocupação aumentou após dois pacientes apresentarem sintomas compatíveis com a doença depois de retornarem de países africanos. Um dos casos foi registrado em São Paulo e o outro no Rio de Janeiro.
Após exames laboratoriais, ambos foram descartados para Ébola. O paciente paulista recebeu diagnóstico de meningite meningocócica, enquanto o caso investigado no Rio foi confirmado como malária.
Mesmo com o resultado negativo, os protocolos de segurança foram mantidos durante a investigação. Segundo Tânia Vergara, isso é essencial porque os sintomas iniciais do Ébola podem se confundir com diversas outras doenças infecciosas.
Quais são os sintomas do Ébola?
O período de incubação varia de dois a 21 dias. De acordo com os especialistas, os primeiros sinais costumam incluir:
- Febre alta
- Dor de cabeça
- Dor muscular
- Calafrios
- Fadiga intensa
Com a evolução da doença, podem surgir sintomas mais graves, como:
- Náuseas
- Vômitos
- Diarreia
- Alterações na coagulação sanguínea
- Hemorragias em casos severos
“O período de contágio do ebola inicia apenas após o aparecimento dos sintomas e não ocorre durante o período de incubação”, explicou Tânia Vergara.
Esse detalhe ajuda a entender por que o vírus encontra mais dificuldades para se espalhar globalmente.
Como ocorre a transmissão?
O Ébola é transmitido principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. Sangue, vômito, saliva, suor, urina e outros materiais biológicos podem carregar o vírus durante a fase ativa da doença.
Segundo Alberto Chebabo, o vírus também possui um ciclo natural envolvendo animais silvestres.
“O homem pode se contaminar ao ter contato com esses animais ou com frutas contaminadas ou com material contaminado com secreção desses animais. E existe o risco de transmissão de uma pessoa para outra através de materiais contaminados ou de secreções do paciente infectado”, explicou.
Os especialistas destacam ainda que funerais tradicionais podem representar momentos de alto risco de transmissão, especialmente quando há contato direto com corpos de vítimas da doença.
O Brasil está preparado para lidar com o vírus?
Segundo informações divulgadas pela Fiocruz, o risco de transmissão da doença no Brasil permanece baixo. A instituição informou que mantém estruturas preparadas para diagnóstico, monitoramento e resposta rápida diante de eventuais casos suspeitos.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro também informou que realiza monitoramento permanente de vírus e patógenos por meio de vigilância epidemiológica, rastreamento de casos e análise laboratorial contínua.
Além disso, profissionais de saúde seguem protocolos rigorosos para isolamento de pacientes suspeitos, rastreamento de contatos e investigação de sintomas compatíveis com doenças emergentes.
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