Saiba quando a urticária se torna uma emergência médica e quais sinais devem ser observados para buscar ajuda imediata.
Na madrugada da última quarta-feira (6), o empresário e ex-BBB Caio Afiune foi hospitalizado após uma crise alérgica intensa que se agravou ao longo de horas. As manchas surgiram à noite após o banho e se espalharam pelo corpo durante a madrugada, chegando a afetar até o rosto.
O ex-BBB compartilhou assustado a evolução do quadro com seus seguidores no Instagram:
"Gente, estou com uma alergia muito forte no braço todinho, na barriga, nas pernas, na coxa... Começou ontem à noite. Não comi nada diferente do que eu costumo comer, não comi nada sozinho. À noite, tinha umas bolinhas coçando, tomei um antialérgico, achei que não era nada. Quando foi 2h30 da manhã, acordei todo empolado", compartilhou. "Tá vendo como já está meu rosto. Tô começando a ficar muito preocupado com isso aqui. Não estava com nada no rosto, aí já está tudo aqui. Realmente, não tem jeito. Comecei a ficar muito ofegante. Aumentou demais. Já vou para lá [hospital] e vou dar notícia", contou ele.
No dia seguinte, já um pouco melhor, Caio revelou que após passar pelo atendimento médico recebeu medicação intravenosa, mas que os médicos não souberam dizer o que desencadeou a reação. "Graças a Deus já estou no segundo soro. Já aliviou bastante o rosto. Os braços e as pernas estão aliviando aos poucos, a barriga também. Graças a Deus, está controlando. A gente não sabe ao certo nada do que que foi a causa disso tudo. Só com mais exames para a gente saber", revelou Caio Afiune.
Embora seja assustador o que aconteceu com Caio, casos como o dele não são incomuns e tem nome na medicina. Segundo especialistas ouvidos pela nossa equipe, o caso ddo ex-BBB21, pelo que foi narrado publicamente, parece se encaixar no que a medicina chama de urticária idiopática — uma crise intensa que aparece sem causa definida.
"É como se algo dentro do organismo dele tivesse disparado uma resposta inflamatória que nenhum fator externo óbvio explica", revela um dos médicos entrevistados. "Mas sem o prontuário dele não é possível falar com precisão."
O que é urticária idiopática (e por que o nome pode confundir)
Sempre que você ouvir o termo "idiopático" significa que os médicos não sabem a causa exata daquele sintoma. Mas isso não é uma falha do diagnóstico, é uma categoria reconhecida pela medicina para condições em que o corpo reage sem que um gatilho externo claro seja identificado.
Nos casos de urticária em que as crises se repetem por mais de seis semanas, a condição ganha um nome mais preciso: urticária crônica espontânea (UCE). É a forma mais frequente da urticária crônica, e o que a define é exatamente essa ausência de causa aparente.
Por que o corpo pode ter uma reação alérgica "do nada"?
Uma das explicações mais estudadas envolve o próprio sistema imunológico agindo contra o organismo. Acredita-se que a urticária espontânea esteja associada à presença de anticorpos no sangue que reagem contra estruturas do próprio corpo, desencadeando uma resposta alérgica sem que nenhum agente externo seja necessário.
Essa hipótese autoimune também explica por que a condição aparece com mais frequência em pessoas que têm doenças como hipotireoidismo ou lúpus. Não significa que quem tem urticária tem essas doenças, mas indica que vale investigar quando as crises se repetem.
Gatilhos que nem sempre aparecem no exame
Em muitos casos, existe um gatilho só que ele é difícil de rastrear. Estresse intenso, variações bruscas de temperatura, infecções virais recentes (até aquelas que já passaram), certos medicamentos de uso comum como anti-inflamatórios... Contudo, a conexão entre o gatilho e a crise pode não ser imediata, o que dificulta a identificação.
"Nos casos crônicos, raramente se identifica uma causa alérgica nos exames convencionais. Não porque os exames sejam falhos, mas porque a causa muitas vezes não é alérgica no sentido clássico", explica o Dr. Pedro Aguiar.
Urticária aguda x crônica: qual a diferença?
A linha que separa as duas é o tempo. A urticária é classificada como aguda quando os sintomas desaparecem em menos de seis semanas, e crônica quando duram mais do que isso. A forma aguda é a mais frequente e, na maioria das vezes, tem um curso benigno: aparece, assusta, e vai embora.
O que poucos sabem é que cerca de 20% da população tem pelo menos um episódio de urticária em algum momento da vida, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). É uma condição muito mais comum do que parece, o que muda é a gravidade, a duração e a frequência das crises.
Quando os episódios se repetem e passam das seis semanas, aí entra em cena a urticária crônica espontânea, que exige acompanhamento médico contínuo e um olhar mais cuidadoso para afastar condições associadas.
Quando a urticária vira uma emergência médica
Na sua forma aguda, a urticária é uma doença de pele. As manchas coçam, incomodam e assustam, mas ficam restritas à superfície do corpo. O problema começa quando a reação ultrapassa essa fronteira e começa a afetar outros sistemas do organismo, como aconteceu com Caio que teve falta de ar.
Quando isso ocorre, o paciente pode estar sofrendo uma emergência médica chamada de anafilaxia. Nesse quadro, a reação envolve o corpo todo e pode causar queda de pressão arterial, inchaço na garganta dificultando a respiração, náuseas, vômitos e, nos casos mais graves, perda de consciência.
Procure atendimento de urgência imediatamente se, junto com as manchas na pele, aparecerem:
- Dificuldade para respirar ou engolir
- Inchaço na garganta, língua ou lábios
- Tontura intensa ou sensação de que vai desmaiar
- Batimentos cardíacos acelerados sem explicação
- Sintomas que pioram rapidamente mesmo após tomar antialérgico
- Qualquer um desses sinais muda o nível de urgência da situação.
O antialérgico oral resolve urticária?
Depende. Para crises leves de urticária aguda, os anti-histamínicos orais são a primeira linha de tratamento e funcionam bem na maioria dos casos. O problema está em duas situações: quando a pessoa espera demais para tomá-los achando que vai passar sozinho, e quando a crise já evoluiu para um quadro mais grave.
Em reações severas, o tratamento exige corticoides. Em casos de anafilaxia, somente a adrenalina reverte o quadro com segurança. O antialérgico oral, nessas situações, não tem velocidade nem potência suficientes para conter a reação.
Há ainda um detalhe importante para quem convive com crises repetidas: pacientes com urticária crônica espontânea muitas vezes não respondem satisfatoriamente aos anti-histamínicos convencionais, mesmo em doses mais altas. Nesses casos, existem tratamentos mais específicos, incluindo um anticorpo monoclonal chamado omalizumabe, aprovado justamente para urticária crônica refratária, que só um especialista pode avaliar e prescrever.
Vale a pena fazer exames para descobrir a causa?
Para uma crise aguda isolada, como aparentemente foi o caso de Caio, a investigação diagnóstica extensiva nem sempre é necessária. Se a crise passou, não se repetiu e não houve sintomas sistêmicos graves, o acompanhamento pode ser feito com o médico de referência do paciente.
O cenário muda quando as crises se repetem. Se você já teve mais de um episódio sem causa identificada, a recomendação é procurar um dermatologista ou alergologista para uma avaliação mais cuidadosa. O objetivo não é, necessariamente, encontrar "o culpado" — que muitas vezes não existe — mas sim afastar condições associadas, entender o padrão das crises e definir a melhor estratégia de controle.
Segundo especialistas, a boa notícia é que 92% das pessoas com urticária crônica espontânea conseguem viver sem sintomas quando recebem o tratamento adequado. Isso significa que, mesmo nos casos em que a causa nunca é identificada, é possível controlar a doença e ter qualidade de vida.
O corpo humano, às vezes, reage de formas que a medicina ainda não consegue explicar completamente. E não ter uma causa identificada não significa que o problema foi inventado ou que não tem solução, significa que o organismo é mais complexo do que qualquer lista de alérgenos consegue capturar. O que está ao alcance de todos é saber reconhecer quando uma crise de pele deixa de ser só uma crise de pele. Essa distinção pode fazer uma diferença real.
Fontes consultadas: Biblioteca Virtual em Saúde / Ministério da Saúde; Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI); Manual MSD de Distúrbios Dermatológicos; Anais Brasileiros de Dermatologia — revisão sobre urticária crônica espontânea (Criado et al., 2025).
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ⓘ Este artigo foi revisado pela equipe editorial de saúde do nosso veículo em 07 de maio de 2026 e está em conformidade com nossa Política Editorial de Conteúdo Médico.