Entenda por que muitas pessoas com peso normal enfrentam problemas metabólicos e como isso afeta a saúde.
Você sabia que não basta estar magra para estar com a saúde em dia? Muitos especialistas têm usado as redes sociais para alertar a população sobre esse mito tão difundido. Os relatos de pacientes com peso considerado normal, mas com alterações metabólicas importantes, muitas vezes já em estágio inicial de doenças, tem crescido e surpreendido internautas. Mas o que está por trás disso?
O médico Rafael Reis explica que embora o excesso de peso seja um dos principais fatores de risco para a nossa saúde, ele não é o único. Na verdade, o sobrepeso costuma vir acompanhado de outros indicadores críticos como alterações no colesterol, hipertensão e desregulação da glicose, formando o que a medicina chama de síndrome metabólica.
Segundo o especialista, esse tipo de alteração também pode atingir pessoas que não estão acima do peso: “Hoje é muito frequente atender pessoas com peso normal, mas com resistência insulínica, gordura visceral elevada e alterações importantes do colesterol.”
O que é saúde metabólica e por que ela importa mais do que o peso?
A saúde metabólica é definida pela forma como o organismo processa energia, regula hormônios e mantém o equilíbrio de substâncias essenciais no sangue. Os principais marcadores que os médicos avaliam são:
- Glicemia em jejum (controle do açúcar no sangue)
- Triglicerídeos e colesterol HDL/LDL
- Pressão arterial
- Circunferência abdominal (indicador de gordura visceral)
- Níveis de insulina
Uma pessoa pode apresentar peso normal no IMC e ainda assim ter dois, três ou mais desses marcadores alterados — o que caracteriza o que pesquisadores chamam de MONW (Metabolically Obese Normal Weight), ou "obeso metabólico de peso normal". Nesses casos a grande vilã costuma ser a gordura visceral, que se acumula ao redor dos órgãos como fígado, pâncreas e intestino sem necessariamente causar um aumento visível no abdômen.
Diferente da gordura subcutânea (aquela que fica sob a pele), a gordura visceral libera substâncias inflamatórias diretamente na corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e até alguns tipos de câncer.
O problema que não aparece no espelho
Diferentemente do excesso de peso, que costuma funcionar como um alerta visível, as alterações metabólicas podem passar despercebidas por anos. Mas isso não significa que o organismo não esteja sendo afetado. Mesmo sem mudanças aparentes no corpo, o organismo pode já estar enfrentando desequilíbrios importantes, entre os sintomas mais comuns estão:
- Cansaço excessivo sem causa aparente
- Dificuldade de concentração
- Alterações no sono
- Queda de cabelo
- Variações de humor frequentes
- Inchaço persistente
Embora esses sinais possam isoladamente ter várias origens, quando juntos devem acender o alerta e merecem investigação médica.
“Essas alterações aparecem anos antes do diagnóstico de doenças, como diabetes, hipertensão ou síndrome metabólica”, destaca o Dr. Rafael Reis que explica que quando os sintomas finalmente surgem, o problema pode já estar mais avançado.
Por que pessoas “magras” também correm risco
A ideia de que emagrecer é sempre necessário ou suficiente para garantir saúde vem sendo cada vez mais questionada. Para especialistas, o foco deve ir além da balança. Mais do que o peso, o que realmente importa é o funcionamento do organismo como um todo: metabolismo, níveis hormonais, qualidade do sono, alimentação e estilo de vida.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas emagrecem, mas continuam com alterações metabólicas, enquanto outras, mesmo sem excesso de peso, já apresentam riscos importantes.
Embora o excesso de peso seja um fator conhecido para o desenvolvimento de doenças metabólicas, ele não é o único. Estudos mostram que a síndrome metabólica já atinge uma parcela significativa da população adulta brasileira — inclusive pessoas que não estão acima do peso. Na prática, isso significa que alguém pode parecer saudável por fora, mas apresentar um metabolismo em desequilíbrio. “Uma pessoa magra, não significa que o metabolismo é saudável”, frisa Dr. Rafael.
Como identificar alterações silenciosas
A recomendação é não esperar os sintomas aparecerem. Exames de rotina anuais, com avaliação do perfil lipídico, glicemia, insulina, função tireoidiana e hemograma completo, são o ponto de partida para identificar alterações antes que se tornem doenças.
Além dos exames laboratoriais, uma avaliação clínica que considere histórico familiar, hábitos alimentares, qualidade do sono e nível de atividade física é fundamental.