Saiba detalhes sobre pesquisa que investigou possíveis causadores de autismo e aponta que intervenções precoces podem evitar a condição.
Uma pesquisa publicada recentemente na revista Mitochondrion sugere que intervenções precoces, durante a gestação e na primeira infância, poderiam reduzir em até metade os casos de Transtorno do Espectro Autista, um grupo de condições neurológicas que envolvem diferenças no desenvolvimento social, comunicativo e comportamental.
Entenda a afirmação da pesquisa
O estudo, liderado pelo pesquisador Robert Naviaux, da Universidade da Califórnia em San Diego, propõe que o TEA não resulte de uma única causa, mas da interação de três grandes fatores ao longo do desenvolvimento: a predisposição biológica, exposições ambientais precoces e a resposta celular ao perigo, um mecanismo do sistema imunológico que pode permanecer ativo por tempo prolongado quando há repetição de estímulos estressantes no início da vida.
“Nossos resultados sugerem que o autismo não é o resultado inevitável de um único gene ou exposição, mas sim o desfecho de uma série de interações biológicas, muitas das quais podem ser modificadas”, aponta o pesquisador.
Naviaux explica que a resposta celular ao perigo é uma reação normal e necessária do organismo, mas quando ela não se desliga adequadamente, pode alterar a maneira como o cérebro se desenvolve e funciona. A partir desse entendimento, ele propõe que, ao reduzir ou evitar gatilhos ambientais, como infecções maternas ou estresse imunológico, durante períodos críticos como fim da gravidez e os primeiros anos de vida, seria possível reduzir significativamente o risco do desenvolvimento de TEA em algumas crianças.
O estudo não afirma que o autismo pode ser “curado” ou completamente evitado, nem sugere que pais ou cuidadores sejam responsáveis pelo surgimento do transtorno. Em vez disso, os pesquisadores indicam que a interação de fatores biológicos e ambientais pode ser modulada, abrindo espaço para práticas de vigilância e estímulo desde cedo que favoreçam o desenvolvimento infantil.
Outra afirmação feita por Naviaux em seu artigo é de que o TEA não é comprovadamente causado por genética, de modo que não se trata de uma condição ocasionada por mutações genéticas ou genes dos progenitores em si.
A pesquisa categoriza o autismo especificamente como uma resposta biológica a possíveis ameaças ambientais durante a formação e o desenvolvimento do cérebro, e que ainda é necessário acompanhar, estudar, entender e respeitar esse processo.
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