Pesquisa refuta teoria de que autismo afeta mais homens do que mulheres e expande percepção sobre a condição.
A ideia de que o autismo atinge mais homens do que mulheres foi refutada por um estudo recente realizado na Suécia. Segundo a pesquisa, publicada no veículo The BMJ, a realidade é de que meninos e meninas têm chances praticamente iguais de desenvolver a condição.
Entenda o que diz a pesquisa
O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista, é uma condição neurológica de desenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação, interação social e por padrões de comportamento e interesses que podem variar muito entre as pessoas.
Historicamente, estimativas apontavam que meninos eram diagnosticados com autismo de três a quatro vezes mais frequentemente do que meninas, baseadas em dados clínicos de infância e adolescência. Essa diferença de diagnóstico ajudou a consolidar a noção de que o autismo afeta mais homens do que mulheres.
No entanto, o estudo de grande escala conduzido por pesquisadores do Karolinska Institutet, na Suécia, analisou registros de saúde de mais de 2,7 milhões de pessoas nascidas entre 1985 e 2022 e acompanhadas por décadas. Os dados mostram um padrão curioso: embora a maioria dos diagnósticos na infância seja entre meninos, a proporção entre homens e mulheres com diagnóstico de autismo se aproxima da igualdade ao longo da adolescência e ao chegar à vida adulta.
Essa diferença observada por idade sugere que meninas e mulheres podem estar subdiagnosticadas ou diagnosticadas mais tardiamente, não necessariamente menos afetadas pela condição. Os pesquisadores apontam que certos comportamentos associados ao autismo podem se manifestar de maneira diferente em meninas e mulheres, o que pode dificultar a identificação precoce por profissionais de saúde, familiares e educadores.
Além disso, habilidades sociais “camufladas”, como maior adaptação a expectativas sociais ou mascaramento de traços autistas, podem contribuir para que os sinais sejam menos visíveis em gênero feminino durante a infância.
Reconhecer que o autismo pode ser tão prevalente em mulheres quanto em homens, mas que muitas vezes não é diagnosticado até mais tarde, pode ajudar a melhorar o acesso a serviços de suporte, terapias e adaptações escolares e profissionais, especialmente para aquelas que passam anos sem receber um diagnóstico formal ou que lidam com interpretações incorretas de seus comportamentos e necessidades.
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