Entenda o que pesquisa descobriu sobre possíveis problemas renais ocasionados por longos períodos no espaço.
Você sabia que os desafios de uma viagem espacial vão muito além da tecnologia necessária para sair da Terra? Na realidade, estudos recentes mostram que o corpo humano ainda enfrenta limitações importantes quando fora do planeta, e uma delas pode comprometer diretamente o futuro das missões de longa duração.
Pesquisas indicam que astronautas submetidos a longos períodos no espaço podem desenvolver alterações nos rins, incluindo formação de pedras e mudanças estruturais no órgão!
Pesquisa relaciona estadia no espaço à problema nos rins
Já se sabia que a microgravidade provoca perda de densidade óssea. No entanto, os efeitos não param por aí. A liberação de cálcio na corrente sanguínea, resultado desse processo, aumenta o risco de formação de cálculos renais.
Mais recentemente, um estudo chamado “Cosmic kidney disease: an integrated pan-omic, physiological and morphological study into spaceflight-induced renal dysfunction” aponta que a exposição prolongada à microgravidade pode provocar mudanças nos túbulos renais, estruturas responsáveis por filtrar e reabsorver substâncias no organismo.
Essas alterações podem comprometer a eficiência dos rins ao longo do tempo, o que levanta preocupações sobre a saúde dos astronautas em missões prolongadas.
Imagem: Thyago Murad / Seleções
Como o estudo chegou a esse resultado?
Foram analisados dados de múltiplas missões espaciais e experimentos com humanos e animais para entender os efeitos da microgravidade e da radiação cósmica nos rins. A pesquisa identificou que o ambiente espacial provoca alterações diretas no funcionamento renal, incluindo mudanças em transportadores celulares e no equilíbrio de eletrólitos, o que aumenta o risco de formação de cálculos renais.
Esse risco não está ligado apenas à perda de cálcio dos ossos, como se pensava, mas também a um efeito primário nos próprios rins. Além disso, os cientistas observaram um processo de remodelação dos néfrons, com aumento de certas estruturas tubulares e redução da densidade total dessas unidades, o que pode comprometer a eficiência do órgão ao longo do tempo.
Outro ponto crítico é a exposição à radiação cósmica em missões mais longas. Simulações equivalentes a uma viagem de ida e volta a Marte indicaram danos renais significativos e potencial disfunção progressiva, levantando preocupações sobre a viabilidade de viagens espaciais prolongadas sem medidas de proteção adicionais.
Os dados também confirmam que astronautas apresentam incidência de pedras nos rins de duas a sete vezes maior após as missões, o que pode representar um risco sério em voos de longa duração, onde o acesso a tratamento médico é limitado.
Caminhos para reduzir os riscos
Diante desse cenário, cientistas vêm estudando estratégias para minimizar os impactos da microgravidade no corpo humano. Entre as possibilidades estão ajustes na alimentação, suplementação, uso de medicamentos e desenvolvimento de equipamentos que simulem a gravidade durante a missão.
Além disso, o monitoramento constante da saúde dos astronautas tem sido intensificado para identificar precocemente qualquer alteração.
A possibilidade de desenvolver problemas renais durante uma missão espacial não é apenas uma questão de saúde individual. Em viagens longas, como uma ida a Marte, o acesso a atendimento médico é extremamente limitado.
Pesquisadores buscam métodos de mitigar esse problema e garantir a segurança e integridade da saúde dos astronautas a fim de viabilizar missões longas no espaço.
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