Órgão regulador diz que furto de vírus na UNICAMP não representa emergência sanitária.
O furto de amostras virais de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, em São Paulo, acendeu um alerta nacional nos últimos dias. No entanto, após avaliação técnica, a Anvisa descartou a necessidade de decretar emergência em saúde pública, afastando o risco de uma crise sanitária decorrente do caso.
Entenda detalhes do que aconteceu
Segundo as investigações, ao menos 24 cepas de vírus foram retiradas sem autorização de um laboratório de alta segurança do Instituto de Biologia da Unicamp. Entre os microrganismos estavam amostras relacionadas a doenças como dengue, zika, chikungunya, gripe e coronavírus, além de vírus que afetam animais.
O material estava armazenado em uma área classificada como NB-3, nível de biossegurança considerado elevado, destinado ao manuseio de agentes com potencial de causar doenças graves e com possibilidade de transmissão.
A suspeita é de que uma professora da instituição, com a ajuda do marido, tenha retirado e transportado as amostras entre diferentes laboratórios, sem autorização e fora dos protocolos exigidos.
Investigação segue em andamento
O caso está sendo apurado como furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de material biológico. A principal suspeita chegou a ser presa em flagrante, mas foi liberada provisoriamente e responde ao processo com restrições judiciais.
As investigações também buscam esclarecer a motivação do crime e se houve participação de outras pessoas. Paralelamente, a Unicamp instaurou uma sindicância interna para avaliar possíveis falhas e responsabilidades administrativas.
Em nota, a universidade classificou o episódio como um caso isolado e afirmou que seus laboratórios seguem protocolos rigorosos de segurança, reforçando que o incidente não compromete o sistema de biossegurança da instituição.
Apesar da situação, não houve emergência sanitária
Apesar da gravidade potencial do furto, a Anvisa descarta risco coletivo. Isso porque, de acordo com as apurações, não houve evidências de contaminação externa nem de exposição da população aos vírus.
Além disso, todas as amostras foram localizadas e recolhidas em um curto período, o que reduziu significativamente qualquer possibilidade de disseminação. O órgão ressalta que, embora perigosos, muitos dos vírus manipulados em laboratórios NB-3 possuem formas de prevenção ou tratamento conhecidas, o que contribui para o controle de eventuais riscos.
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