Anvisa autorizou a produção de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Entenda como a tecnologia funciona e por que ela pode ajudar no combate à dengue.
Thyago Murad | 23 de Julho de 2026 às 14:00
O combate à dengue acaba de ganhar mais um reforço importante no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova empresa a produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, uma tecnologia que vem sendo utilizada para reduzir a transmissão da dengue, da zika e da chikungunya.
A decisão não significa que mais mosquitos transmissores serão colocados em circulação. Na prática, a estratégia utiliza exemplares que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, capaz de impedir que os vírus se desenvolvam dentro do inseto. Dessa forma, mesmo quando esses mosquitos picam uma pessoa, a chance de transmitir as doenças diminui significativamente.
A autorização permite que a empresa Flyttr, antiga Oxitec, produza mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia. O aval tem validade de cinco anos e estabelece que a produção seja destinada exclusivamente a programas de saúde pública voltados ao controle das arboviroses.
Na prática, a empresa poderá fabricar os mosquitos para atender iniciativas conduzidas por órgãos públicos responsáveis pelo enfrentamento da dengue. A decisão representa um passo regulatório importante porque amplia a oferta da tecnologia, que já vinha sendo utilizada por outras instituições em projetos de controle do mosquito.
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em cerca de metade das espécies de insetos existentes no mundo, mas ela não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti.
Após anos de pesquisa, cientistas conseguiram introduzir essa bactéria no mosquito transmissor da dengue. O resultado é um inseto que continua vivendo normalmente, mas passa a ter grande dificuldade para permitir a multiplicação dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya em seu organismo.
Isso significa que, quando um mosquito com Wolbachia pica uma pessoa infectada, o vírus encontra uma barreira para se desenvolver dentro do inseto. Como consequência, a probabilidade de transmissão para outras pessoas diminui.
O método consiste na liberação controlada de mosquitos portadores da bactéria em determinadas regiões. Esses insetos se reproduzem com os mosquitos locais e transmitem naturalmente a Wolbachia para seus descendentes.
Com o passar do tempo, a bactéria se torna cada vez mais presente na população de mosquitos daquela área. O objetivo não é eliminar completamente o Aedes aegypti, mas fazer com que a maior parte deles carregue a bactéria protetora, reduzindo a circulação dos vírus responsáveis pelas doenças.
Não. A estratégia faz parte de um conjunto de medidas para combater a dengue. Mesmo com a utilização da Wolbachia, continua sendo fundamental eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d'água fechadas e colaborar com as ações de vigilância sanitária.
Além disso, os resultados não aparecem imediatamente. Segundo especialistas, a tecnologia precisa de tempo para que os mosquitos com a bactéria se estabeleçam na população local, processo que pode levar cerca de dois anos em algumas regiões.
De acordo com as informações divulgadas sobre a tecnologia, não. A bactéria utilizada não causa doenças em seres humanos nem torna o mosquito mais agressivo. Ela atua apenas dentro do organismo do inseto, dificultando a multiplicação dos vírus.
Por isso, o objetivo da estratégia é justamente reduzir o risco de transmissão das arboviroses sem recorrer ao uso exclusivo de inseticidas.
A nova autorização amplia a capacidade de produção dos mosquitos com Wolbachia no Brasil. Nos últimos anos, a dengue registrou números elevados de casos em diversas regiões do país, aumentando a necessidade de estratégias complementares para controlar a doença.
Com mais capacidade de produção, programas públicos poderão ter acesso a um número maior de mosquitos preparados com essa tecnologia, permitindo a expansão gradual do método para novas localidades, conforme planejamento das autoridades sanitárias.
Embora a medida represente um avanço importante, especialistas ressaltam que ela não elimina a necessidade das ações tradicionais de prevenção nem substitui outras políticas de controle do mosquito.
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