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Anvisa aprova primeiro genérico de semaglutida no Brasil: entenda como funciona e quanto pode custar

Entenda como funciona o primeiro genérico de semaglutida no Brasil, quanto pode custar e quais são as diferenças para Ozempic e Ozivy.

Thyago Murad | 19 de Agosto de 2026 às 10:30

Nova medicação deve ser mais acessível e ter preços mais baixos. - Reprodução / Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o primeiro medicamento genérico de semaglutida no Brasil. A novidade chega ao mercado depois do fim da patente do princípio ativo, utilizado em medicamentos como o Ozempic, e pode ampliar o acesso a tratamentos que utilizam essa substância.

A aprovação acontece em um momento de expansão das opções de medicamentos à base de semaglutida no país. Em julho, a Anvisa já havia registrado cinco novas canetas sintéticas com o princípio ativo.

Mas há uma diferença importante entre os produtos. O Ozivy, registrado pela Anvisa em maio, não é um genérico. Ele é um medicamento novo, classificado como análogo sintético de um produto biológico. Já o registro anunciado agora corresponde, de fato, a um medicamento genérico.

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O que é a semaglutida e como ela funciona?

A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos que fazem parte da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. A substância é utilizada em tratamentos relacionados ao diabetes tipo 2 e também está presente em medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade.

A ação da semaglutida está relacionada aos mecanismos do hormônio GLP-1. Entre os efeitos provocados pelo medicamento estão o estímulo à produção de insulina e o aumento da sensação de saciedade. Por isso, medicamentos com esse princípio ativo ganharam enorme popularidade também no contexto do controle do peso.

É importante, porém, não confundir a popularidade das chamadas canetas emagrecedoras com as indicações específicas de cada medicamento. O registro concedido pela Anvisa determina para quais condições e grupos de pacientes cada produto pode ser utilizado.

Para que serve o novo genérico de semaglutida?

O novo medicamento genérico é apresentado em canetas injetáveis de semaglutida. O registro contempla concentrações de 1,34 mg/mL, em volumes de 1,5 mL e 3 mL. A semaglutida também já está presente em medicamentos registrados no Brasil para diferentes finalidades. 

O Ozempic, por exemplo, possui indicação para adultos com diabetes mellitus tipo 2 e, em 2026, teve sua indicação ampliada pela Anvisa para determinados pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica.

Já o Wegovy é um medicamento à base de semaglutida aprovado para o tratamento da obesidade. A Anvisa também ampliou sua indicação em 2025 para adultos com uma forma específica de doença hepática relacionada à disfunção metabólica.

Por isso, o uso da substância não deve ser interpretado como uma indicação automática para qualquer pessoa que queira perder peso.

Por que o primeiro genérico de semaglutida é importante?

A chegada do primeiro genérico representa uma mudança relevante no mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida.

Uma das características dos medicamentos genéricos é justamente ampliar as opções disponíveis para um determinado princípio ativo. No caso da semaglutida, isso acontece depois do encerramento da proteção patentária do princípio ativo utilizado pelo Ozempic.

A patente da semaglutida expirou no Brasil em 20 de março de 2026. Pouco depois, a Anvisa registrou o Ozivy, da EMS, como o primeiro medicamento de semaglutida sintética análoga ao produto biológico de referência.

Em maio, a própria Anvisa ressaltou que o Ozivy não poderia ser classificado como genérico, já que a regulamentação brasileira não prevê medicamentos genéricos de produtos biológicos. O produto foi registrado como medicamento novo e utiliza uma versão sintética do princípio ativo.

Agora, com o novo registro, a categoria de genéricos passa a fazer parte desse mercado.

Quanto pode custar o genérico de semaglutida?

O preço definitivo do novo genérico ainda precisa ser definido. O medicamento precisa passar pela regulamentação de preços antes de chegar às farmácias.

Para medicamentos genéricos, existe uma regra importante: eles devem ter preço pelo menos 35% inferior ao medicamento de referência. Com base nessa regra e nos valores praticados atualmente para o produto de referência, a estimativa divulgada é que o novo genérico possa custar entre R$ 293 e R$ 323.

Esse valor, no entanto, é uma projeção. O preço efetivamente praticado dependerá da definição oficial e das condições comerciais adotadas no mercado.

A expectativa de redução dos custos também está relacionada ao aumento da concorrência. A entrada de novos medicamentos pode ampliar as alternativas para pacientes que precisam utilizar tratamentos com semaglutida.

A Anvisa já aprovou outras canetas de semaglutida?

Sim. A aprovação do primeiro genérico acontece depois de uma série de registros de medicamentos com o mesmo princípio ativo.

Em 29 de julho de 2026, a Anvisa anunciou o registro de cinco novas canetas de semaglutida sintética: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Os medicamentos foram registrados por comparação com o Ozempic e receberam indicação para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.

Os cinco medicamentos foram autorizados para uso associado à dieta e aos exercícios quando a metformina é considerada inadequada por intolerância ou contraindicação.

A movimentação faz parte de uma estratégia da Anvisa para acelerar a análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida. O objetivo inclui ampliar a oferta e reduzir problemas relacionados ao abastecimento desses medicamentos.

Genérico, similar e análogo de semaglutida são a mesma coisa?

Não. Essa diferença pode parecer apenas técnica, mas é importante para entender as notícias recentes sobre as canetas.

O genérico é identificado pelo princípio ativo e segue regras específicas para comprovação de equivalência ao medicamento de referência. A legislação também estabelece uma redução mínima de preço em relação ao medicamento de referência.

O similar também possui o mesmo princípio ativo do medicamento de referência, mas tem nome comercial e segue regras próprias de registro.

Já o Ozivy, por exemplo, foi classificado pela Anvisa como um medicamento novo, análogo sintético de um produto biológico. A agência deixou explícito que ele não é um medicamento genérico.

Essa distinção ajuda a evitar uma confusão comum: nem toda nova caneta de semaglutida aprovada pela Anvisa é necessariamente um genérico.

O que muda para quem precisa usar semaglutida?

A principal mudança é o aumento das opções disponíveis no mercado brasileiro. Depois do fim da patente, novas versões sintéticas começaram a receber registros da Anvisa, incluindo o Ozivy e, posteriormente, cinco novas canetas.

A chegada do primeiro genérico acrescenta mais uma alternativa e pode pressionar os preços para baixo. Ainda assim, a escolha do medicamento deve considerar a indicação aprovada, as características do paciente, a orientação médica e o acompanhamento durante o tratamento.

Em outras palavras, a novidade pode significar mais concorrência e potencialmente mais acesso, mas não muda uma regra essencial: medicamentos à base de semaglutida devem ser utilizados com indicação e acompanhamento profissional.


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