Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, lidera pelo quarto ano seguido o ranking dos maiores bilionários do Brasil. Veja quem completa o top 10 e de onde vêm as fortunas.
Você sabia que o Brasil possui uma lista extensa de bilionários? Alguns dos maiores deles foram divulgados em uma lista da Forbes, que reúne 255 brasileiros com patrimônio de pelo menos R$ 1 bilhão. Juntos, eles acumulam R$ 1,86 trilhão.
O ranking também mostra como as grandes fortunas brasileiras estão ligadas a setores bem diferentes. Tecnologia, bancos, bebidas, investimentos, mineração, cosméticos e alimentos aparecem entre as principais fontes de riqueza.
A seguir, veja quem são os 10 maiores bilionários do Brasil em 2026, quanto cada um possui e como construíram ou administram seus patrimônios.
Quem são os 10 maiores bilionários do Brasil em 2026?
Os dez primeiros colocados da lista da Forbes concentram fortunas que vão de R$ 35,1 bilhões a R$ 162,9 bilhões. Entre eles estão empresários que construíram negócios, acionistas de grandes grupos e integrantes de famílias que acumularam patrimônio ao longo de gerações.
1. Eduardo Saverin: R$ 162,9 bilhões
O empresário lidera o ranking de bilionarios do Brasil. - Reprodução / Divulgação
A liderança dos maiores bilionários do Brasil em 2026 continua com Eduardo Luiz Saverin, de 44 anos. Cofundador do Facebook, atual Meta, ele tem uma fortuna estimada em R$ 162,9 bilhões. Saverin ocupa o primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo. Mesmo assim, seu patrimônio caiu 28,24% em relação aos R$ 227 bilhões estimados em 2025.
Segundo a Forbes, um dos fatores para essa redução foi a queda de cerca de 16% nas ações da Meta nos 12 meses até junho de 2026, em um cenário de aumento da competição entre empresas de inteligência artificial.
Além da participação na Meta, Saverin é dono da B Capital, empresa de investimentos voltada para startups. Em julho de 2026, a companhia anunciou o Ascent Fund III, fundo de venture capital que captou US$ 500 milhões para investir em startups de inteligência artificial, principalmente nas áreas de saúde e energia na América do Norte e na Ásia. O empresário mora em Singapura desde 2012.
2. Vicky Safra e família: R$ 130,6 bilhões
Fortuna da família Safra está ligada ao Banco Safra. - Reprodução / Divulgação
A segunda colocação pertence a Vicky Sarfati Safra e sua família, com patrimônio estimado em R$ 130,6 bilhões. Ela tem 74 anos e também manteve a posição conquistada no ranking anterior.
Vicky é viúva do banqueiro Joseph Safra, que morreu em dezembro de 2020. Ela herdou cerca de metade da fortuna do empresário. A outra parte ficou com os filhos Jacob, Esther, Alberto e David.
A família está ligada ao Banco Safra, uma das principais instituições financeiras do país. No início de 2025, Jacob e David compraram a participação de Esther no banco. Alberto havia deixado o grupo em 2019 para fundar a gestora ASA.
Nascida na Grécia, Vicky se mudou para o Brasil ainda na infância. Atualmente, também está à frente da Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, que patrocina iniciativas nas áreas de saúde, educação e artes. Com o patrimônio somado aos dos filhos, Vicky é a única mulher entre os dez primeiros colocados do ranking de 2026.
3. Jorge Paulo Lemann: R$ 103,5 bilhões
Empresário possui participações em grandes empresas de bebidas. - Reprodução / Divulgação
Jorge Paulo Lemann aparece em terceiro lugar, com R$ 103,5 bilhões. Aos 86 anos, o empresário mantém a posição que ocupava em 2025.
Sua fortuna está relacionada principalmente a participações em grandes empresas e investimentos. Lemann é acionista controlador da AB InBev, gigante mundial de bebidas, e também possui participações na Restaurant Brands International, grupo que reúne marcas como Burger King e Tim Hortons.
No Brasil, seus negócios incluem a São Carlos Empreendimentos, que tem como sócios seus filhos e os herdeiros de Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, seus principais parceiros empresariais.
A 3G Capital, empresa de investimentos ligada a Lemann, voltou a fazer uma grande aquisição em maio de 2025, quando comprou a fabricante americana de calçados Skechers por cerca de US$ 9,4 bilhões.
4. André Esteves: R$ 66,1 bilhões
Empresário é o principal acionista de banco. - Reprodução / Divulgação
O quarto maior bilionário do Brasil em 2026 é André Santos Esteves, de 58 anos. Sua fortuna chegou a R$ 66,1 bilhões, contra R$ 51 bilhões no ano anterior.
Esteves é o principal acionista individual do BTG Pactual. O banco registrou lucro líquido ajustado recorde de R$ 15,9 bilhões em 2025, uma alta de 34,7% em relação aos 12 meses anteriores.
A valorização das ações do BTG Pactual também teve impacto sobre o patrimônio do empresário. Os papéis da instituição subiram 33% nos 12 meses até 30 de junho de 2026.
A trajetória de Esteves no setor financeiro começou ainda durante a faculdade. Em 1989, quando estudava ciência da computação e matemática na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele foi contratado como analista de sistemas do Banco Pactual. Quatro anos depois, tornou-se sócio.
Em 2005, aos 37 anos, entrou para a lista de bilionários.
5. Fernando Moreira Salles: R$ 50,3 bilhões
Fortuna da família Moreira Salles vem de ações do banco Itaú e da CBMM. - Reprodução / Divulgação
Fernando Roberto Moreira Salles ocupa a quinta posição, com patrimônio de R$ 50,3 bilhões. Aos 80 anos, ele é acionista do Itaú Unibanco por meio da Companhia E. Johnston de Participações. A família Moreira Salles também está ligada à Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, a CBMM, líder mundial na produção de nióbio.
Fernando é o primogênito do banqueiro Walther Moreira Salles. Em 2022, durante uma reestruturação dos negócios da família, comprou parte da participação dos irmãos Walther Júnior e João, mais voltados para atividades culturais. Com a operação, passou a deter 50% da participação na Companhia E. Johnston. A empresa possui cerca de 33% das ações do Itaú Unibanco.
6. Pedro Moreira Salles: R$ 46,6 bilhões
Fortuna de Pedro possui origem semelhante a de seu irmão, que figura ao seu lado na lista. - Reprodução / Divulgação
Pedro Moreira Salles, irmão de Fernando, aparece em sexto lugar. Seu patrimônio foi estimado em R$ 46,6 bilhões, ante R$ 38 bilhões em 2025. Assim como os irmãos, Pedro é acionista do Itaú Unibanco por meio da Companhia E. Johnston de Participações, além de ter participação nos negócios relacionados à CBMM.
Em 2022, Pedro comprou parte da participação dos irmãos na companhia e passou a deter 44%. Seu filho ficou com outros 6%.
Pedro também é copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco. Em fevereiro de 2026, anunciou sua renúncia à presidência do conselho da Alpargatas por causa de suas atividades como professor adjunto da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, onde passará a morar.
7. Max Van Hoegaerden Herrmann Telles: R$ 38,8 bilhões
Max possui participação em uma das maiores cervejarias do mundo e viu sua fortuna crescer. - Reprodução / Divulgação
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles é filho de Marcel Herrmann Telles, ele vem assumindo a participação do pai na AB InBev, maior cervejaria do mundo e proprietária da Ambev. Também possui outras participações empresariais.
Nascido em São Paulo em novembro de 1995, Max mora em Nova York. Seu nome entrou pela primeira vez na lista de bilionários em 2024.
Além da participação na AB InBev, ele recebeu outras doações do pai, incluindo participação na São Carlos Empreendimentos. Em 2026, Max ocupa a sétima posição, quatro lugares acima da colocação registrada em 2025. Seu patrimônio passou de R$ 29,3 bilhões para R$ 38,8 bilhões.
8. Miguel Krigsner: R$ 35,7 bilhões
Empresário é um magnata dos cosméticos e da beleza. - Reprodução / Divulgação
Miguel Gellert Krigsner, de 76 anos, ocupa a oitava posição, com uma fortuna estimada em R$ 35,7 bilhões.
Sua história empresarial está diretamente ligada ao setor de cosméticos. Nascido em La Paz, na Bolívia, ele se mudou para Curitiba com a família aos 11 anos. Em 1975, formou-se em farmácia e bioquímica pela Universidade Federal do Paraná.
Dois anos depois, fundou uma farmácia de manipulação que daria origem ao grupo O Boticário. Krigsner foi pioneiro no modelo de franquias. Atualmente, o grupo controla marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult e O.U.i.
O empresário também investe em outros negócios. Ao lado do cunhado e sócio Artur Grynbaum, participou de investimentos na Cia. Tradicional de Comércio, responsável por redes de bares e restaurantes como Pirajá, Lanchonete da Cidade e Bráz Pizzaria.
Em 2025, o grupo O Boticário registrou faturamento recorde, com vendas ao consumidor de R$ 38,1 bilhões.
9. Carlos Alberto Sicupira: R$ 35,4 bilhões
Empresário viu sua fortuna ascender após momento de dificuldades nos negócios em 2023. - Reprodução / Divulgação
Carlos Alberto da Veiga Sicupira e sua família aparecem em nono lugar, com patrimônio estimado em R$ 35,4 bilhões. Ele é sócio da 3G Capital e possui participação na AB InBev. Em 2025, ocupava a sexta posição do ranking, mas caiu para o nono lugar em 2026.
Seu patrimônio também diminuiu, passando de R$ 39,1 bilhões para R$ 35,4 bilhões. A 3G Capital enfrentou um cenário mais difícil após a crise da Americanas, em 2023. Depois de vender sua participação na Kraft Heinz, a empresa de investimentos passou um período sem realizar grandes negócios.
A retomada aconteceu em maio de 2025, com a compra da fabricante americana de calçados Skechers por aproximadamente US$ 9,4 bilhões.
10. Ricardo Faria: R$ 35,1 bilhões
Ricardo viu sua fortuna crescer e entrou no top 10 em apenas um ano. - Reprodução / Divulgação
Ricardo Castellar de Faria completa o grupo dos dez maiores bilionários do Brasil em 2026. E sua trajetória foi uma das que mais mudaram no ranking.
O empresário saiu da 21ª posição, em 2025, para a décima colocação em 2026. Seu patrimônio passou de R$ 19,6 bilhões para R$ 35,1 bilhões, uma alta de 79,08%.
Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faria é fundador e presidente do conselho da Granja Faria, da Insolo e da RCF Capital. Ele também preside a Associação Catarinense de Avicultura.
Criada em 2006, a Granja Faria se tornou a maior produtora de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia do Brasil. A empresa tem 34 unidades produtoras, emprega 2.700 funcionários e fornece aproximadamente 16 milhões de ovos por dia.
A expansão também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 2024, Faria adquiriu a americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão. Em 2025, comprou o Grupo Hevo, da Espanha.
Em março de 2026, a gestora Warburg Pincus adquiriu uma participação na Global Eggs, elevando o valuation da empresa para US$ 40 bilhões.
O que explica as mudanças entre os maiores bilionários do Brasil em 2026?
As variações do ranking estão relacionadas principalmente ao valor dos negócios e das participações que compõem os patrimônios. Por isso, uma fortuna pode aumentar ou diminuir de um ano para outro mesmo quando a pessoa continua ocupando posição de destaque.
Eduardo Saverin, por exemplo, permaneceu em primeiro lugar apesar da redução de 28,24% em seu patrimônio. Já Ricardo Faria quase dobrou sua fortuna e entrou no top 10. André Esteves também teve crescimento expressivo, impulsionado pelo desempenho do BTG Pactual. Entre os nomes ligados à 3G Capital, Lemann avançou em patrimônio, enquanto Sicupira teve redução.
No conjunto dos 255 bilionários brasileiros, 151, ou 59,2%, aumentaram suas fortunas. Outros 77, equivalentes a 30,2%, tiveram redução, enquanto 27, ou 10,6%, mantiveram o patrimônio.
Como a Forbes calcula a fortuna dos bilionários brasileiros?
A lista considera diferentes fontes de informação, mas as ações negociadas em bolsa têm papel importante no cálculo. Para a edição de 2026, a Forbes utilizou como referência a cotação de fechamento de 30 de junho de 2026.
Os dados de empresas listadas são públicos, oficiais e auditados. Ainda assim, os patrimônios podem estar subestimados porque a metodologia considera principalmente informações públicas.
Em geral, imóveis, obras de arte, aviões e embarcações não entram na conta, a menos que o participante forneça dados confiáveis sobre esses bens. A Forbes também pode consolidar ou separar patrimônios de irmãos e familiares dependendo do caso.
Por isso, os valores apresentados no ranking são estimativas calculadas a partir das informações disponíveis e não necessariamente representam tudo o que cada pessoa possui.