Dia do Frevo é celebrado em 14 de setembro. Conheça curiosidades sobre a história, a dança, as sombrinhas e a cultura por trás desse ritmo pernambucano.
Você sabia que o Dia do Frevo é celebrado em 14 de setembro? A ocasião marca uma manifestação cultural que ultrapassa a música. Nascido em Pernambuco, o frevo combina dança, ritmo e elementos de diferentes expressões populares e se tornou um dos símbolos do Carnaval de Recife e Olinda.
Com movimentos rápidos, sombrinhas coloridas e roupas vibrantes, o frevo chama atenção pela energia. Mas a história por trás dessa manifestação também revela episódios de resistência, transformações e preservação da cultura pernambucana.
Para entender melhor essa tradição, reunimos 7 curiosidades sobre o frevo que ajudam a explicar como ele se tornou uma manifestação tão marcante da cultura brasileira.
7 curiosidades sobre o frevo
1. O frevo mistura música, dança e outras expressões
O frevo não é apenas um gênero musical ou uma dança. Ele reúne diferentes formas de expressão artística em uma manifestação cultural própria. A música é marcada por ritmos rápidos e vibrantes. Entre as influências estão o maxixe e a marcha. Já a dança, conhecida como "passo", incorporou elementos da capoeira, especialmente nos movimentos acrobáticos.
Ao longo dos anos, essa combinação ajudou a transformar o frevo em uma expressão artística singular. A manifestação também passou a envolver elementos do teatro, ampliando ainda mais sua identidade. Essa mistura explica parte da energia que aparece nas apresentações. Música e movimento acontecem juntos, criando uma experiência visual e sonora bastante característica.
2. O frevo tem uma história ligada à resistência negra
A história do frevo remonta ao final do século 19, período marcado por fortes tensões sociais no Brasil. Depois da abolição da escravidão, muitas pessoas escravizadas passaram a ocupar os espaços urbanos. Nos blocos de Carnaval de rua, classes populares encontraram uma forma de expressar sua resistência.
A dança frenética era acompanhada pelo som de bandas militares, especialmente dos instrumentos de sopro. Os movimentos também tinham relação com a capoeira. Na época, essa prática era proibida, e seus elementos foram incorporados à dança do frevo.
Assim, além de sua dimensão artística, o frevo passou a carregar uma história de resistência e expressão das classes populares.
3. A famosa sombrinha já foi uma arma
É difícil pensar no frevo sem lembrar das pequenas sombrinhas coloridas que acompanham os passistas. Mas esse acessório nem sempre teve a função decorativa que conhecemos hoje. No início, os praticantes do frevo carregavam porretes de madeira. Esses objetos eram usados como armas durante os momentos de resistência à opressão.
Com a repressão, os porretes foram substituídos por guarda-chuvas pontiagudos. Com o passar do tempo, esses objetos também foram transformados.
Os guarda-chuvas deram lugar às pequenas sombrinhas coloridas que hoje se tornaram um dos símbolos mais reconhecíveis do frevo. A mudança mostra como um elemento inicialmente associado à resistência acabou incorporado à estética da dança.
4. Existem três tipos de frevo
O frevo não é formado por uma única vertente. A cultura popular reconhece três tipos principais. O primeiro é o frevo de rua. É a versão mais conhecida e acompanha os passistas com o som enérgico dos instrumentos de sopro.
Também existe o frevo-canção. Nesse caso, o ritmo é mais lento e conta com vocais. Já o frevo de bloco, também chamado de "marcha de bloco", combina instrumentos de sopro e de corda. Apesar das diferenças, as três vertentes fazem parte da mesma tradição cultural e ajudam a explicar a diversidade musical do frevo.
5. Os passos são rápidos e podem ser improvisados
Outra característica marcante do frevo está na dança. Os passos são conhecidos pela complexidade e pela agilidade. Entre os mais famosos estão a tesoura, a passagem, a dobradinha e o pião.
Os dançarinos podem combinar diferentes movimentos de maneira fluida. Também há espaço para improvisação, de acordo com a música e com o momento da apresentação. O resultado é uma dança dinâmica, cheia de movimentos rápidos e expressivos. Cada apresentação pode ganhar características próprias justamente por causa dessa possibilidade de combinar passos e improvisar.
Por isso, acompanhar um passista exige atenção. Os movimentos acontecem rapidamente e fazem parte do espetáculo tanto quanto a música.
6. As roupas também fazem parte do espetáculo
As roupas utilizadas no frevo ajudam a criar a identidade visual da manifestação. Os trajes são marcados por cores vibrantes, adereços elaborados e sombrinhas decoradas. Tons de vermelho, amarelo e azul aparecem com destaque.
Os dançarinos também podem usar capas e coletes. Em algumas ocasiões, máscaras e maquiagem complementam a produção. Mas não é apenas uma questão estética. As roupas leves e confortáveis facilitam os movimentos ágeis e expressivos característicos da dança.
Dessa forma, figurino e movimento trabalham juntos para construir a exuberância das apresentações de frevo.
7. O frevo é ensinado para novas gerações
A tradição do frevo também é preservada por meio do ensino. Pernambuco possui escolas e academias que ensinam a dança para pessoas de diferentes idades. Nesses espaços, os alunos aprendem os passos e movimentos característicos da manifestação.
O trabalho vai além da técnica. As instituições também contribuem para a valorização da cultura pernambucana e incentivam a participação das novas gerações. Essa transmissão ajuda a manter o frevo presente na cultura e permite que a tradição continue sendo compartilhada e apreciada por pessoas de diferentes idades.
Por que o frevo é tão importante para a cultura brasileira?
A trajetória do frevo ajuda a entender por que a manifestação ocupa um lugar tão importante na cultura brasileira. Em 2007, o frevo recebeu reconhecimento como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.
Cinco anos depois, em 2012, foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O reconhecimento contribuiu para ampliar a visibilidade e a importância dessa manifestação cultural.
O frevo também permanece associado ao Carnaval de Recife e Olinda. Nas ruas, música e dança se encontram em uma celebração que preserva elementos de sua história e, ao mesmo tempo, permite novas formas de expressão.
As marchinhas também fazem parte desse universo. Com melodias cativantes e letras muitas vezes humorísticas, elas criam um contraponto à energia acelerada da dança e ajudam a manter vivas tradições carnavalescas.
O Dia do Frevo é uma oportunidade de lembrar justamente essa trajetória. A data coloca em evidência uma manifestação que nasceu em Pernambuco, atravessou diferentes momentos da história e continua sendo uma parte importante da cultura brasileira.