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Cientistas conseguem observar o interior de uma estrela anã branca

Saiba o que os cientistas observaram ao conseguir ver o interior de uma estrela anã branca pela primeira vez.

Thyago Soares | 12 de Janeiro de 2026 às 10:57

Uma estrela anã branca nunca tinha sido observada de forma tão detalhada. - Reprodução / Freepik

Pela primeira vez, astrônomos conseguiram observar diretamente o interior de uma estrela anã branca, um dos objetos mais extremos do universo, abrindo uma nova janela para entender como essas estrelas evoluem e se comportam em seus estágios finais. 

Entenda como isso foi possível e o que foi descoberto

As anãs brancas são o núcleo remanescente de estrelas similares ao nosso sol, porém, que já esgotaram seu combustível nuclear, sendo menores em tamanho mas com massa equivalente à do Sol comprimida em um volume semelhante ao da Terra. 

Esse estado extremo faz com que sua gravidade e campos magnéticos sejam intensos, e a observação dos processos em sua superfície e entorno é fundamental para a compreensão de estrelas em seus estágios finais. A observação do interior da anã branca se deu graças ao instrumento Imaging X-ray Polarization Explorer,  ou IXPE, da NASA, que permite estudar a polarização de raios X emitidos pelos ambientes mais energéticos do cosmos.

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A estrela observada faz parte de um sistema binário conhecido como EX Hydrae, localizado a cerca de 200 anos-luz da Terra, na constelação de Hidra. Neste tipo de sistema, a anã branca, que é um remanescente estelar extremamente denso, atrai material de uma estrela companheira próxima. 

Conforme o gás desta estrela vizinha é capturado, a substância forma um disco de acreção, quetem como característica ser uma estrutura achatada de gás e poeira, que gira em torno da anã branca e se aquece intensamente, produzindo raios X que podem ser analisados pelo IXPE.

O uso da polarimetria de raios X permitiu aos cientistas determinar com precisão a geometria da região mais interna do sistema e identificar detalhes que antes eram invisíveis para telescópios tradicionais. Entre as descobertas está a medição da altura da coluna de gás que cai sobre a superfície da anã branca, estimada em cerca de 3 200 quilômetros, uma região que é praticamente inacessível para ser observada de forma convencional.

Os dados adquiridos através do uso do telescópio ainda mostram que os raios X captados não são apenas emitidos diretamente pelo material quente no disco de acreção, mas também se espalham após interagir com a superfície da anã branca, fornecendo uma visão mais rica sobre os processos físicos que ocorrem ali. 

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