Entenda alerta emitido por cientistas que afirma que tempestade solar pode derrubar satélites na órbita baixa da Terra.
Uma tempestade solar poderosa pode representar uma ameaça real aos satélites que orbitam a Terra, segundo um estudo científico. Esse alerta deixou a comunidade científica atenta para possíveis riscos no ambiente espacial devido ao grande número de objetos presentes na órbita baixa da Terra.
Entenda o perigo e o que isso representa
A combinação de eventos solares extremos com a densidade atual de satélites pode levar a falhas graves nos sistemas de navegação e comunicação e até a colisões catastróficas de objetos presentes na órbita da Terra em poucos dias se o controle desses equipamentos for interrompido pela tempestade solar.
Os pesquisadores da Universidade de Princeton, responsáveis pelo alerta, associaram o risco à expansão das chamadas megaconstelações, redes de milhares de satélites lançados por empresas como parte de projetos de internet e comunicação global.
Essa densidade aumentada torna o ambiente orbital comparável a um castelo de cartas estruturalmente instável, em que a perda de controle de alguns satélites pode iniciar uma reação em cadeia de colisões com consequências graves para todas as naves ao redor da Terra.
Sobre o possível causador do evento
O estudo destaca que eventos extremos no Sol, como tempestades solares e ejeções de massa coronal, podem influenciar diretamente os satélites. Esses fenômenos aquecem a atmosfera terrestre e aumentam o arrasto sobre os objetos em órbita baixa, alterando suas trajetórias e exigindo manobras constantes para manter a posição correta.
Além disso, tempestades solares podem causar falhas nos sistemas de navegação e comunicação dos satélites, dificultando ou mesmo impedindo ajustes de órbita e outras correções essenciais.
Para chegar nessa conclusão, foi desenvolvido um indicador chamado Relógio de Colisão e Dano Significativo pelos cientistas. Esse mecanismo calcula o tempo que levaria até ocorrer um impacto grave se os satélites perdessem o controle completo e em junho de 2025, essa contagem mostrou que uma falha total nas operações poderia resultar em colisões catastróficas em cerca de 2,8 dias, um período drasticamente inferior aos 121 dias estimados em 2018, antes da chegada das megaconstelações.
O estudo também indica que uma perda de controle de apenas 24 horas já implicaria cerca de 30% de chance de um choque grave, capaz de iniciar o chamado síndrome de Kessler, um efeito dominó em que detritos se multiplicam e tornam o espaço orbitável extremamente perigoso por décadas.
Os especialistas ressaltam que esse risco não é apenas teórico e que uma tempestade solar extrema, como a ocorrida em 1859 e batizada de ‘Evento Carrington’, seria suficiente para destruir grande parte da infraestrutura orbital atual e limitar o acesso humano ao espaço por um período indeterminado, afetando serviços essenciais como GPS, comunicação global e monitoramento climático.
Se você se interessa por temas relevantes, a revista Seleções traz reportagens confiáveis e completas mensalmente. Assine a versão impressa e receba esses conteúdos de qualidade.