Pesquisas científicas apontam que o cometa 31/ATLAS que se aproxima da Terra, na realidade, se trata de um asteroide.
O cometa interestelar 3I/ATLAS vem atraindo a atenção de astrônomos desde sua descoberta em julho de 2025, e virou motivo de debates científicos ao levantar dúvidas sobre sua natureza real e sobre o que exatamente o distingue dos objetos celestes que conhecemos no Sistema Solar.
De um lado, a NASA e observatórios internacionais continuam classificando o visitante como um cometa, do outro, novos estudos sugerem características que lembram asteroides ou até criovulcanismo na sua superfície, abrindo espaço para interpretações diferentes sobre a sua estrutura.
Sobre o corpo celeste
Quando foi detectado pelo sistema ATLAS no Chile, o 3I/ATLAS foi imediatamente identificado como um objeto interestelar em trajetória hiperbólica, ou seja, um corpo que veio de fora do nosso Sistema Solar e não está gravitacionalmente ligado ao Sol. Ele representa apenas o terceiro objeto interstelar confirmado observado pelos cientistas, depois de ‘Oumuamua e Borisov.
Sua passagem mais próxima da Terra está prevista para 19 de dezembro de 2025, a uma distância segura de cerca de 270 milhões de quilômetros. Momento no qual entusiastas da astronomia poderão observar a sua passagem com o auxílio de telescópios e equipamentos específicos.
O 31/ATLAS é um cometa ou um asteroide?
Inicialmente, acreditava-se que o corpo celeste se tratava de um cometa cujo calor solar fazia com que o gelo do núcleo do objeto sublimasse diretamente em gás, criando uma coma difusa e uma cauda característica dos cometas.
No entanto, um novo estudo conduzido por pesquisadores como Josep M. Trigo-Rodríguez, Maria Gritsevich e Jürgen Blum indica que 3I/ATLAS pode não ter o manto de poeira protetor típico desses corpos.
Essa ausência permitiria que jatos de gás e partículas congeladas escapassem diretamente de pontos específicos da superfície, um fenômeno que os cientistas compararam a “vulcões de gelo” ou “criovulcões”. Esse comportamento poderia explicar a liberação incomum de materiais sem a camada isolante que outros cometas possuem.
Por causa dessa atividade e da velocidade com que o objeto entrou no Sistema Solar, alguns pesquisadores propõem que 3I/ATLAS poderia ser mais parecido com um asteroide rico em carbono e metais do que com um cometa tradicional. Essa hipótese tenta conciliar observações de brilho, jatos ativos e propriedades superficiais com modelos de pequenos corpos que se formaram em ambientes diferentes dos comuns no Sistema Solar.
Apesar dessas análises, as agências espaciais e a comunidade científica em geral mantêm a classificação de 3I/ATLAS como um cometa interestelar natural.
Se você se interessa por curiosidades e informações relevantes, a revista Seleções traz reportagens confiáveis e completas mensalmente. Assine a versão impressa e receba esses conteúdos de qualidade.