Aranha brasileira causa ereção de horas e intriga até a ciência

Toxina da aranha responsável pela reação permitiu o desenvolvimento de um fármaco que pode ajudar na disfunção erétil.

Carol Peres | 11 de Julho de 2025 às 16:00

A molécula promissora já passou na primeira etapa de testes. - Freepik

A aranha armadeira (Phoneutria nigriventer) é uma espécie da família dos ctenídeos que pode ser encontrada em países da América do Sul, incluindo o Brasil. Trata-se de um aracnídeo altamente tóxico, e um dos principais efeitos de seu veneno é o priapismo, uma ereção involuntária e dolorosa. A reação é mais comum em homens jovens e pode durar até 4 horas.

Apesar de perigosa, pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed) identificaram a toxina da aranha, que possui propriedades que podem ser usadas no desenvolvimento de um novo remédio para tratar a impotência sexual. As informações são da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Veneno da aranha armadeira pode resultar em medicamento para impotência sexual

O grupo de pesquisadores da UFMG, liderados pela professora Maria Elena de Lima, utilizaram a toxina da aranha em um estudo iniciado há quase 20 anos. Ao buscar compreender, do ponto de vista farmacológico, os mecanismos do veneno da aranha armadeira que geram o priapismo, eles desenvolveram em laboratório uma molécula sintética.

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Denominada de BZ371A, a publicação da UFMG afirma que a promissora molécula já gerou 22 patentes internacionais e nove aplicadas. 

"É uma pesquisa inspirada pela nossa biodiversidade, que começa com o estudo do veneno de uma aranha e está próxima de gerar um possível medicamento. Isso ajuda a demonstrar por que a nossa fauna deve ser preservada: ela é uma fonte inesgotável de moléculas bioativas, e não conhecemos nem 1% desse potencial. Nosso trabalho, que é de ciência básica, busca identificar atividades biológicas de interesse nos venenos e detectar potenciais modelos de fármacos para uma ampla gama de doenças", diz Maria Elena de Lima.

Testes comprovaram que o composto não é tóxico para humanos

O candidato a fármaco foi aprovado na fase 1 de testes, provou que o composto não é tóxico para humanos. Os testes indicaram também a aplicação tópica do BZ371A resulta na vasodilatação, ou seja, dilatação dos vasos sanguíneos. Como consequência, há o aumento do fluxo sanguíneo local, independentemente de qualquer outro estímulo, o que facilta a ereção peniana.

A publicação ressalta que o novo medicamento tem potencial de atender a homens com disfunção erétil que, por diferentes motivos, não podem fazer uso dos medicamentos hoje disponíveis no mercado. Por exemplo, homens que possuem hipertensão ou diabetes não devem usar os fármacos orais pois têm risco de efeitos colaterais.

A empresa Biozeus Biopharmaceutical adquiriu a patente do potencial remédio e dará início à uma nova etapa de testes, em homens que fizeram cirurgia para retirada da próstata e lidam com a disfunção erétil. No entanto, ainda há uma terceira fase de experimentos antes da validação do medicamento. 

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