Saiba o propósito para qual a hibernação humana poderia ser utilizada e como os pesquisadores pretendem induzir isso.
Um estudo da universidade de Harvard se propôs a avaliar a possibilidade de induzir o cérebro humano a um estado de hibernação, semelhante ao que algumas espécies animais já fazem naturalmente. A ideia, que pode parecer saído da ficção científica, visa reduzir a atividade cerebral e o metabolismo de maneira controlada, com aplicações potenciais na medicina e em situações extremas, como longas viagens espaciais.
Entenda o estudo
O foco do ensaio científico, que foi publicado no periódico Nature e é chefiado pela brasileira Natália Machado, consiste em compreender os circuitos e populações específicas de neurônios no cérebro que coordenam respostas fisiológicas complexas, como a regulação da temperatura corporal e do consumo de energia.
Em alguns mamíferos que hibernam naturalmente, como certos roedores, a ativação desses circuitos em condições ambientais apropriadas pode reduzir drasticamente a temperatura do corpo e a taxa metabólica, um estado chamado de torpor.
Os pesquisadores acreditam que, embora os humanos não hibernem de forma natural, ainda possamos possuir mecanismos biológicos que poderiam ser adaptados para induzir uma forma de “hibernação”. Em experimentos com camundongos, por exemplo, foi possível ativar certos neurônios localizados no hipotálamo que levaram os animais a entrar em um estado de torpor, diminuindo sua taxa metabólica de forma significativa.
Como citado acima, uma das aplicações mais comentadas para essa possível hibernação é a possibilidade de utilizar esse estado de metabolismo reduzido para proteger pessoas em situações de emergência médica, como durante um ataque cardíaco ou um acidente grave, ao diminuir as necessidades de oxigênio e dar mais tempo para tratamentos eficazes.
Outra perspectiva discutida é o uso potencial dessa tecnologia em viagens espaciais de longa duração, onde manter astronautas em um estado de baixa atividade metabólica poderia reduzir a necessidade de recursos não renováveis.
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