Entenda a pesquisa brasileira que relaciona o uso de adoçante ao surgimento de demência.
Um estudo brasileiro recente levantou evidências de que o consumo elevado de adoçantes artificiais pode estar associado ao declínio das funções cognitivas e a um risco maior de demência ao longo do tempo. A pesquisa integrou dados de mais de 12 mil adultos acompanhados por vários anos e avaliou como diferentes níveis de ingestão dessas substâncias se relacionaram com memória, raciocínio e outras habilidades mentais.
Entenda mais sobre a pesquisa
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo a partir de informações do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, chamado ELSA-Brasil. Os participantes detalharam seus hábitos alimentares em entrevistas ao longo de anos, permitindo aos cientistas medir tanto o consumo direto de adoçantes quanto a ingestão indireta por meio de alimentos ultraprocessados.
Testes cognitivos padronizados foram aplicados em diferentes momentos para avaliar memória, fluência verbal e velocidade de raciocínio, com análises ajustadas para fatores como idade, sexo, nível de atividade física, índice de massa corporal e presença de doenças como diabetes ou hipertensão.
Os resultados indicam que aqueles que consumiram maiores quantidades de adoçantes artificiais apresentaram um declínio mais rápido nas capacidades cognitivas. Esse efeito foi quantificado em até 62 % a mais de declínio cognitivo em comparação com quem consumiu menos dessas substâncias. Pacientes com diabetes pareceram ainda mais vulneráveis, mostrando tendências mais fortes ao comprometimento das funções cerebrais.
Os responsáveis pelo ensaio científico, no entanto, alertam que a pesquisa é observacional e não permite afirmar de forma definitiva que os adoçantes causam demência. A relação observada pode estar associada a outros fatores de estilo de vida e dieta que também influenciam a saúde do cérebro.
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