Saiba o que é a febre do Nilo Ocidental, como ocorre a transmissão, quais são os sintomas, quando a doença pode ficar grave e como se prevenir.
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. A doença pode não provocar sintomas, mas também pode evoluir para quadros graves com comprometimento do sistema nervoso.
O vírus circula principalmente entre mosquitos e algumas espécies de aves silvestres. Quando um mosquito infectado pica uma pessoa, pode transmitir o vírus. Humanos e equinos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, porque a quantidade e o período de circulação do vírus no organismo não são suficientes para infectar novos mosquitos.
Novos casos da doença foram detectados em São Paulo e Santa Catarina e embora a maioria das infecções não provoque sintomas, conhecer os sinais da febre do Nilo, a forma de transmissão e os cuidados de prevenção ajuda a entender quando procurar atendimento e como reduzir o risco de exposição.
O que é a febre do Nilo Ocidental?
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus. Esse grupo reúne vírus transmitidos por artrópodes, como os mosquitos. Dengue, zika, chikungunya e febre amarela também fazem parte dessa categoria.
O vírus pertence à família dos flavivírus. Na natureza, algumas aves silvestres funcionam como hospedeiras e amplificadoras do vírus. Os mosquitos, por sua vez, podem adquirir o agente ao picar essas aves infectadas e posteriormente transmiti-lo para outros hospedeiros.
Nos seres humanos, a infecção pode passar despercebida. Quando aparecem sintomas, eles variam bastante. Há desde quadros leves, com febre passageira, até manifestações mais graves que atingem o sistema nervoso central ou periférico.
O primeiro caso humano documentado no Brasil ocorreu em 2014, no Piauí. Também existem registros da doença em cavalos.
Como a febre do Nilo é transmitida?
A principal forma de transmissão da febre do Nilo é a picada de um mosquito infectado, principalmente do gênero Culex. Esses mosquitos podem adquirir o vírus ao se alimentar do sangue de aves infectadas. Depois, quando o inseto infectado pica uma pessoa, o vírus pode ser transmitido.
O ciclo não costuma continuar a partir do ser humano. Isso acontece porque o vírus permanece no organismo humano por um período curto e em quantidade insuficiente para infectar outro mosquito.
Também existem formas mais raras de transmissão já relatadas. Entre elas estão transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação.
O contato cotidiano com uma pessoa infectada, portanto, não aparece como a principal via de transmissão da doença. O mosquito é o elemento central desse ciclo.
Quais são os sintomas da febre do Nilo?
A maior parte das pessoas infectadas pelo vírus não apresenta sintomas. O Ministério da Saúde estima que cerca de 20% dos indivíduos infectados desenvolvam manifestações, geralmente leves. Quando aparecem, os sintomas da febre do Nilo podem incluir:
- febre aguda de início abrupto
- mal-estar
- perda de apetite
- náusea
- vômito
- dor nos olhos
- dor de cabeça
- dor muscular
- manchas na pele
- aumento dos gânglios linfáticos
A apresentação da doença pode variar. Em muitos casos, os sintomas são leves e desaparecem. Por isso, a infecção pode passar sem ser identificada.
O Hospital Israelita Albert Einstein também descreve a febre e as dores musculares entre as manifestações da doença. Como esses sinais podem aparecer em diferentes infecções, os sintomas isoladamente não são suficientes para confirmar a presença do vírus.
Quando a febre do Nilo pode ficar grave?
Embora a maioria das infecções seja assintomática ou apresente sintomas leves, uma pequena parcela dos pacientes desenvolve manifestações neurológicas graves.
O Ministério da Saúde estima que uma em cada 150 pessoas infectadas desenvolva doença neurológica severa, que pode incluir meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. A encefalite é apontada como a manifestação neurológica mais comum.
Nesses casos, podem aparecer febre, fraqueza, sintomas gastrointestinais e alterações no estado mental. Também podem ocorrer fraqueza muscular intensa e paralisia flácida aguda. Outras manifestações neurológicas descritas incluem alterações de coordenação, convulsões, alterações de nervos cranianos, mielite, neurite óptica e polirradiculoneurite.
O Einstein destaca ainda que pessoas imunodeprimidas, incluindo idosos que apresentam imunossenescência, podem desenvolver quadros graves, com possibilidade de coma e morte. Por isso, sintomas neurológicos associados a um quadro compatível precisam de avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico da febre do Nilo?
O diagnóstico da febre do Nilo depende de exames específicos. Um dos métodos mais utilizados é a pesquisa de anticorpos IgM contra o vírus no sangue ou no líquido cefalorraquidiano. A coleta para esse exame pode ser feita a partir do quinto dia depois do início dos sintomas.
Também podem ser utilizados métodos moleculares, como o RT-PCR, além de outras técnicas laboratoriais.
Existe, porém, uma dificuldade importante na interpretação de alguns exames. Pessoas recentemente vacinadas contra febre amarela ou infectadas por outros flavivírus, como dengue e zika, podem apresentar reação cruzada em determinados testes de IgM.
O diagnóstico também precisa considerar outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes, incluindo diferentes arboviroses e infecções virais febris. Por isso, a investigação médica é importante para diferenciar a febre do Nilo de outras doenças.
Existe tratamento para a febre do Nilo?
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico para a febre do Nilo Ocidental. O tratamento é sintomático e depende da gravidade do quadro. Nos casos leves, o cuidado é direcionado ao controle dos sintomas. A Rede D'Or destaca que medicamentos para aliviar dores de cabeça e musculares podem ser utilizados sob prescrição médica.
Quando há comprometimento do sistema nervoso, o quadro pode exigir hospitalização. O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para evitar infecções secundárias.
A recuperação espontânea é comum, mas alguns casos graves podem deixar sequelas.
Como prevenir a febre do Nilo?
Como não há vacina recomendada contra a febre do Nilo Ocidental no Brasil, a prevenção depende principalmente da redução da exposição aos mosquitos. Algumas medidas recomendadas incluem:
- Use repelente. O produto ajuda a reduzir o contato com os mosquitos.
- Evite exposição nos horários de maior atividade dos vetores. O Ministério da Saúde recomenda atenção principalmente ao amanhecer e ao entardecer.
- Use telas em portas e janelas. A barreira física pode ajudar a evitar a entrada dos mosquitos nos ambientes.
- Evite água parada. Recipientes que acumulam água podem contribuir para a formação de criadouros de mosquitos.
- Não descarte lixo em locais inadequados. Valas, valetas, margens de córregos, rios e riachos não devem receber lixo.
- Tenha cuidado com animais mortos. O Ministério da Saúde recomenda evitar o manuseio de animais mortos quando possível.
Essas medidas ganham importância principalmente em áreas onde há presença dos vetores.
Por que as aves são importantes na transmissão?
As aves silvestres têm um papel central no ciclo da febre do Nilo. Algumas espécies funcionam como amplificadoras do vírus e servem como fonte de infecção para os mosquitos.
O mosquito infectado pode então transmitir o vírus para outros animais ou para seres humanos. Por esse motivo, a vigilância não se concentra apenas em pessoas. O adoecimento ou a morte de aves silvestres e equídeos com manifestações neurológicas também são considerados eventos de importância epidemiológica e devem ser investigados.
A identificação desses episódios ajuda a localizar possíveis áreas de circulação do vírus e a orientar medidas de prevenção e controle.
Febre do Nilo é a mesma coisa que dengue?
Não. Apesar de as duas doenças serem arboviroses e poderem ser transmitidas por mosquitos, elas são causadas por vírus diferentes. A febre do Nilo Ocidental é causada pelo vírus do Nilo Ocidental e é transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex. A dengue é causada pelo vírus da dengue e tem outro ciclo de transmissão.
Existe, porém, uma relação importante durante o diagnóstico: dengue e outras infecções por flavivírus podem interferir em alguns exames sorológicos utilizados para investigar a febre do Nilo. Por isso, sintomas parecidos não significam necessariamente a mesma doença.
O que fazer diante de sintomas?
Febre de início repentino acompanhada de mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, náuseas ou outros sintomas compatíveis não permite confirmar sozinha a presença da febre do Nilo.
O diagnóstico depende de avaliação e exames específicos. A atenção deve ser ainda maior quando surgem sinais neurológicos, como alteração do estado mental, fraqueza muscular intensa, paralisia, convulsões ou outros sintomas relacionados ao sistema nervoso.
Esses quadros podem estar associados às formas graves da doença e exigem atendimento médico. No dia a dia, a prevenção continua sendo a principal forma de proteção. Repelente, telas e redução da exposição aos mosquitos são medidas simples que ajudam a diminuir o risco de contato com os vetores.
Garanta sua assinatura da versão impressa da Revista Seleções para aproveitar vantagens exclusivas e receber o nosso conteúdo em casa todos os meses.