Entenda o que é gastrite autoimune, doença rara revelada por Bryan Johnson, e saiba quais são os sintomas, causas, diagnóstico e tratamento.
O empresário americano Bryan Johnson voltou aos holofotes após revelar que foi diagnosticado com gastrite autoimune, uma doença rara em que o próprio sistema imunológico passa a atacar células do estômago. Conhecido mundialmente pelo Projeto Blueprint e pelos milhões de dólares investidos em tratamentos para retardar o envelhecimento, Johnson afirmou que recebeu o diagnóstico após uma série de exames e disse estar "animado" para enfrentar esse novo desafio e compartilhar suas descobertas.
A notícia despertou curiosidade sobre uma condição que costuma passar despercebida durante anos. Diferentemente da gastrite mais comum, geralmente relacionada à bactéria Helicobacter pylori, ao uso de anti-inflamatórios ou ao consumo excessivo de álcool, a gastrite autoimune surge quando o organismo ataca a própria mucosa do estômago.
Embora seja considerada rara e muitas vezes silenciosa, ela exige acompanhamento médico porque pode provocar deficiência de nutrientes importantes e aumentar o risco de algumas complicações ao longo do tempo.
O que é gastrite autoimune?
A gastrite autoimune, também chamada de gastrite atrófica autoimune, é uma doença crônica na qual o sistema imunológico produz anticorpos que atacam as células parietais do estômago. Essas células são responsáveis por produzir o ácido gástrico e o chamado fator intrínseco, uma proteína essencial para a absorção da vitamina B12.
Com a destruição progressiva dessas células, ocorre uma redução da produção de ácido no estômago e dificuldade para absorver alguns nutrientes, principalmente vitamina B12 e ferro. Segundo o Manual MSD e materiais médicos especializados, a inflamação costuma atingir principalmente o corpo e o fundo do estômago, levando à atrofia gradual da mucosa gástrica.
Como a doença é diferente da gastrite comum?
Apesar de compartilharem o nome, as duas condições possuem causas bastante diferentes. Na gastrite tradicional, os principais fatores envolvidos costumam ser:
- Infecção pela bactéria Helicobacter pylori.
- Uso frequente de anti-inflamatórios.
- Consumo elevado de bebidas alcoólicas.
- Outros agentes irritantes da mucosa do estômago.
Já na gastrite autoimune, o problema não começa por um agente externo.
O próprio sistema imunológico passa a reconhecer parte do revestimento do estômago como se fosse um corpo estranho, desencadeando um ataque contínuo às células responsáveis pela produção de ácido e do fator intrínseco.
Quais sintomas a gastrite autoimune pode causar?
Um dos aspectos mais curiosos da doença é que ela frequentemente não provoca sintomas nas fases iniciais. Muitas pessoas convivem com a condição durante anos sem perceber qualquer alteração digestiva. Quando aparecem, os sinais costumam estar relacionados às consequências da perda das células do estômago.
Entre elas estão:
Deficiência de vitamina B12
Sem o fator intrínseco, a vitamina B12 deixa de ser absorvida adequadamente. Com o tempo, isso pode favorecer o desenvolvimento de anemia por deficiência de vitamina B12.
Deficiência de ferro
Como a produção de ácido gástrico diminui, a absorção do ferro também pode ficar prejudicada. Por isso, alguns pacientes apresentam baixos níveis de ferritina e anemia ferropriva.
Outros sintomas
Dependendo da evolução da doença, também podem surgir:
- Cansaço persistente.
- Fraqueza.
- Palidez.
- Alterações neurológicas relacionadas à deficiência de vitamina B12.
Entretanto, especialistas ressaltam que muitas pessoas descobrem a doença durante exames realizados por outros motivos.
Como Bryan Johnson descobriu o diagnóstico?
Bryan Johnson contou que convivia havia anos com níveis baixos de ferritina, proteína responsável pelo armazenamento de ferro. A confirmação ocorreu após exames endoscópicos com biópsias do estômago, que identificaram sinais precoces da gastrite autoimune.
Segundo o empresário, ele já convive há décadas com hipotireoidismo autoimune e acredita que ambas as condições fazem parte da mesma tendência do organismo de desenvolver doenças autoimunes.
Após tornar público o diagnóstico, Johnson escreveu que ficou emocionado com as mensagens recebidas e afirmou estar "animado" para enfrentar a doença e compartilhar o aprendizado adquirido ao longo do tratamento.
Como a gastrite autoimune é diagnosticada?
O diagnóstico exige avaliação médica e não pode ser feito apenas pelos sintomas. A confirmação normalmente envolve:
Endoscopia digestiva alta
O exame permite visualizar alterações na mucosa do estômago.
Biópsia
É considerada essencial para confirmar a presença das alterações características da gastrite autoimune.
Exames laboratoriais
Também podem ser solicitados exames para avaliar:
- Vitamina B12.
- Ferro.
- Ferritina.
- Gastrina.
- Outros marcadores relacionados à função do estômago.
Como a doença costuma estar associada a outras condições autoimunes, o médico também pode investigar alterações da tireoide e outras doenças imunológicas.
Existe tratamento?
Atualmente não existe cura para a gastrite autoimune. O tratamento é direcionado principalmente às consequências da doença.
Entre as medidas mais comuns estão:
Reposição de vitamina B12
Frequentemente realizada por injeções quando há deficiência comprovada.
Correção da deficiência de ferro
Pode envolver suplementação quando indicada pelo médico.
Acompanhamento periódico
Pacientes costumam realizar endoscopias periódicas para monitorar possíveis alterações na mucosa do estômago.
Segundo especialistas, esse acompanhamento é importante porque pessoas com gastrite autoimune apresentam risco aumentado para alguns tipos de tumores gástricos, incluindo adenocarcinoma e tumores neuroendócrinos.
Quem tem maior risco de desenvolver gastrite autoimune?
Ainda não existe uma causa única conhecida. A doença costuma estar associada a fatores imunológicos e pode ocorrer com maior frequência em pessoas que já convivem com outras doenças autoimunes, como:
- Tireoidite autoimune.
- Hipotireoidismo autoimune.
- Vitiligo.
- Diabetes tipo 1.
Pesquisadores também investigam possíveis fatores genéticos envolvidos no desenvolvimento da doença.
O diagnóstico muda os planos de Bryan Johnson?
Apesar do diagnóstico, Bryan Johnson afirmou que pretende continuar monitorando sua saúde de forma intensiva. Conhecido por investir milhões de dólares por ano em exames, alimentação controlada e protocolos de longevidade, o empresário afirmou que pretende utilizar tecnologias e pesquisas para buscar novas formas de compreender e tratar a doença.
Embora atualmente não exista cura para a gastrite autoimune, o acompanhamento médico permite controlar suas consequências e monitorar possíveis complicações, especialmente quando o diagnóstico acontece ainda nas fases iniciais.
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