Saiba como funciona a IA que lê o corpo durante o sono e ajuda a prever possíveis doenças.
Já imaginou ter o seu corpo monitorado durante o sono? Pesquisadores da Stanford Medicine desenvolveram uma inteligência artificial capaz de transformar a forma como entendemos o corpo humano enquanto dormimos. A IA, conhecida como SleepFM, foi treinada com quase 600 mil horas de registros de sono para identificar padrões de mais de 130 doenças a partir dos sinais fisiológicos registrados durante o sono.
Entenda como funciona essa nova IA
O sistema da IA analisa dados complexos como atividade cerebral, batimentos cardíacos, respiração e movimentos musculares colhidos por meio de polissonografia, exame considerado o padrão ouro em estudos do sono. Ao cruzar essas informações com históricos médicos de longa duração, o algoritmo consegue apontar, com alta probabilidade de acerto, quem tem maior risco de desenvolver condições que inicialmente nem sequer apresentam sintomas.
Entre as doenças que podem ser previstas estão câncer de próstata e de mama, doenças cardiovasculares como infarto e hipertensão, doenças neurodegenerativas como Parkinson e demência, transtornos mentais e até complicações na gravidez.
Segundo os pesquisadores responsáveis pela IA, o SleepFM consegue enxergar “sinais silenciosos” que não seriam detectados a olho nu e pode contribuir para uma detecção precoce de doenças tidas como silenciosas. Os pequenos desequilíbrios entre sistemas corporais durante o sono podem revelar fragilidades e riscos futuros de saúde e quando esses padrões são identificados com um índice de concordância superior a 0,8, significa que em cerca de 80% dos casos a previsão do modelo coincide com o que foi observado clinicamente ao longo dos anos.
O estudo por trás do uso dessa IA e suas vantagens também aponta que o sono é muito mais do que um momento de descanso. A riqueza de sinais capturados durante o período em que o corpo dorme pode criar um retrato detalhado da saúde geral.
Essa abordagem abre portas não só para antecipar doenças antes de seus primeiros sintomas, mas também para desenvolver ferramentas que ajudam as pessoas a compreender melhor seus sonhos e o que eles podem revelar sobre aspectos emocionais ou fisiológicos do corpo.
Um dos autores da pesquisa, o professor James Zou, destaca que os resultados excederam expectativas e mostram que padrões captados durante o sono podem ser usados para prever riscos de saúde de forma mais ampla do que se pensava.
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