Entenda como funciona a nova injeção para prevenir o HIV e que deve mudar a forma de prevenir o vírus no Brasil.
A Anvisa recentemente aprovou o uso de uma injeção que previne a infecção pelo HIV e deve ser aplicada a cada seis meses, oferecendo uma alternativa à profilaxia diária com comprimidos, o famoso PrEP. O medicamento com a substância lenacapavir representa um novo marco na prevenção do HIV no Brasil e pode facilitar a adesão ao tratamento em grupos com maior risco de exposição ao vírus.
Entenda como funciona o novo medicamento
O lenacapavir age como a profilaxia pré-exposição e é administrado por injeção subcutânea após uma fase inicial de adaptação que pode incluir comprimidos. A principal vantagem desse regime é justamente a periodicidade de aplicação. Enquanto a PrEP oral diária exige disciplina constante, a injeção é programada para ser aplicada a cada seis meses, o que pode aumentar a confiança e a continuidade do uso entre os usuários.
A aprovação da nova formulação pela Anvisa vale para adultos e adolescentes a partir de 12 anos com peso igual ou superior a 35 quilos, desde que tenham resultado negativo para HIV antes de iniciar o esquema preventivo. A indicação atende a uma das lacunas mais discutidas pela saúde pública quando o assunto é prevenção do HIV: a dificuldade de manter o uso contínuo de medicamentos diários por longos períodos.
Análises científicas responsáveis por embasar a aprovação do uso da medicação apontam que o lenacapavir tem altíssima eficácia na redução da transmissão do vírus, chegando a níveis próximos de 100% em alguns grupos avaliados em ensaios clínicos. Os testes também apontaram que a proteção sustentada pela injeção de longa duração pode superar as barreiras de adesão observadas com pílulas.
“A aprovação do lenacapavir pela Anvisa hoje é, sem dúvida, um marco muito especial na resposta ao HIV no Brasil. Ele está no centro das discussões mais avançadas sobre prevenção no mundo. É um medicamento inovador, com mecanismo de ação totalmente novo, o que amplia de forma concreta as opções de prevenção e tratamento disponíveis. Agora, o próximo passo é discutir acesso, incorporação e sustentabilidade, especialmente no SUS”, avaliou Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) em entrevista ao Globo.
O medicamento já é utilizado em outros países e chegou ao Brasil após o registro da fabricante, que incluiu no pedido dados robustos de eficácia e segurança. Antes de se tornar amplamente disponível, a próxima etapa inclui definições sobre preço de mercado e eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo análise de custo-efetividade por órgãos como a Conitec e o Ministério da Saúde.
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