Entenda detalhes sobre o novo remédio de prevenção ao HIV aprovado pela ANVISA.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso de um novo medicamento destinado a reduzir o risco de infecção pelo HIV-1 por meio de profilaxia pré-exposição, o famoso PrEP. O fármaco, registrado com o nome Sunlenca, cujo princípio ativo é o lenacapavir, representa uma alternativa inovadora às opções de prevenção existentes no Brasil.
Entenda sobre o medicamento
O lenacapavir atua como antirretroviral de ação prolongada, interrompendo diferentes etapas do ciclo do vírus HIV e impedindo sua replicação. A grande diferença em relação à PrEP tradicional oferecida atualmente é a duração da proteção com uma única aplicação. O medicamento pode ser administrado por injeção subcutânea a cada seis meses, depois de uma fase inicial que pode incluir comprimidos orais, facilitando a adesão de quem corre risco de contrair o vírus.
A aprovação é válida para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam em situação de exposição ao HIV e possuam teste negativo para HIV-1 antes do início do uso. Essa indicação foi publicada pela Anvisa no Diário Oficial da União na última segunda-feira.
“Embora ainda não tenhamos uma vacina contra o HIV, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa ação que, em estudos clínicos, preveniu quase todas as infecções entre pessoas em risco", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
Os estudos clínicos referidos pelo diretor geral da OMS como bem sucedidos na prevenção do vírus envolveram milhares de participantes e mostraram resultados robustos, tal qual citado. Em um dos ensaios, o lenacapavir apresentou 100% de eficácia na redução de infecções em mulheres cisgênero e proteção significativamente superior à estratégia diária tradicional em comparação com a PrEP oral.
Essas evidências com um regime de longa duração contribuíram para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendasse o lenacapavir em julho de 2025 como uma das melhores opções de prevenção depois de uma vacina, que ainda não existe para o HIV.
Apesar da aprovação pela Anvisa, o medicamento ainda não está disponível no mercado brasileiro. O próximo passo para que ele seja comercializado inclui a definição do preço máximo de venda pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Ministério da Saúde.
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