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5 hábitos do dia a dia que afetam sua libido sem você perceber

Descubra os hábitos do dia a dia que podem afetar sua libido, como dormir mal, estresse, sedentarismo, álcool e alimentação desequilibrada.

Thyago Murad | 26 de Setembro de 2026 às 14:30

A libido pode afetar as relações. - Reprodução / Freepik

Você sabia que a sua libido pode mudar por vários motivos? Nem sempre a explicação está em um relacionamento morno ou em alguma questão hormonal. A rotina também entra nessa conta. Dormir mal, viver sob estresse, passar muito tempo sem se movimentar, exagerar no álcool e manter uma alimentação pouco equilibrada estão entre os hábitos associados a alterações na função sexual.

Isso não significa que qualquer pessoa que tenha uma dessas rotinas terá queda no desejo. A libido é influenciada por uma combinação de fatores físicos, psicológicos e sociais. Estudos recentes mostram justamente essa complexidade.

Uma pesquisa publicada em 2025, por exemplo, acompanhou homens e mulheres saudáveis durante 14 dias e encontrou uma associação entre níveis maiores de estresse e menor probabilidade de sentir desejo e excitação sexual naquele momento.

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Outro levantamento recente, publicado na npj Women's Health, também investigou a relação entre estresse, sintomas de saúde mental e libido ao longo do ciclo menstrual. Por isso, antes de colocar toda a culpa na libido, vale olhar para alguns hábitos que fazem parte da vida cotidiana.

5 hábitos que prejudicam a libido

1. Dormir mal pode afetar a libido

Virar algumas noites maldormidas parece um problema distante da vida sexual. Mas sono e sexualidade estão mais conectados do que pode parecer.

Uma revisão publicada em 2025 analisou pesquisas sobre distúrbios do sono e função sexual em mulheres. O trabalho encontrou evidências de que alterações como insônia, apneia obstrutiva do sono e distúrbios do ritmo circadiano podem estar associadas a mudanças no desejo, na excitação e na satisfação sexual. Ansiedade e depressão também podem interferir nessa relação.

Outro estudo, publicado no Journal of Sexual Medicine, analisou dados de mais de 2,9 milhões de mulheres. Aquelas diagnosticadas com insônia ou apneia do sono apresentaram maiores chances de alguns tipos de disfunção sexual, incluindo transtorno do desejo sexual hipoativo.

A relação também apareceu em uma pesquisa experimental anterior. Mulheres que dormiam mais apresentaram maior desejo sexual no dia seguinte. O estudo ainda encontrou associação entre maior duração média do sono e melhor resposta genital.

Ou seja, aquela sensação de estar cansada demais para pensar em sexo não é necessariamente impressão sua. O descanso participa de processos que influenciam o funcionamento físico e emocional.

2. Viver sob estresse constante pode diminuir o desejo

Tem dias em que a cabeça está tão cheia que simplesmente não sobra espaço para mais nada. Quando essa sensação vira rotina, a libido também pode sentir o impacto.

O estresse aparece entre os fatores relacionados à queda do desejo sexual porque interfere tanto na experiência emocional quanto em respostas fisiológicas do organismo. No estudo publicado em 2025, níveis maiores de estresse estavam associados a menor probabilidade de desejo e excitação sexual no mesmo período. A relação foi observada tanto em homens quanto em mulheres.

Uma análise posterior, também baseada em avaliações diárias, encontrou associação negativa entre estresse e sexualidade. Nesse trabalho, níveis mais elevados de cortisol estiveram associados a menor desejo sexual, com efeitos mais fortes entre as mulheres analisadas.

A relação pode funcionar nos dois sentidos. O mesmo estudo observou que desejo e atividade sexual também estavam associados a níveis menores de estresse posteriormente. Isso mostra por que não é tão simples separar completamente o emocional da vida sexual.

O problema, portanto, não é ter um dia estressante. O ponto de atenção é quando a tensão passa a fazer parte constante da rotina.

3. Passar muito tempo sem se movimentar também entra na conta

O sedentarismo pode afetar a saúde sexual por diferentes caminhos. A atividade física está relacionada à saúde cardiovascular, ao bem-estar psicológico e ao funcionamento geral do organismo, fatores que também participam da sexualidade.

Uma revisão publicada em 2018 já apontava possíveis benefícios do exercício para diferentes aspectos da função sexual feminina. Os autores relacionaram a prática física tanto a mecanismos fisiológicos, como respostas cardiovasculares e neuroendócrinas, quanto a aspectos psicológicos, como humor e imagem corporal.

Uma meta-análise mais recente, publicada em 2026, reuniu 23 estudos sobre exercício e função sexual feminina. Vinte deles observaram melhora da função sexual após intervenções com atividade física. A análise também encontrou benefícios em diferentes áreas, incluindo desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor durante a relação. Os próprios pesquisadores classificaram a certeza geral das evidências como baixa por causa da heterogeneidade entre os estudos.

Outra revisão recente encontrou uma prevalência combinada de disfunção sexual maior entre mulheres com baixo nível de atividade física ou estilo de vida sedentário.

Isso não significa que exista um exercício específico para “aumentar a libido”. A evidência aponta para uma relação mais ampla entre atividade física e saúde sexual.

4. Exagerar no álcool pode atrapalhar a resposta sexual

Beber socialmente e consumir álcool em excesso são situações diferentes. Quando o consumo é elevado, ele pode interferir em diferentes aspectos da função sexual.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2023 avaliou sete estudos que, juntos, reuniram 50.225 mulheres. O trabalho encontrou associação entre consumo de álcool e maior risco de disfunção sexual. Entre os problemas relacionados ao consumo elevado estão alterações na excitação, lubrificação, dor durante a relação e dificuldade para chegar ao orgasmo.

O estudo não significa que qualquer dose de álcool provoque queda da libido. Ele avaliou a relação entre consumo de álcool e disfunção sexual em mulheres e encontrou uma associação estatística entre os dois fatores.

O alerta também aparece na matéria do Terra, que coloca o consumo excessivo de álcool entre os hábitos capazes de prejudicar a resposta sexual.

5. Uma alimentação pouco equilibrada pode influenciar a saúde sexual

A alimentação é outro ponto que merece atenção. Aqui, porém, é importante fugir da ideia de que determinado alimento é responsável sozinho por aumentar ou diminuir a libido. Em publicação, o Terra relaciona o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e dietas hipercalóricas a alterações metabólicas e vasculares que podem estar associadas à redução do desejo.

A literatura científica é mais cuidadosa. Uma revisão publicada em 2019 analisou a relação entre alimentação e saúde sexual feminina e apontou que condições metabólicas, como a síndrome metabólica, podem prejudicar a função sexual. Os resultados sobre obesidade, por outro lado, são mais variados.

Pesquisas mais recentes também investigaram o padrão alimentar como um todo. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 encontrou associação entre padrões alimentares considerados saudáveis, especialmente a alimentação mediterrânea e padrões anti-inflamatórios, e melhor função sexual. Os autores ressaltam que os estudos são heterogêneos e que ainda são necessárias pesquisas maiores para confirmar relações de causa e efeito.

Por isso, o ponto não é transformar a alimentação em uma lista de alimentos proibidos. É observar o padrão geral da dieta e sua relação com a saúde.

A libido não depende de um único hábito

Apesar de esses hábitos aparecerem associados à função sexual, não existe uma fórmula simples para a libido.

O desejo sexual pode ser influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Uma revisão publicada em 2015 já descrevia o baixo desejo sexual feminino como um fenômeno de origem complexa, relacionado a elementos como estado de saúde, depressão, determinados medicamentos e questões envolvendo relacionamentos.

Diretrizes internacionais publicadas em 2026 também reforçam que a avaliação do transtorno do desejo sexual hipoativo precisa considerar diferentes dimensões, incluindo fatores psicológicos e biológicos.

Isso é importante porque uma mudança na libido não significa automaticamente que exista algo errado com você.

Se o desejo diminuiu e isso causa sofrimento ou preocupação, vale conversar com um profissional de saúde. A investigação pode ajudar a entender se existe alguma condição física, psicológica, uso de medicamento ou outro fator relacionado à mudança.

Mais do que procurar um culpado, a ideia é observar a própria rotina. Como anda seu sono? O estresse está presente todos os dias? Existe espaço para movimento? O consumo de álcool aumentou? Como está sua alimentação?

Às vezes, prestar atenção nesses detalhes é o primeiro passo para entender o que mudou.

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