Saiba o que dizem especialistas sobre riscos de consumir informações equivocadas nas redes sociais sobre saúde mental.
O crescimento de conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais tem ampliado o acesso à informação, mas também levantado um sinal de alerta entre especialistas. De acordo com reportagem publicada pelo portal Terra, a disseminação de informações imprecisas sobre condições como TDAH e autismo tem impactado diretamente o entendimento público e até o diagnóstico dessas condições.
Conteúdos virais podem distorcer sintomas
O fenômeno está especialmente associado ao crescimento de conteúdos virais em plataformas como o TikTok, onde vídeos curtos e de fácil consumo nem sempre apresentam base científica confiável.
Segundo especialistas, a popularização desses temas nas redes tem um efeito ambíguo. Ao mesmo tempo em que aumenta a visibilidade sobre saúde mental, também contribui para a circulação de informações equivocadas.
Um estudo da University of East Anglia aponta que o TikTok concentra altos índices de desinformação sobre transtornos mentais. Em alguns casos, até 56% dos conteúdos analisados apresentavam informações imprecisas.
A psiquiatra Thaíssa Pandolfi explicou ao Terra que esse cenário pode gerar confusão na identificação dos sintomas e reforça que nem tudo é pode ser rotulado.
"A gente está vivendo um momento em que mais pessoas estão interessadas em entender a própria saúde mental, o que é positivo. Mas, ao mesmo tempo, há uma simplificação muito grande de temas complexos. Nem todo comportamento é um transtorno, e nem todo sofrimento pode ser reduzido a um rótulo rápido", explica.
Vídeos que listam comportamentos comuns como sinais de transtornos acabam levando usuários a se identificarem de forma precipitada com as condições. Esse movimento pode ter consequências importantes, segundo a especialista.
Ao acreditar que já compreende o próprio quadro, a pessoa pode adiar a busca por avaliação profissional adequada, o que compromete o diagnóstico correto e o início do tratamento.
"Quando transtornos como TDAH ou autismo são tratados de forma superficial ou até romantizada, perde-se a dimensão do impacto que eles têm na vida de quem realmente convive com essas condições. Isso pode reforçar estigmas e dificultar o acesso ao cuidado", explicou a médica.
Os especialistas também chamam atenção para um fenômeno conhecido como “patologização do cotidiano”. Ou seja, comportamentos normais passam a ser interpretados como sinais de transtornos, o que contribui para uma percepção distorcida da saúde mental.
Esse tipo de conteúdo, muitas vezes apresentado de forma didática e envolvente, tende a ganhar grande alcance, mesmo quando não tem respaldo científico.
É claro que as redes sociais podem levar informação de forma positiva, desde que o conteúdo consumido seja de qualidade. Reforçamos, se o que você consome nas redes influenciar diretamente em decisões relacionadas à saúde, é um sinal de alerta.
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