Estudo aponta associação entre carência do nutriente e alterações de humor, mas especialistas garantem que é possível evitar a deficiência com planejamento alimentar
Homens que seguem dietas veganas ou vegetarianas podem apresentar maior risco de sintomas de depressão. É o que sugere um estudo conduzido por pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) em parceria com a Universidade de Bristol, no Reino Unido, publicado no Journal of Affective Disorders.
A pesquisa analisou dados de 9.668 homens adultos — parceiros de grávidas acompanhadas por um grande estudo populacional britânico — e identificou que os participantes vegetarianos e veganos tiveram pontuações significativamente mais altas em um teste padronizado de depressão do que os que consumiam carne.
Os pesquisadores destacam que os resultados não comprovam uma relação direta de causa e efeito. Os próprios autores admitem que a causalidade pode ser inversa: pessoas com maior predisposição à depressão talvez sejam mais inclinadas a adotar dietas sem carne, e não o contrário. Ainda assim, levantam uma hipótese importante. A deficiência de nutrientes essenciais, especialmente a vitamina B12, pode estar por trás dessa associação.
A vitamina B12 desempenha um papel fundamental no funcionamento do sistema nervoso e na produção de substâncias ligadas ao humor e ao bem-estar. Quando está em níveis baixos, o organismo pode apresentar sinais que vão além do cansaço físico, incluindo alterações emocionais.
Por que a vitamina B12 é um ponto de atenção
A principal fonte natural de vitamina B12 são os alimentos de origem animal, como carne, ovos e leite. Por isso, pessoas que adotam dietas restritivas precisam redobrar a atenção com esse nutriente.
Sem a ingestão adequada, o corpo pode desenvolver uma deficiência que, muitas vezes, passa despercebida no início. Com o tempo, porém, pode afetar tanto a saúde física quanto a mental. Além de sintomas como fadiga e fraqueza, níveis baixos de vitamina B12 também têm sido associados a alterações de humor, dificuldade de concentração e maior vulnerabilidade a quadros depressivos.
Os pesquisadores apontaram também que deficiências de ferro, zinco e ômega-3 — também mais presentes em alimentos de origem animal — podem ser fatores relevantes na relação entre dieta vegetariana e sintomas depressivos.
O que diz o estudo?
No grupo vegetariano e vegano, a pontuação média no teste de depressão foi de 5,26 pontos, contra 4,18 entre os não vegetarianos. Mais revelador ainda: 12,3% dos vegetarianos e veganos atingiram a pontuação que indica depressão leve a moderada, contra 7,4% dos não vegetarianos; uma diferença que se manteve mesmo após os pesquisadores levarem em conta fatores como idade, histórico familiar de depressão e estilo de vida.
Embora os cientistas reforcem que não é possível afirmar que a alimentação, por si só, cause depressão, eles consideram que deficiências nutricionais podem ser um fator relevante nessa equação. Isso porque o cérebro depende de um conjunto de vitaminas e minerais para funcionar adequadamente, e a falta de alguns desses elementos pode interferir em processos químicos ligados ao humor.
Apesar do alerta, especialistas destacam que é possível manter uma dieta vegetariana ou vegana equilibrada e saudável, desde que haja planejamento.
De acordo com nutricionistas, a reposição de vitamina B12 em dieta veganas e vegetarianas pode ser feita por meio de suplementos ou de alimentos enriquecidos, como leites vegetais e cereais matinais fortificados. Essas alternativas ajudam a garantir a ingestão adequada do nutriente e a reduzir o risco de deficiência.
Para os demais nutrientes, o acompanhamento com um nutricionista é fundamental para avaliar a necessidade de suplementação e garantir que a dieta esteja equilibrada.