A Anvisa aprovou nova medicação para artrite reumatoide, doença de Still e síndromes autoinflamatórias. Entenda como o medicamento funciona!
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento de doenças autoinflamatórias que podem comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A autorização contempla o Kineret (anacinra), indicado para artrite reumatoide, síndromes de febres periódicas e doença de Still.
A decisão representa mais uma opção terapêutica para pessoas que convivem com doenças marcadas por inflamação persistente ou recorrente. Embora o registro não signifique que o medicamento estará imediatamente disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a aprovação permite sua comercialização no Brasil após o cumprimento das etapas regulatórias necessárias.
O que a Anvisa aprovou?
Na segunda-feira (27), a Anvisa publicou o registro do Kineret (anacinra) para o tratamento de três grupos de doenças autoinflamatórias:
- artrite reumatoide
- síndromes de febres periódicas
- doença de Still
Segundo a agência, essas condições têm em comum um processo inflamatório sistêmico persistente ou recorrente, capaz de provocar dor, limitação funcional, perda da qualidade de vida e complicações potencialmente graves quando não controladas. O registro foi publicado por meio da Resolução RE nº 2.871/2026.
Como funciona o remédio?
O princípio ativo do medicamento é a anacinra, uma proteína produzida por tecnologia de DNA recombinante que atua bloqueando a ação da interleucina 1 (IL-1), uma citocina envolvida na resposta inflamatória do organismo.
Em diversas doenças autoinflamatórias, a IL-1 é produzida em excesso, contribuindo para a manutenção da inflamação e dos sintomas. Ao impedir que essa molécula exerça seu efeito, o medicamento ajuda a reduzir a atividade inflamatória responsável pelos danos aos tecidos e às articulações.
Esse mecanismo de ação é diferente do observado em medicamentos convencionais usados para aliviar dor ou inflamação. Em vez de agir apenas sobre os sintomas, a anacinra interfere diretamente em uma das vias que participam do processo inflamatório.
Para quais doenças o medicamento foi aprovado?
A autorização da Anvisa contempla indicações específicas para cada condição clínica.
Artrite reumatoide
Para pacientes com artrite reumatoide, o medicamento é indicado em combinação com metotrexato, quando a resposta ao metotrexato isoladamente não foi adequada. A artrite reumatoide é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar principalmente o revestimento das articulações.
Esse processo provoca dor, rigidez, inchaço e perda gradual da função articular. Sem tratamento adequado, a inflamação contínua pode levar a deformidades permanentes e limitação importante das atividades diárias.
O objetivo do tratamento é controlar a inflamação, aliviar os sintomas e reduzir a progressão da doença.
O que são as síndromes de febres periódicas?
Outro grupo contemplado pela aprovação são as chamadas síndromes de febres periódicas autoinflamatórias.
De acordo com a Anvisa, o Kineret poderá ser utilizado em adultos, adolescentes, crianças e bebês a partir de oito meses de idade, com peso corporal igual ou superior a 10 kg, para o tratamento de:
- síndromes periódicas associadas à criopirina (CAPS)
- febre familiar do Mediterrâneo (FFM)
Essas doenças são consideradas raras e caracterizam-se por episódios repetidos de inflamação, acompanhados de febre e outros sintomas sistêmicos.
Ao contrário das doenças autoimunes clássicas, elas decorrem de alterações na resposta inflamatória inata do organismo.
Doença de Still também está entre as indicações
A terceira indicação aprovada envolve a doença de Still, uma condição inflamatória rara que pode atingir tanto crianças quanto adultos.
Segundo a Anvisa, o medicamento poderá ser utilizado para tratar:
- artrite idiopática juvenil sistêmica (AIJS)
- doença de Still do adulto (DSA)
A autorização contempla adultos, adolescentes, crianças e bebês com oito meses ou mais e peso mínimo de 10 kg. A doença costuma provocar febre alta recorrente, dor articular, inflamação intensa e manifestações sistêmicas que podem afetar diferentes órgãos.
Sua identificação nem sempre é simples, já que os sintomas podem se confundir com infecções ou outras doenças reumatológicas.
O medicamento substitui os tratamentos atuais?
Segundo publicação do site do Ministério da Saúde, não. A aprovação da Anvisa não significa que pacientes com artrite reumatoide ou outras doenças inflamatórias deverão abandonar seus tratamentos atuais.
No caso da artrite reumatoide, por exemplo, o próprio registro da agência estabelece que o medicamento é indicado em associação ao metotrexato quando esse tratamento, utilizado isoladamente, não apresentou resposta satisfatória.
Na prática, isso amplia o arsenal terapêutico disponível para os médicos, permitindo individualizar o tratamento conforme a evolução de cada paciente. Essa abordagem é comum na reumatologia, já que pessoas com a mesma doença podem responder de maneira bastante diferente aos medicamentos disponíveis.
O que muda para os pacientes brasileiros?
A aprovação representa um passo importante porque autoriza oficialmente a comercialização do medicamento no Brasil. Isso, porém, não significa que ele passará automaticamente a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelos planos de saúde.
Para que isso aconteça, ainda podem ser necessárias outras etapas regulatórias, como definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e, no caso do SUS, avaliações conduzidas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Mesmo assim, especialistas costumam considerar o registro sanitário uma etapa essencial para ampliar as possibilidades terapêuticas disponíveis no país.
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