Cientistas explicam motivo pelo qual amebas viraram motivo de grande preocupação e risco para a saúde humana.
As amebas, microrganismos que normalmente são tidos como inofensivos e passam despercebidos no ambiente, agora estão chamando a atenção de pesquisadores de todo o mundo. Estudos recentes destacam que amebas de vida livre, organismos unicelulares presentes em solo e água, estão se expandindo para novas regiões e levantando alertas na comunidade científica por causa dos riscos que podem representar à saúde humana.
Entenda a preocupação dos cientistas
Essas amebas não precisam de um hospedeiro para sobreviver e são encontradas de forma natural em diversos ecossistemas. A maior parte delas é inofensiva, mas algumas espécies podem provocar infecções graves, sobretudo no sistema nervoso central, que muitas vezes resultam em desfechos fatais.
A mais conhecida entre essas espécies é a ‘Naegleria fowleri’, apelidada de “ameba comedora de cérebros” por sua capacidade de causar uma infecção cerebral rara e rapidamente letal conhecida como meningoencefalite amebiana primária.
A infecção pelo organismo geralmente ocorre quando há contato entre água e o corpo humano, usualmente ocorrendo de forma que a água contaminada entra pelo nariz, como durante mergulhos em água doce aquecida. A ameba pode então percorrer o nervo olfativo até o cérebro, onde provoca inflamação e destruição do tecido cerebral, condições que evoluem rapidamente e têm alto índice de mortalidade.
Pesquisadores apontam que as mudanças climáticas estão entre os principais fatores que facilitam a disseminação dessas amebas e com o aumento das temperaturas globais, esses organismos conseguem sobreviver e se multiplicar em ambientes onde antes eram raros ou ausentes.
Os organismos também resistem a condições adversas, como altas temperaturas e até desinfetantes comuns, o que dificulta sua eliminação dos sistemas de água.
Além do potencial direto de causar doenças graves, as amebas também podem atuar como uma espécie de cavalo de Tróia, abrigando bactérias e vírus dentro de seus corpos, ampliando ainda mais o risco de contaminação.
Segundo o portal R7, por exemplo, alguns casos relatados recentemente ilustram os perigos associados à disseminação desses organismos. E em 2024, no estado do Ceará, uma criança de apenas um ano e três meses morreu após contrair infecção por Naegleria fowleri em um município da região metropolitana de Fortaleza. Um surto posterior na Índia também resultou em dezenas de mortes e deixou dezenas de pessoas contaminadas.
Enquanto a ciência busca compreender melhor esses microrganismos e desenvolver métodos mais eficazes de controle, autoridades e profissionais de saúde recomendam precauções simples ao lidar com ambientes aquáticos potencialmente contaminados, como evitar momentos recreativos em água doce.
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