Jovem 15 teve morte cerebral nos EUA após participar do 'Benadryl Challenge'. Entenda o que aconteceu e os riscos da prática.
Os desafios virais das redes sociais podem ser uma forma divertida de interagir com os seguidores e atrair milhões de visualizações, mas é preciso ter cuidado. Há challenges que são inofensivos, como as famosas dancinhas, no entanto, alguns desafios ultrapassam os limites do entretenimento e podem colocar vidas em risco. Foi o que aconteceu com Leah Presson, uma adolescente de 15 anos que sofreu morte cerebral após participar de um desafio que circulava no TikTok.
Chamado de "Benadryl Challenge", o desafio viral incentivava jovens a ingerirem doses excessivas de um medicamento antialérgico chamado Benadryl, que pode provocar sonolência intensa e efeitos colaterais graves. O caso gerou forte repercussão internacional e reacendeu o debate sobre os riscos de conteúdos perigosos compartilhados em plataformas digitais, especialmente aqueles que podem alcançar crianças e adolescentes.
O que é o Benadryl Challenge?
O Benadryl Challenge surgiu em plataformas digitais como uma espécie de "desafio engraçado" entre adolescentes, na qual eles se gravam tomando uma quantidade excessiva do antialérgico para provocar alterações neurológicas, incluindo confusão mental, delírios e alucinações, para ver como reagem.
Apesar de parecer um tipo de conteúdo inofensivo, essa prática representa um enorme risco à saúde! A difenidramina, princípio ativo do Benadryl, foi criada para tratar alergias e outros sintomas específicos. Trata-se de um medicamento seguro quando administrado dentro das doses recomendadas por profissionais de saúde ou descritas na bula. No entanto, quando consumida em excesso, a substância pode causar intoxicação grave.
Quais são os riscos da superdosagem?
O consumo excessivo de medicamentos contendo difenidramina pode provocar diversos efeitos perigosos. Entre eles estão:
- alterações no ritmo cardíaco
- aumento da frequência cardíaca
- convulsões
- dificuldades respiratórias
- perda de consciência
- comprometimento das funções neurológica
Em casos extremos, a intoxicação pode levar à falência de órgãos, parada cardiorrespiratória e morte. Os riscos são ainda maiores em crianças e adolescentes, que podem apresentar reações severas mesmo diante de quantidades menores quando comparadas às observadas em adultos.
Por isso, médicos reforçam que nenhum medicamento deve ser utilizado de forma diferente daquela recomendada por profissionais de saúde ou pelas orientações da bula.
O que aconteceu com Leah Presson?
Segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana, Leah Presson ingeriu uma quantidade elevada de Benadryl após ser influenciada pelo desafio que circula há alguns anos nas redes sociais e que voltou a ganhar força recentemente.
A família da adolescente decidiu compartilhar a história como uma forma de alertar outros pais sobre os perigos que podem estar escondidos por trás de tendências aparentemente inofensivas da internet.
De acordo com o pai de Leah, a adolescente já havia participado do desafio cinco vezes sem o seu conhecimento. Segundo ele, tudo começou após a jovem ter assistido vídeos relacionados à prática nas redes sociais e decidiu entrar na trend para ganhar seguidores.
“Leah é uma pessoa muito boa e sempre quis ser famosa no TikTok. Dói ver que minha filha está agora deitada, sem vida, por causa de algum desafio que não pôde ser impedido”, declarou o pai da adolescente ao programa “Elizabeth Vargas Reports”, da NewsNation.
Após ingerir uma quantidade elevada do medicamento, Leah sofreu uma grave emergência médica e foi levada para atendimento hospitalar, mas as complicações provocadas pela intoxicação comprometeram severamente o funcionamento do cérebro e a jovem teve morte cerebral.
“Ela foi uma pessoa generosa a vida inteira. Ela queria salvar vidas e coisas assim. Nós fomos doar os órgãos dela para que ela pudesse salvar até 90 outras vidas com seu pequeno corpo”, disse o pai da jovem.
O caso de Leah provocou comoção, gerou discussões sobre a responsabilidade das plataformas digitais na circulação de conteúdos potencialmente perigosos.
“Eu nunca tinha ouvido falar disso até minha ex-mulher me contar no outro dia. Nós não nos comunicamos. Nós não conseguimos nos comunicar e, sabe, eu peço a outras pessoas que, se estiverem em uma família separada, tentem ao máximo se comunicar. Ou, se houver algum sinal de algo assim ou de um novo desafio, eduquem seus filhos, falem com alguém que consiga se comunicar com a criança", desabafou o pai de Leah.
O perigo das redes sociais
O caso também reacendeu discussões sobre a influência das redes sociais no comportamento de adolescentes. De acordo com psicólogos, as jovens costumam ser mais suscetíveis à pressão social, à busca por pertencimento e ao desejo de reproduzir conteúdos que recebem grande visibilidade online.
Em muitos casos, desafios perigosos são apresentados de forma descontraída ou humorística, o que pode reduzir a percepção dos riscos envolvidos. Além disso, algoritmos podem ampliar a exposição desses conteúdos para usuários que demonstram interesse em temas semelhantes.
Embora diversas plataformas tenham adotado medidas para remover publicações relacionadas a desafios perigosos, especialistas afirmam que a vigilância constante continua sendo necessária.
Como os pais podem identificar riscos?
A recomendação é de que pais e responsáveis mantenham diálogo frequente sobre o uso das redes sociais. O acompanhamento não deve se limitar ao controle de tempo de tela, mas também incluir conversas sobre tendências, desafios e conteúdos consumidos por crianças e adolescentes.
Perguntar quais perfis eles seguem, quais vídeos costumam assistir e quais assuntos estão em alta pode ajudar a identificar possíveis situações de risco. Outro ponto importante é orientar os jovens a desenvolver senso crítico diante de conteúdos compartilhados na internet.
Nem tudo o que viraliza é seguro ou apropriado. A popularidade de um vídeo não significa que ele seja confiável ou que possa ser reproduzido sem consequências.
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