Quarto de bebê bonito também precisa ser seguro, por isso, saiba quais são os erros comuns na decoração e como evitá-los.
Montar o quarto de bebê é uma das partes mais gostosas da preparação para a chegada de um filho. Tem berço, cômoda, poltrona, luminária, quadros, brinquedos e muitos detalhes fofos para escolher. E é justamente aí que alguns erros podem passar despercebidos e você só vai se dar conta quando já os tiver cometido.
Um quarto bonito precisa ser, antes de tudo, seguro e funcional. Isso significa pensar não apenas nas cores das paredes ou no estilo dos móveis, mas também na posição do berço, nos objetos que ficam ao alcance do bebê e até nos acessórios das janelas.
Algumas escolhas que parecem inofensivas podem exigir atenção. Outras simplesmente não combinam com um ambiente pensado para os primeiros meses de vida.
5 erros de decoração em quarto de bebê
1. Encher o berço de objetos decorativos
Poucas coisas parecem mais fofas em fotos de quarto de bebê do que um berço cheio de almofadas, mantas, bichos de pelúcia e protetores. O problema é que o espaço de sono não deve ser tratado como uma extensão da decoração.
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que o bebê durma em colchão firme, com lençol de elástico e sem objetos dentro do berço. Travesseiros, mantas, edredons soltos, bichos de pelúcia e protetores de berço devem ficar fora do espaço de sono.
A recomendação da American Academy of Pediatrics segue a mesma direção. A entidade orienta manter objetos macios e roupas de cama soltas longe da área de sono do bebê, devido aos riscos de sufocação, aprisionamento e estrangulamento.
Isso não significa abrir mão dos decorativos, os bichinhos de pelúcia, almofadas e mantas podem fazer parte do ambiente. O ponto é não deixá-los dentro do berço enquanto o bebê estiver dormindo.
Uma alternativa é concentrar esses itens em prateleiras, nichos ou outros espaços fora da área de sono. Assim, a decoração continua presente sem transformar o berço em um espaço cheio de objetos.
Como evitar esse erro?
Pense no berço como uma área exclusivamente destinada ao sono. Deixe o colchão firme e adequado ao móvel, com apenas o lençol necessário. Os elementos decorativos podem aparecer nas paredes, nos móveis ou em outros cantos do quarto.
Além de deixar o ambiente visualmente mais leve, isso ajuda a separar decoração de segurança.
2. Colocar o berço perto da janela
A janela pode parecer o lugar perfeito para posicionar o berço. Afinal, deixa o quarto mais iluminado e pode criar uma composição bonita com cortinas. Para a segurança do bebê, porém, esse não é um detalhe para decidir apenas pela estética.
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que o berço não fique perto ou embaixo da janela, mesmo quando existe uma grade. As próprias cortinas também merecem atenção.
A Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos Estados Unidos, a CPSC, alerta para o risco de estrangulamento associado aos cordões de persianas, cortinas e outros revestimentos de janela. A recomendação da entidade é dar preferência a modelos sem cordões.
Por isso, na hora de planejar o quarto de bebê, vale observar a posição de todos os elementos da janela, e não apenas escolher uma cortina bonita.
Como evitar esse erro?
Antes de definir onde o berço ficará, observe a janela e seus acessórios. Mantenha o móvel afastado de cordões e outros elementos que possam ficar ao alcance da criança. Se possível, escolha revestimentos de janela sem cordões.
Também vale evitar que o berço fique diretamente sob a janela. É uma decisão simples que pode ser incorporada ao projeto desde o começo, sem prejudicar a decoração.
3. Escolher móveis apenas pela aparência
Um móvel pode ser lindo na foto e ainda assim não ser a melhor escolha para o quarto de bebê. Quando a decoração começa a ser planejada, é fácil se apaixonar por determinado estilo. Madeira clara, móveis vintage, estantes abertas e cômodas diferentes podem deixar o ambiente cheio de personalidade.
Mas a estabilidade precisa entrar na lista de prioridades. O Inmetro estabelece requisitos específicos para os berços infantis comercializados no Brasil. Entre eles estão estabilidade, resistência e ausência de partes que possam oferecer riscos de aprisionamento, esmagamento, estrangulamento ou outros acidentes.
Para outros móveis do quarto, existe outro cuidado importante: a possibilidade de tombamento.
A CPSC recomenda fixar móveis como estantes, cômodas e outros itens que possam tombar, prendendo-os à parede ou ao piso quando necessário. Crianças podem subir, puxar ou se apoiar nesses móveis, provocando o tombamento.
Esse cuidado pode parecer distante para quem ainda está esperando o bebê nascer. Mas crianças crescem rapidamente e passam a explorar o ambiente. Por isso, a segurança deve ser pensada desde a montagem.
Como evitar esse erro?
Na compra do berço, confira se o produto atende às exigências do Inmetro e possui o registro necessário para comercialização no Brasil. O órgão informa que os berços infantis abrangidos pelo regulamento precisam ter registro para serem comercializados no país.
Também observe a estabilidade de cômodas, estantes e armários. Se houver possibilidade de tombamento, faça a fixação adequada. O móvel pode continuar bonito. Só não deve depender apenas do peso ou do equilíbrio para permanecer no lugar.
4. Transformar a decoração em uma coleção de itens que o bebê não precisa
É muito fácil exagerar na decoração do quarto de bebê. Tem o quadro que combina com o tema. Depois aparece uma luminária. Em seguida, uma prateleira para os brinquedos. Então chegam os nichos, os enfeites, os objetos decorativos e mais uma série de itens que parecem indispensáveis.
No fim, o ambiente pode ficar visualmente carregado e menos funcional. O excesso também pode dificultar a organização. Quanto mais objetos existem, mais coisas precisam ser limpas, guardadas e reorganizadas.
E um quarto de bebê precisa funcionar na vida real. Durante os primeiros meses, o espaço será usado para trocar, vestir, alimentar, ninar e colocar a criança para dormir. A praticidade tende a ser tão importante quanto a estética.
Isso não significa que o ambiente precise ser minimalista. A ideia é escolher os objetos de acordo com sua função e posicionamento.
Como evitar esse erro?
Antes de comprar um item para decoração, faça três perguntas:
- Ele tem uma função?
- Ele ficará em um local seguro?
- Será fácil limpar e organizar?
Se a resposta for negativa para todas, talvez seja melhor deixar a peça de fora. Também não é necessário comprar toda a decoração de uma vez. Alguns detalhes podem ser acrescentados depois, conforme a rotina da família e as necessidades do bebê ficam mais claras.
5. Esquecer que o quarto também precisa funcionar para os pais
Outro erro comum ao montar um quarto de bebê é pensar exclusivamente na aparência. O resultado pode ficar digno de uma foto de revista, mas pouco prático para quem vai passar horas naquele espaço, se movimentando.
Uma poltrona bonita, por exemplo, precisa ser confortável se for usada durante a rotina com o bebê. A cômoda precisa estar organizada para facilitar as trocas. Os objetos utilizados com frequência devem estar acessíveis para o adulto, mas fora do alcance da criança quando ela começar a explorar o ambiente.
A circulação não deve ser deixada de lado. Não adianta colocar tantos móveis que seja difícil se movimentar pelo quarto. Um ambiente visualmente cheio pode se tornar cansativo justamente quando a rotina exigir agilidade.
A decoração deste ambiente deve acompanhar o uso e as necessidades dos pais para otimizar os cuidados do bebê.
Quarto de bebê bonito também pode ser seguro
Montar um quarto de bebê não precisa significar escolher entre estética e segurança. O principal cuidado é entender que o espaço de descanso merece regras próprias.
A American Academy of Pediatrics recomenda que o bebê durma de barriga para cima, em uma superfície firme, plana e própria para o sono. A entidade também recomenda que o bebê durma no quarto dos pais, mas em uma superfície separada, idealmente durante pelo menos os primeiros seis meses.
A Sociedade Brasileira de Pediatria segue orientação semelhante sobre o ambiente de sono e recomenda que o bebê durma no quarto dos pais até pelo menos os seis meses, sem compartilhar a mesma cama.
Por isso, o planejamento do quarto pode ir muito além de escolhas estéticas como a paleta de cores. O melhor projeto é aquele que considera beleza, organização, praticidade e segurança desde o começo.
E não é preciso deixar o ambiente sem personalidade para isso, viu? Paredes, cores, quadros, iluminação e outros elementos podem deixar o espaço acolhedor. O segredo está em saber onde cada coisa deve ficar.
No fim, um quarto de bebê bem planejado não é necessariamente aquele com mais objetos. É aquele em que cada escolha faz sentido para a rotina da família e para a segurança da criança.