O skincare na gravidez exige alguns cuidados. Saiba quais ativos evitar, quais podem ser usados e como montar uma rotina segura durante a gestação.
A gravidez é capaz de mudar muita coisa no corpo, e a pele certamente também entra nessa lista. As alterações hormonais podem favorecer o aparecimento de acne, aumento da oleosidade, manchas, estrias e causar maior sensibilidade. Por isso, é comum surgir a dúvida sobre quais produtos podem continuar na rotina e quais precisam ser deixados de lado durante a gestação.
A boa notícia é que não é preciso abandonar o skincare na gravidez, viu? Na realidade, o segredo está em simplificar a sua rotina de cuidados com a pele e prestar atenção aos ingredientes presentes nos produtos. Alguns ativos são considerados contraindicados durante a gestação, já outros podem ser utilizados em determinadas concentrações ou situações, mas precisam de avaliação profissional.
Como deve ser o skincare na gravidez?
Uma rotina de skincare na gravidez não precisa ser complicada. Na verdade, a recomendação é apostar no básico. Limpeza, hidratação e proteção solar formam uma rotina simples para cuidar da pele durante a gestação.
A limpeza pode ser feita até duas vezes ao dia e também depois de suar. O hidratante deve ser escolhido de acordo com o tipo de pele, já a proteção solar deve fazer parte do cuidado diário.
A escolha do protetor solar merece atenção especial. A orientação é utilizar um produto de amplo espectro, resistente à água e com FPS 30 ou superior. A Academia Americana de Dermatologia recomenda, durante a gravidez, filtros físicos que contenham óxido de zinco, dióxido de titânio ou ambos.
A rotina também pode ser ajustada conforme as mudanças que aparecem na pele. Afinal, a gestação não afeta todas as pessoas da mesma maneira.
Quais ativos evitar no skincare na gravidez?
Nem todo ingrediente presente em cosméticos deve ser considerado seguro durante a gestação. Alguns precisam ser evitados porque podem oferecer riscos ao desenvolvimento do bebê.
Os retinoides estão entre os principais exemplos. A categoria inclui substâncias como retinol, tretinoína, adapaleno, tazaroteno e isotretinoína. Produtos com esses ingredientes devem ser retirados da rotina durante a gravidez.
A hidroquinona, utilizada para clareamento da pele, também aparece entre os ingredientes contraindicados. O mesmo vale para alguns medicamentos utilizados no tratamento de acne e queda de cabelo, como espironolactona e finasterida.
Antibióticos da família das tetraciclinas, como tetraciclina, doxiciclina e minociclina, também estão entre os ingredientes e medicamentos que devem ser evitados durante a gravidez. Por isso, vale conferir a composição dos produtos e não apenas o nome comercial ou a promessa estampada na embalagem.
Retinol pode ser usado durante a gravidez?
O retinol é um dos ativos que mais gera dúvidas entre quem já tinha uma rotina de skincare antes da gestação. Ele faz parte da família dos retinoides e deve ser evitado durante a gravidez. O mesmo cuidado vale para outros derivados da substância, incluindo tretinoína, adapaleno e tazaroteno.
A recomendação também se aplica a quem está tentando engravidar. Nesse caso, vale conversar previamente com o dermatologista e o obstetra para revisar os produtos utilizados. Isso é especialmente importante porque algumas pessoas podem descobrir a gravidez depois de já terem mantido a rotina habitual por algumas semanas.
E o ácido salicílico?
Aqui, a situação é um pouco diferente. O ácido salicílico não aparece simplesmente como um ingrediente que precisa ser eliminado em qualquer concentração. O cuidado está principalmente nas formulações com concentrações elevadas.
A Academia Americana de Dermatologia recomenda conversar com o seu dermatologista e limitar o uso de ácido salicílico em concentrações superiores a 2% durante a gravidez.
Por isso, não é uma boa ideia decidir sozinha se determinado produto pode continuar na rotina apenas porque contém uma concentração aparentemente pequena ou porque é vendido sem receita. A composição completa e a concentração fazem diferença.
Quais ativos podem fazer parte do skincare na gravidez?
Apesar da lista de restrições, existem opções que podem continuar presentes na rotina. O Portal Drauzio Varella lista a vitamina C, a vitamina E, a niacinamida e o ácido hialurônico tópico entre os ativos que podem ser usados na gestação.
O ácido glicólico também pode ser utilizado em determinadas concentrações. Uma das referências indica o uso de concentrações abaixo de 10%, enquanto outras recomendações reforçam que a escolha do ativo deve considerar a concentração e a orientação profissional.
Isso mostra por que a palavra “ácido” sozinha não é suficiente para determinar se um produto pode ou não ser usado durante a gravidez.
O ingrediente, a concentração e a finalidade do tratamento precisam ser considerados.
O que muda na pele durante a gravidez?
Não existe uma única transformação que aconteça com todas as gestantes. Algumas podem perceber aumento da oleosidade ou surgimento de acne. Outras desenvolvem melasma, hiperpigmentação, estrias, ressecamento ou maior sensibilidade. Também podem aparecer veias mais visíveis.
Essas alterações estão relacionadas, entre outros fatores, às mudanças hormonais características da gestação. Por isso, aquela rotina que funcionava perfeitamente antes da gravidez pode precisar de ajustes.
E isso não significa que a pele esteja “pior”. Ela simplesmente está passando por uma fase diferente.
Skincare na gravidez precisa ter proteção solar
Se existe um passo que merece atenção especial, é a proteção contra o sol. Durante a gravidez, podem surgir manchas e alterações de pigmentação, incluindo o melasma. A exposição solar pode intensificar essas marcas.
Por isso, o cuidado com a pele das gestantes deve começar pelo protetor solar, mas não termina nele. Buscar sombra e utilizar roupas que ofereçam proteção também são medidas recomendadas.
Para o rosto, o produto deve ter no mínimo FPS 30, mas a recomendação é que seja um fator de proteção superior, e proteção de amplo espectro. Durante a gravidez, filtros físicos com óxido de zinco ou dióxido de titânio são uma opção indicada.
O que fazer se você já usava um ativo contraindicado?
Descobriu a gravidez e percebeu que um produto da sua rotina contém um ingrediente que deve ser evitado? O primeiro passo é não entrar em pânico. O ideal é interromper o uso e conversar com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento da gestação.
Dermatologista e obstetra podem avaliar os produtos utilizados e indicar alternativas adequadas para o momento. Também não é recomendado substituir automaticamente um produto por outro escolhido apenas pela internet, ou seja, nada de se guiar apenas por vídeos de TikTok, viu?
A composição de um cosmético pode ser bastante diferente de outro que promete o mesmo resultado. Além disso, alguns ingredientes ainda não possuem estudos suficientes sobre segurança durante a gestação. Por isso, é fundamental contar com acompanhamento especializado.