Ranking do IPS Brasil 2026 revela contrastes extremos entre municípios do país e mostra diferenças em saúde, segurança, educação e infraestrutura.
Um novo levantamento divulgado pelo instituto Imazon trouxe um retrato detalhado sobre a qualidade de vida nos municípios brasileiros em 2026. O ranking, chamado de Índice de Progresso Social (IPS Brasil), avalia fatores como saúde, segurança, acesso à educação, saneamento, moradia e oportunidades oferecidas à população.
Os dados foram divulgados nesta semana e entre os destaques, aparecem extremos bastante simbólicos. As diferenças entre a primeira e a última colocada no ranking mostra como o Brasil ainda convive com realidades completamente distintas quando o assunto é acesso a serviços básicos e bem-estar social.
O que mede o Índice de Progresso Social
O IPS Brasil não analisa apenas renda ou crescimento econômico.
A metodologia considera indicadores sociais e ambientais divididos em três grandes pilares:
- Necessidades humanas básicas
- Fundamentos do bem-estar
- Oportunidades
Isso inclui fatores como:
- Segurança
- Atendimento médico
- Educação
- Qualidade ambiental
- Inclusão social
- Moradia
- Saneamento básico
- Acesso à informação
Segundo o levantamento, cidades com menor população frequentemente conseguem apresentar desempenho elevado justamente por oferecerem melhor equilíbrio entre infraestrutura, serviços públicos e qualidade ambiental.
Uma pequena cidade paulista lidera o ranking
Com pouco mais de 4 mil habitantes, Gavião Peixoto alcançou a maior pontuação nacional em 2026: 73,10. Localizada no interior paulista, a cidade chama atenção justamente pelo contraste entre tamanho reduzido e indicadores elevados de qualidade de vida.
O município costuma aparecer associado a altos índices de desenvolvimento humano, segurança e organização urbana.
Além disso, cidades menores muitas vezes conseguem administrar serviços públicos de forma mais eficiente, especialmente quando contam com arrecadação estável e menor pressão populacional.
A tranquilidade também faz parte da rotina local. Ruas menos movimentadas, menor tempo de deslocamento e sensação de segurança acabam influenciando diretamente percepção de bem-estar entre moradores.
O ranking completo
O ranking do IPS Brasil mostra forte presença de cidades paulistas entre as melhores colocadas do país. Além de Gavião Peixoto, aparecem entre os primeiros lugares:
- Gavião Peixoto — 73,10
- Jundiaí — 71,80
- Osvaldo Cruz — 71,76
- Pompéia — 71,76
- Curitiba — 71,29
- Nova Lima — 71,22
- Gabriel Monteiro — 71,16
- Cornélio Procópio — 71,16
- Luzerna — 71,10
- Itupeva — 71,08
- Rafard — 71,08
- Presidente Lucena — 71,05
- Adamantina — 70,97
- Maringá — 70,87
- Alto Alegre — 70,86
- Ribeirão Preto — 70,80
- Brasília — 70,73
- Barra Bonita — 70,71
- Araraquara — 70,70
- Águas de São Pedro — 70,66
O predomínio do Sudeste e do Sul reforça desigualdades históricas relacionadas a infraestrutura, urbanização e acesso a serviços públicos.
Como vivem os moradores das cidades mais bem avaliadas
Entre os municípios mais bem colocados, alguns fatores aparecem de forma recorrente.A população costuma conviver com: menores índices de violência, melhor cobertura de saneamento, maior acesso à saúde e educação mais estruturada.
Em cidades como Curitiba e Maringá, planejamento urbano e áreas verdes também aparecem como diferenciais frequentemente citados por especialistas. Já municípios menores costumam oferecer rotina mais tranquila e sensação maior de proximidade comunitária.
A realidade oposta
Do outro lado da moeda, temos as cidades com as pontuações mais baixas do país. O ranking expõe o contraste social direto e reforça ainda mais as diferenças entre a regiões Norte e o restante do país.
- Uiramutã (RR) — 42,44
- Jacareacanga (PA) — 44,32
- Alto Alegre (RR) — 44,72
- Portel (PA) — 45,42
- Amajari (RR) — 45,58
- Pacajá (PA) — 45,87
- Anapu (PA) — 45,91
- Japorã (MS) — 46,23
- Santa Rosa do Purus (AC) — 46,70
- Uruará (PA) — 46,80
- Trairão (PA) — 46,82
- Bannach (PA) — 47,23
- São Félix do Xingu (PA) — 47,38
- Recursolândia (TO) — 47,39
- Cumaru do Norte (PA) — 47,43
- Peritoró (MA) — 47,53
- Oeiras do Pará (PA) — 47,57
- Ladainha (MG) — 47,58
- Anajás (PA) — 47,62
- Paranã (TO) — 47,63
O município de Uiramutã, localizado no extremo Norte do país, enfrenta desafios históricos ligados ao acesso a serviços básicos, infraestrutura e isolamento geográfico. Cidades situadas em áreas remotas frequentemente encontram dificuldades maiores para garantir cobertura ampla de saúde, educação, transporte e saneamento.
Além disso, fatores socioeconômicos e logísticos acabam impactando na qualidade de vida da população. Em regiões mais afastadas, distâncias extensas e dificuldade de acesso dificultam tanto investimentos quanto oferta contínua de serviços públicos.
Enquanto algumas cidades conseguem reunir segurança, saúde, infraestrutura e bem-estar em níveis elevados, outras ainda convivem com dificuldades básicas que impactam diretamente o cotidiano da população.
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