Estudo da USP analisou 12 modelos de óculos de sol e revelou falhas preocupantes na proteção contra raios ultravioleta. Entenda os riscos e saiba o que observar antes de comprar.
Os óculos de sol costumam ser efetivos para proteger os olhos da radiação ultravioleta e manter os órgãos seguros da exposição excessiva aos raios UV. Mas e se os seus óculos não estiverem protegendo tanto quanto você imagina? Isso é o que levanta um estudo realizado por cientistas da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo.
A pesquisa trouxe uma descoberta que surpreendeu especialistas e consumidores ao analisar 12 modelos de óculos de sol disponíveis no mercado e concluiu que apenas um deles atendia plenamente aos limites internacionais de segurança para exposição à radiação ultravioleta.
Os resultados foram publicados na revista científica Research on Biomedical Engineering e repercutiram em diversos veículos nacionais devido às implicações para a saúde ocular.
O que a pesquisa da USP descobriu?
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório de Instrumentação Oftálmica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), que avaliaram a capacidade de proteção ultravioleta de diferentes modelos de óculos de sol.
O resultado chamou atenção e dos 12 modelos analisados, apenas um conseguiu atender integralmente aos limites de segurança estabelecidos pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiação Não Ionizante (ICNIRP), uma das principais referências mundiais sobre o tema.
Os pesquisadores observaram que muitas lentes não cumpriam pelo menos um dos critérios internacionais de proteção. Além disso, os testes mostraram que parte dos modelos perde eficiência ao longo do tempo, especialmente após exposição prolongada à radiação solar.
Em outras palavras, um óculos que inicialmente oferece proteção adequada pode apresentar redução dessa capacidade conforme envelhece e permanece exposto ao sol durante meses ou anos de uso.
Por que a radiação UV preocupa tanto?
A radiação ultravioleta faz parte da luz emitida pelo Sol e é dividida em diferentes faixas. As mais relevantes para a saúde ocular são:
- UVA (315 a 400 nanômetros)
- UVB (280 a 315 nanômetros)
A exposição acumulada a esses raios pode contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças oculares ao longo da vida. Entre elas estão catarata, degenerações da superfície ocular e fotoceratite, uma espécie de queimadura na córnea causada pelo excesso de radiação.
Por esse motivo, a utilização de proteção adequada é considerada fundamental não apenas em dias de praia, mas também em atividades rotineiras ao ar livre.
O problema pode estar além das lentes
Outro estudo desenvolvido pela USP trouxe uma descoberta igualmente importante. Mesmo quando as lentes conseguem bloquear os raios UV diretos, a estrutura da armação pode permitir a entrada de radiação pelas laterais.
Os pesquisadores identificaram que a chamada radiação UV difusa consegue atingir os olhos de maneira indireta. Esse fenômeno ocorre porque a luz solar é refletida por superfícies como:
- Calçadas
- Areia
- Paredes
- Asfalto
- Água
Quando isso acontece, parte da radiação consegue entrar pelos espaços existentes entre a armação e o rosto, atingindo os olhos mesmo que as lentes tenham proteção adequada. Segundo os pesquisadores, essa exposição lateral é frequentemente ignorada pelas normas atuais de certificação.
Nem todo óculos escuro protege
Muita gente acredita que quanto mais escura for a lente, maior será a proteção. Mas essa ideia não é verdadeira. A coloração da lente está relacionada ao conforto visual e à quantidade de luz visível que chega aos olhos.
Já a proteção ultravioleta depende de tratamentos específicos aplicados durante a fabricação. Isso significa que uma lente muito escura pode oferecer pouca proteção UV se não tiver filtros adequados.
Na verdade, é ainda pior: quando os olhos ficam em um ambiente escurecido pela lente, as pupilas tendem a dilatar. Se não houver bloqueio eficiente dos raios ultravioleta, uma quantidade ainda maior de radiação pode alcançar estruturas internas dos olhos. Esse é justamente um dos motivos pelos quais especialistas alertam contra o uso de óculos sem procedência confiável.
Como escolher um óculos mais seguro?
Embora o estudo não tenha divulgado as marcas analisadas, os pesquisadores sugerem alguns cuidados importantes na hora da compra. Entre eles estão:
- Verificar a proteção UV400: A indicação UV400 significa que a lente foi projetada para bloquear radiações ultravioletas até 400 nanômetros, abrangendo praticamente toda a faixa UVA e UVB.
- Comprar em estabelecimentos confiáveis: Óticas e lojas especializadas costumam trabalhar com fornecedores que seguem padrões técnicos e fornecem documentação sobre os filtros aplicados.
- Observar o formato da armação: Modelos maiores e mais próximos do rosto tendem a reduzir a entrada de radiação pelas laterais.
- Fazer avaliações periódicas: Algumas óticas possuem equipamentos capazes de verificar a capacidade de bloqueio UV das lentes.
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