Descubra quais exames são fundamentais para a saúde do seu recém-nascido e como eles podem impactar seu desenvolvimento.
É comum que os primeiros dias de vida de um bebê sejam repletos de descobertas, adaptações e também de cuidados essenciais com a saúde.
Quando Luísa e Rafael chegaram em casa com o pequeno Bernardo nos braços, o misto de alegria e insegurança era inevitável. Entre as fraldas, as mamadas e as noites mal dormidas, surgiu a dúvida: “Será que já fizemos todos os exames que ele precisa?”, lembra Luísa, que é mãe de primeira viagem.
A Dra. Maria Elisabeth Lopes Moreira, coordenadora da UTI Neonatal da Casa de Saúde São José, explica que todo recém-nascido deve passar por uma avaliação cuidadosa, que inclui exame físico completo e alguns testes de triagem neonatal ainda na maternidade ou nos primeiros dias após a alta hospitalar. Ela esclarece que esses testes têm como objetivo identificar doenças genéticas, metabólicas, auditivas, cardíacas e visuais que, se tratadas logo, podem ter melhor prognóstico.
Mas você sabe quais exames o recém-nascido precisa fazer logo após o nascimento e quais são opcionais? Médicos da Casa de Saúde São José nos ajudaram a esclarecer essa dúvida e nós vamos explicar tudo para você!
Quais são os exames obrigatórios que todo recém-nascido deve fazer?
Teste do Coraçãozinho
Realizado ainda na maternidade, mede a oxigenação do sangue e ajuda a identificar malformações congênitas do coração. É rápido, indolor e pode salvar vidas com o diagnóstico precoce.
Teste do Olhinho (Reflexo Vermelho)
Verifica se há reflexo vermelho na pupila, o que permite descartar doenças como catarata e glaucoma congênito. A ausência do reflexo pode indicar a necessidade de avaliação oftalmológica detalhada.
Teste da Orelhinha (Triagem Auditiva Neonatal)
Avalia a resposta auditiva do bebê para detectar perdas auditivas precoces. Identificar esse problema logo no início é essencial para o desenvolvimento da fala e da linguagem.
Teste da Linguinha
Examina a membrana que liga a língua ao assoalho da boca. Se ela for curta demais, pode dificultar a amamentação, sucção e até a fala. O diagnóstico precoce permite intervenções simples e eficazes.
Teste do Pezinho
Um dos exames mais conhecidos, é feito entre o 3º e o 5º dia de vida. Uma pequena amostra de sangue é coletada do calcanhar do bebê para detectar doenças genéticas, metabólicas, hormonais e infecciosas. A médica explica que também existe a versão do teste do pezinho ampliado, “que investiga mais doenças”, podendo ser recomendada em casos específicos.
Exames complementares e quando são indicados
Além dos testes básicos, o pediatra pode indicar outros exames conforme o histórico familiar ou fatores de risco, como explica a Dra. Maria Elisabeth. Entre eles estão:
- BERA: avaliação auditiva mais detalhada;
- Ecocardiograma: indicado em casos suspeitos de cardiopatia congênita;
- Ultrassonografias específicas: quando há fatores clínicos ou antecedentes familiares relevantes.
Esses exames complementares ajudam a garantir que qualquer condição seja identificada o quanto antes, aumentando as chances de tratamento eficaz.
Exames opcionais e novas tecnologias
Alguns exames não são obrigatórios, mas têm se tornado cada vez mais procurados pelos pais. Um exemplo é o NIPT (teste pré-natal não invasivo), que rastreia anomalias cromossômicas, como Síndrome de Down, de Patau e de Edwards.
Outro é o ultrassom tridimensional, capaz de gerar imagens detalhadas do feto, auxiliando tanto no diagnóstico intrauterino quanto em possíveis tratamentos após o nascimento.
Qual a importância do pré-natal?
Assim como Luísa e Rafael, muitos pais de primeira viagem sentem insegurança diante de tantos cuidados e informações nos primeiros dias do bebê. É normal surgir a preocupação de esquecer algum exame ou vacina importante. Por isso, é importante o acompanhamento médico desde a gravidez para garantir de que nenhum exame ou vacina será deixado de lado.
O Dr. Paulo Marinho, coordenador de Obstetrícia da Casa de Saúde São José, destaca que os cuidados com à saúde do bebê não começam apenas após o parto e ressalta a importância dos exames realizados durante a gestação.
Segundo ele, “se bem indicado e realizado por profissionais experientes, o ultrassom é um exame inócuo, ou seja, nem um pouco nocivo tanto para mãe quanto para o bebê”. O primeiro deve ser feito a partir de sete semanas, quando já é possível confirmar a presença e a vitalidade do embrião.
Entre 11 e 13 semanas, é feito o rastreamento de malformações maiores e doenças cromossômicas. Já entre 20 e 24 semanas, o exame morfológico permite identificar alterações mais detalhadas no desenvolvimento do feto.
Após a 26ª semana, recomenda-se a ecocardiografia fetal para detectar cardiopatias, e próximos ao parto, ultrassons ajudam a estimar o peso e a vitalidade do bebê.
A Dra. Maria Elisabeth reforça que “a realização precoce de exames é fundamental: quanto antes for identificado um problema, maiores as chances de tratamento eficaz”.
Ela lembra ainda que resultados alterados não significam necessariamente uma doença, sendo muitas vezes necessário repetir o teste ou realizar exames adicionais.
E tranquiliza os pais: “a maioria desses exames é indolor; o único que causa leve desconforto é o Teste do Pezinho, mas é rápido e fundamental para a saúde”.
Atenção:
Se o parto acontecer fora do hospital, em casa ou em uma unidade que não realize todos os exames, é importante que os responsáveis procurem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em até cinco dias após o nascimento. Os testes são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível em milhares de postos em todo o país. Realizá-lo dentro do prazo é essencial para garantir o diagnóstico precoce de doenças tratáveis e proteger a saúde do bebê desde o início da vida.