Quem tem diabetes pode tomar café com açúcar? Entenda os riscos

Entenda se quem tem diabetes pode tomar café com açúcar de acordo com a opinião de nutricionistas e saiba como adoçar a bebida com mais segurança.

Thyago Murad | 26 de Junho de 2026 às 14:00

Saiba o que dizem especialistas sobre o consumo de café com açúcar. - Reprodução / Freepik

Para muita gente, o café faz parte da rotina de um jeito quase automático. Tem quem só comece o dia depois da primeira xícara e quem não abra mão de adoçar a bebida. Mas, quando entra em cena o diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes, surge a dúvida: quem tem diabetes pode tomar café com açúcar?

A resposta não é tão simples quanto um sim ou não seco. O café, por si só, não precisa ser visto como inimigo. O ponto mais delicado está no açúcar adicionado e na forma como essa bebida entra na alimentação do dia a dia. Dependendo da quantidade e da frequência, ele pode aumentar a glicose no sangue e dificultar o controle metabólico.

Ao mesmo tempo, as fontes consultadas mostram que o próprio café tem uma relação mais complexa com o diabetes. Em alguns contextos, o consumo da bebida foi associado até a menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Só que isso não significa que café adoçado esteja automaticamente liberado para todo mundo.

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Quem tem diabetes pode tomar café com açúcar?

De modo geral, quem tem diabetes ou pré-diabetes precisa ter atenção ao açúcar adicionado no café. A recomendação mais recorrente é evitar bebidas adoçadas ou, pelo menos, reduzir esse consumo ao máximo.

Na Doctoralia, a nutricionista Dra. Lícia D'Ávila respondeu a um paciente com pré-diabetes: “Pré-diabéticos devem evitar o consumo de açúcar e carboidratos de alta carga glicêmica, durante todas as refeições. Sucos de frutas, procure consumir sem adoçar, uma vez que possuem o doce natural das frutas. Café utilize adoçante preferencialmente de estévia ou sucralose.”

Esse tipo de recomendação ajuda a entender o principal ponto de atenção. O problema não está exatamente no café, mas no impacto do açúcar sobre a glicemia. Quando ele entra com frequência na rotina, o controle tende a ficar mais difícil.

Também na Doctoralia, a nutricionista Dra. Josiane Reichembach, orientou: “Olá! Para quem está em quadro de pré-diabetes ou diabetes, o ideal é usar adoçantes não calóricos tanto no suco quanto no café, como eritritol, stévia pura (sem maltodextrina) ou sucralose. Eles praticamente não elevam a glicemia e ajudam a reeducar o paladar. Trocar açúcar branco por mascavo, demerara ou mel não resolve, porque o impacto na glicose é bastante parecido.”

Esse trecho ajuda a desfazer uma ideia muito comum: a de que trocar o açúcar branco por mascavo, demerara ou mel já resolveria o problema. Pelo que a profissional aponta, isso não muda de forma significativa o impacto sobre a glicose.

O café puro não é o mesmo que café com açúcar

Esse é um detalhe importante, e muita gente acaba misturando as duas coisas. O café puro e o café com açúcar não causam o mesmo efeito!

Em pessoas sem diabetes, o café preto não parece afetar os níveis de açúcar no sangue, já para pessoas com diabetes, a história pode ser mais variável. Algumas pesquisas mostraram aumento da glicose após o consumo de café, provavelmente por causa do efeito da cafeína na sensibilidade à insulina no curto prazo.

Ainda assim, é necessário ver como cada organismo reage ao consumo da bebida, uma vez que o consumo de café pode acabar atrapalhando o controle da glicose.

Há algum caso em que o café com açúcar pode entrar na rotina?

Existe uma nuance interessante nas respostas publicadas na Doctoralia. Nem todas seguem uma lógica de proibição total e absoluta. A nutricionista Iuliane Guerra, por exemplo, orienta que o ideal é não consumir bebidas adoçadas, mas a resistência à insulina na maioria dos casos não está associada apenas ao consumo de açúcar. 

A nutricionista fala ela também está ligada ao cosumo de carboidratos, que após a digestão, aumentam os níveis de açúcar no sangue. “O café pode ser adoçado com açúcar em pequena quantidade desde que esteja inserido em uma refeição e equilibrada com fontes de fibras e proteínas”, defende a especialista.

Esse olhar é relevante porque mostra que o contexto da refeição também importa. Não se trata apenas do ingrediente isolado, mas do conjunto alimentar. Ainda assim, a própria fala começa reforçando que o ideal é não consumir bebidas adoçadas.

Ou seja, se houver uso de açúcar, ele tende a exigir ainda mais moderação, atenção à quantidade e cuidado com o restante da refeição.

Se não for com açúcar, como adoçar o café?

Tal qual citamos acima, há outras maneiras de adoçar o café sem recorrer ao uso de açúcar. A nutricionista Dra. Alicia Montanola recomendou a um paciente no Doctoralia que seja feito o uso de adoçantes como o Stevia. 

Para além dessa opção, também há alternativas como o eritritol e a sucralose, citados como adoçantes não calóricos. A lógica por trás dessa recomendação é simples: essas alternativas praticamente não elevam a glicemia e ainda podem ajudar na adaptação do paladar ao sabor menos doce.


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