Conheça a pesquisa que afirma que os jovens são mais infelizes e sofre mais com a saúde mental na contemporaneidade.
A juventude já não é mais como costumava ser! Isso é o que afirma um estudo conduzido pelo economista David Blanchflower, da Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos. Segundo o pesquisador, antes se acreditava que o bem-estar ao longo da vida seguia uma curva em forma de U: os momentos de maior felicidade e realização ocorreriam na infância, na juventude e novamente após os 50 anos.
Entenda a pesquisa
Segundo Blanchflower e os demais pesquisadores responsáveis por esse ensaio científico, há pelo menos 600 artigos publicados sugerindo que a felicidade tem o formato de U na idade e, inversamente, que a infelicidade tem o formato de corcunda na idade. Contudo, eles afirmam que a faixa etária comum para se ter uma baixa na felicidade, que se acreditava ser na meia-idade, tem sido repensada.
A pesquisa afirma que de acordo com os novos dados, a faixa etária que mais sofre com relação à saúde mental e ao bem-estar são os mais jovens e que a trajetória da felicidade da vida de um indivíduo passa a assumir uma trajetória ascendente, ou seja, o atual ápice de contentamento e felicidade se concentra na velhice, enquanto os anos de juventude apresentam os índices mais baixos de bem-estar
“Agora, os jovens adultos (em média) são as pessoas menos felizes. A infelicidade agora diminui com a idade, e a felicidade agora aumenta com a idade, e essa mudança parece ter começado por volta de 2017. Os adultos em idade ativa são mais felizes do que os jovens", afirmaram os pesquisadores.
A situação é motivo de preocupação
Os estudiosos envolvidos na pesquisa manifestaram profunda surpresa diante dos resultados do ensaio científico e o principal responsável, David Blanchflower, destacou a gravidade da situação, revelando que atualmente aproximadamente 11% das mulheres jovens estadunidenses classificam seu estado mental como crítico diariamente. Entre a população masculina jovem, esse índice atinge cerca de 7% dos indivíduos.
Também teria sido identificado um crescimento expressivo no número de adolescentes e adultos jovens buscando atendimento psicológico, além de um aumento alarmante de internações por lesões autoprovocadas e essa crise não se limita aos Estados Unidos, sendo um fenômeno de escala global.
O que causa essa infelicidade dos jovens?
Identificar as razões por trás dessa transformação nos padrões comportamentais representa um desafio complexo. O fenômeno, observado de forma consistente em praticamente todas as culturas analisadas, desde nações economicamente desenvolvidas até países em fase de crescimento, demonstra uma alteração significativa nas dinâmicas sociais globais.
“Encontrei evidências do ponto mais baixo da felicidade em 145 países, incluindo 109 em desenvolvimento e 36 desenvolvidos”, afirmou Blanchflower, que também disse não notar perspectivas de mudança nesse cenário.
O que fazer para preservar o bem-estar e a saúde mental?
Cuidar da saúde mental é essencial para o bem-estar e pode ser alcançado por meio de práticas simples e eficazes que se praticadas desde a juventude, pode mudar a trajetória e a qualidade de vida dos menores.
Manter relações afetivas saudáveis, estabelecer rotinas equilibradas com sono de qualidade, boa alimentação e atividade física são pilares fundamentais. Técnicas como meditação, controle do uso das redes sociais e a capacidade de impor limites ajudam no controle do estresse e da ansiedade. O autoconhecimento também é importante, pois reconhecer gatilhos emocionais, aceitar sentimentos difíceis favorece o equilíbrio emocional. Buscar apoio profissional através da terapia ou acompanhamento psiquiátrico pode ser fundamental.