Para o nutrólogo Adriano Faustino, antes de culpar a falta de disciplina, é preciso investigar o que está acontecendo dentro do organismo
Muita gente acredita que engorda simplesmente porque come demais ou porque falta disciplina para seguir uma dieta. Mas, segundo o médico nutrólogo Adriano Faustino, a explicação para o ganho de peso costuma ser bem mais complexa. Para ele, o problema muitas vezes está em desequilíbrios silenciosos do próprio organismo e não apenas na quantidade de comida consumida.
“Muitas pessoas se culpam achando que não têm disciplina, mas o problema não está na força de vontade. O corpo delas está preso em um ciclo de desequilíbrio. E é esse ciclo que precisa ser quebrado com estratégia, escuta e mudança real de estilo de vida”, afirma Dr. Adriano Faustino.
Na prática, hábitos comuns do dia a dia como dormir pouco, viver sob estresse constante, pular refeições ou comer com pressa podem desorganizar o metabolismo e dificultar o emagrecimento, mesmo quando a alimentação parece equilibrada.
Na visão da medicina integrativa, esses comportamentos desencadeiam processos silenciosos no corpo, como resistência à insulina e inflamação crônica. Com o tempo, esse cenário favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, e torna cada vez mais difícil perder peso.
Por que algumas pessoas não conseguem emagrecer
De acordo com o médico nutrólogo Adriano Faustino, é comum encontrar pacientes que já passaram por diferentes médicos e convivem com sintomas persistentes como dores no corpo, insônia, ansiedade, baixa energia ou um cansaço constante e, mesmo assim, apresentam exames dentro da normalidade.
Segundo especialistas em medicina integrativa, isso acontece porque o organismo pode estar em desequilíbrio mesmo quando os exames tradicionais não apontam alterações claras.
Nessas situações, o problema raramente está apenas na alimentação. Fatores como sono irregular, níveis elevados de estresse, inflamação silenciosa e alterações hormonais podem interferir diretamente no metabolismo e favorecer o ganho de peso.
O que é medicina integrativa?
A medicina integrativa surgiu nos Estados Unidos na década de 1970 e vem ganhando espaço em diferentes países por propor uma visão mais ampla da saúde. Em vez de tratar apenas sintomas isolados, essa abordagem busca compreender o paciente como um todo. Isso inclui investigar hábitos cotidianos, qualidade do sono, alimentação, emoções, relações pessoais e até marcadores inflamatórios que costumam passar despercebidos em avaliações convencionais.
“Com frequência, o paciente chega com dores ou mal-estar sem um diagnóstico claro. A medicina tradicional, quando não encontra a causa, classifica como ‘essencial’. A medicina integrativa faz o oposto: investiga a fundo e busca tratar a origem do problema”, explica Dr. Adriano.
Por isso, as consultas costumam ser mais longas e detalhadas. A primeira avaliação pode durar até duas horas e meia, tempo dedicado à escuta ativa, análise minuciosa de exames e construção de um plano de cuidado totalmente personalizado.
“Não é possível conhecer de verdade um paciente em 15 minutos. Muitas vezes, ele chega com dores crônicas, cansaço ou irritabilidade que não se encaixam em diagnósticos tradicionais. Só com tempo, escuta profunda e investigação conseguimos compreender o que está por trás desses sinais”, explica.
A inflamação silenciosa que pode impedir o emagrecimento
Um dos principais focos da medicina integrativa é identificar a chamada inflamação crônica subclínica. Trata-se de um processo inflamatório silencioso, que não provoca sintomas evidentes como dor ou febre, mas que desgasta o organismo ao longo do tempo.
Esse tipo de inflamação tem sido associado ao desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e até Alzheimer.
“Essa inflamação vai corroendo o organismo por dentro, e muitas vezes só é descoberta quando a doença já está instalada. Por isso, o foco tem que ser na prevenção, não apenas no tratamento”, alerta o Dr. Adriano Faustino.
Em muitos pacientes, esse processo inflamatório ocorre junto com outros fatores que dificultam o emagrecimento. Alterações hormonais, resistência à insulina e privação de sono são alguns dos elementos que podem manter o organismo em um estado de desequilíbrio metabólico. Estudos científicos indicam, por exemplo, que dormir pouco pode aumentar em até 55% o risco de obesidade, independentemente da quantidade de calorias consumidas.
Para quebrar esse ciclo, o tratamento não se limita a dietas restritivas. Segundo Adriano Faustino, o caminho passa por reprogramar o metabolismo por meio de mudanças no estilo de vida. Isso inclui melhorar a qualidade do sono, reduzir o estresse, ajustar a alimentação e incentivar a prática regular de atividade física.
Na medicina integrativa, o tratamento pode incluir avaliações laboratoriais detalhadas e estratégias terapêuticas que combinam nutrição funcional, modulação intestinal, fitoterapia, respiração consciente e reeducação alimentar.
“Não sou alopata, nem homeopata. Sou prático. O que funciona, eu uso. O que importa é devolver saúde real ao paciente”, explica o médico que ressalta que cada plano de cuidado é adaptado às necessidades individuais de cada pessoa.
O papel do paciente na própria saúde
Outro princípio importante dessa abordagem é o protagonismo do paciente no cuidado com a própria saúde. O médico atua como um guia que investiga causas, conecta sinais e propõe estratégias, mas a mudança depende também das escolhas diárias.
“Meu papel é orientar, investigar, conectar pontos e oferecer estratégias. Mas o paciente precisa estar disposto a sair do piloto automático e se responsabilizar pelos seus hábitos e decisões diárias”, afirma Dr. Adriano Faustino.
Essa transformação exige tempo e dedicação. Em vez de soluções rápidas, a proposta é construir uma mudança gradual e duradoura que envolva corpo, mente e estilo de vida.