PausePill e Plan A são novos anticoncepcionais masculinos em testes. Entenda como funcionam e por que um deles pode até afetar o orgasmo.
Quando o assunto é anticoncepcional masculino, as opções disponíveis ainda são bastante conhecidas: camisinha ou vasectomia. Mas pesquisadores estão tentando ampliar essa lista com métodos não hormonais que funcionam de maneiras bem diferentes.
Dois deles estão sendo desenvolvidos pela NEXT Life Sciences. Um é o PausePill, uma pílula experimental pensada para ser usada antes da relação sexual. O outro é o Plan A, um hidrogel colocado nos canais que transportam os espermatozoides e desenvolvido como uma alternativa reversível e de longa duração.
E um detalhe sobre a pílula chama atenção. A ideia é impedir que os espermatozoides sejam liberados durante a ejaculação sem impedir a ereção ou o orgasmo. Segundo L.R. Fox, fundador e presidente da empresa, alguns participantes chegaram a relatar mais prazer.
A possibilidade, porém, ainda não foi comprovada. Os métodos continuam em desenvolvimento e os estudos disponíveis são pequenos.
Ainda assim, as pesquisas ajudam a mostrar como poderá ser uma nova geração de anticoncepcionais masculinos caso segurança e eficácia sejam confirmadas em estudos maiores.
Quais novos anticoncepcionais masculinos estão sendo testados?
Entre os anticoncepcionais masculinos em desenvolvimento estão métodos não hormonais que tentam impedir a chegada dos espermatozoides ao sêmen sem interromper permanentemente a fertilidade.
A NEXT Life Sciences trabalha atualmente com duas propostas. O PausePill, identificado nos registros de pesquisa como NLS-133, é um medicamento oral não hormonal. A proposta é que o homem possa utilizá-lo quando precisar de proteção ou, futuramente, de forma regular.
Já o Plan A segue um caminho completamente diferente. Em vez de uma pílula, o método utiliza um hidrogel chamado Vasalgel, colocado no canal deferente, tubo responsável pelo transporte dos espermatozoides.
Nenhuma das duas opções está disponível para uso rotineiro. Os métodos ainda precisam passar pelas etapas necessárias de desenvolvimento e avaliação antes de uma eventual aprovação.
Como funciona o PausePill, o anticoncepcional masculino em forma de pílula?
Medicação promete mudar contracepção. - Reprodução / Magnific
O PausePill pretende impedir temporariamente a liberação dos espermatozoides durante a ejaculação, sem interromper sua produção. O método é não hormonal e está sendo estudado como um anticoncepcional de ação rápida.
Em vez de atuar sobre a fabricação dos espermatozoides, o medicamento interfere no sinal biológico envolvido na liberação deles pelos canais deferentes durante a ejaculação. A proposta da empresa é que o efeito dure aproximadamente 24 horas.
O estudo clínico registrado para o NLS-133 compara uma dose do medicamento com placebo e um controle ativo. Os participantes recebem as substâncias 90 ou 180 minutos antes da coleta de sêmen.
O objetivo é verificar alterações no volume do sêmen e na quantidade de espermatozoides. Os pesquisadores também avaliam motilidade e morfologia dos espermatozoides.
Trata-se de um estudo de fase 2a pequeno, planejado para apenas dez homens saudáveis. Por isso, mesmo resultados iniciais positivos não são suficientes para determinar como o medicamento funcionaria em uma população muito maior.
O novo anticoncepcional masculino pode realmente melhorar o orgasmo?
Ainda não há evidência suficiente para afirmar que o PausePill melhora o orgasmo. A possibilidade surgiu a partir de relatos anedóticos mencionados pelo fundador da empresa responsável pelo desenvolvimento do método.
L.R. Fox disse ao New York Post: “Na verdade, de forma anedótica, ouvimos homens dizerem que sentiram mais prazer.”
O comentário chama atenção porque a proposta do medicamento é justamente interferir na ejaculação sem eliminar o orgasmo. Mas há uma diferença importante entre manter o orgasmo e melhorar o orgasmo.
O estudo clínico foi desenvolvido para avaliar a qualidade do orgasmo e da ejaculação dos participantes. Os voluntários respondem a questionários durante os diferentes ciclos do experimento, e os pesquisadores também medem o tempo até o orgasmo e a ejaculação.
Até o momento, porém, não há resultados publicados no registro do estudo demonstrando que o medicamento aumente o prazer sexual.
Portanto, a possibilidade de orgasmos mais prazerosos deve ser tratada como uma observação inicial relatada pela empresa, e não como um benefício comprovado do anticoncepcional.
É possível ter orgasmo sem liberar espermatozoides?
A proposta do PausePill é preservar a capacidade de ter ereção e orgasmo enquanto reduz ou impede a liberação de espermatozoides no sêmen. Esse é justamente um dos pontos avaliados pelos pesquisadores.
O estudo do NLS-133 acompanha não apenas parâmetros do sêmen, mas também a qualidade da ejaculação e do orgasmo. Isso permite observar se impedir ou reduzir a liberação de espermatozoides interfere negativamente na experiência sexual.
Segundo as informações apresentadas pela empresa ao New York Post, os participantes do pequeno estudo inicial não relataram diferenças significativas no prazer ou na função sexual em comparação com quem recebeu placebo.
A empresa também afirmou que todos os participantes que tomaram o medicamento dentro da janela avaliada apresentaram ausência de liberação de espermatozoides.
Esses resultados foram apresentados como preliminares e ainda precisam ser confirmados em grupos maiores.
Quando o PausePill poderá chegar ao mercado?
Ainda não existe uma data confirmada para que o PausePill esteja disponível ao público. O medicamento permanece em desenvolvimento clínico e precisará demonstrar segurança e eficácia antes de uma eventual autorização regulatória.
Fox afirmou ao New York Post que a empresa pretende avançar rapidamente: “Estamos correndo para iniciar um ensaio clínico maior no final deste ano, 2026, com a esperança de levá-lo ao mercado dentro de dois anos.”
A previsão representa a expectativa da empresa e não uma data garantida de lançamento. Caso o método consiga aprovação regulatória, a proposta inicial é disponibilizá-lo mediante prescrição médica.
Como funciona o Plan A, anticoncepcional masculino de longa duração?
O Plan A utiliza um hidrogel colocado no canal deferente para impedir fisicamente a passagem dos espermatozoides. Diferentemente da vasectomia, a proposta não envolve cortar o canal. O material utilizado é chamado Vasalgel. O gel forma uma barreira flexível dentro do canal deferente. A intenção é bloquear a passagem dos espermatozoides enquanto outros fluidos continuam passando.
Fox comparou o mecanismo a um pequeno filtro: “Uma vasectomia fecha permanentemente esse tubo ao cortá-lo. Isto é apenas um pequeno filtro colocado ali.”
Segundo a empresa, o procedimento poderia ser realizado em aproximadamente dez minutos no consultório médico, utilizando uma pequena punção e sem necessidade de bisturi ou pontos. A intenção é oferecer um método de longa duração que também possa ser revertido.
O Plan A funciona como uma vasectomia reversível?
O Plan A pretende oferecer uma barreira contraceptiva duradoura sem cortar o canal deferente. Para restaurar a passagem dos espermatozoides, a empresa desenvolve uma solução destinada a dissolver o hidrogel.
Fox descreveu a proposta ao New York Post desta forma: “É um interruptor para a fertilidade. Quando você estiver pronto, seja daqui a três, cinco ou dez anos, nós vamos ligá-la novamente.”
Essa reversibilidade, no entanto, ainda está sendo estudada. A reportagem afirma que, em uma primeira etapa de pesquisa em humanos, 16 homens receberam o implante de Vasalgel e atingiram azoospermia, condição em que não há espermatozoides mensuráveis no sêmen, em até 14 dias.
A etapa seguinte avalia justamente se o procedimento pode ser revertido e se a fertilidade pode ser restaurada. Resultados positivos em animais aumentaram a confiança da empresa, mas não substituem a necessidade de demonstrar a reversibilidade em seres humanos.
O Plan A começa a proteger imediatamente após o procedimento?
Não. Mesmo que o hidrogel bloqueie a passagem pelo canal deferente, espermatozoides que já estavam no trato reprodutivo ainda precisam ser eliminados. Por esse motivo, os homens precisariam continuar utilizando outro método anticoncepcional inicialmente.
Fox afirmou que esse processo pode levar até três meses, período semelhante ao observado depois de uma vasectomia. A orientação proposta seria manter outro método até que um exame realizado por um médico ou um teste doméstico confirmasse a ausência de espermatozoides no sêmen.
Portanto, receber o implante não significaria abandonar imediatamente a camisinha ou outro método utilizado pelo casal.
Por que há tanto interesse em novos anticoncepcionais masculinos?
O desenvolvimento de anticoncepcionais masculinos busca ampliar opções que hoje são bastante limitadas. Uma pesquisa de 2024 com mais de 18 mil homens de sete países encontrou interesse considerável em novos métodos.
Segundo os dados apresentados pelo New York Post, 61% disseram que considerariam experimentar um novo anticoncepcional masculino durante seu primeiro ano no mercado. Nos Estados Unidos, a proporção foi de 49%.
Fox afirma que a própria empresa já percebe esse interesse.
“Temos 50 mil homens que se inscreveram apenas pelo boca a boca. Não estamos anunciando ativamente. As pessoas estão se cadastrando e dizendo: ‘assim que estiver disponível, por favor’.”
O interesse também não parte apenas dos homens. Uma pesquisa de 2023 citada pela reportagem encontrou que cerca de dois terços das mulheres americanas entrevistadas tinham interesse em que seus parceiros utilizassem métodos contraceptivos.
Entre as razões estavam dividir a responsabilidade pela contracepção, acrescentar uma camada de proteção e evitar efeitos colaterais dos próprios métodos.
Esses novos anticoncepcionais masculinos já podem substituir a camisinha?
Não, O PausePill e Plan A ainda são métodos experimentais e não estão aprovados para uso contraceptivo rotineiro. Os estudos precisam avançar antes que seja possível estabelecer com segurança sua eficácia, seus possíveis efeitos adversos e sua reversibilidade.
O PausePill está sendo avaliado em um número muito pequeno de participantes. O Plan A, por sua vez, ainda passa por pesquisas que incluem a questão fundamental da restauração da fertilidade.
Há ainda outra diferença importante: os métodos são desenvolvidos para prevenir gravidez, não para proteger contra infecções sexualmente transmissíveis, também conhecidas como ISTs. Por enquanto, portanto, os dois produtos representam possibilidades em investigação, e não alternativas já disponíveis.
Se os próximos estudos confirmarem os resultados esperados, eles poderão ampliar bastante a forma como a contracepção masculina é feita. Mas até mesmo a possibilidade mais curiosa, a de tomar uma pílula que evite a liberação de espermatozoides e ainda torne o orgasmo mais prazeroso, continua sendo uma hipótese que a ciência precisa testar melhor.