Entenda por que o frio pode elevar os riscos cardiovasculares, quais são os sinais de alerta e como se proteger.
Você sabia que com a chegada das temperaturas mais baixas há um aumento do risco da ocorrência de problemas cardiovasculares? Especialistas alertam que o frio pode favorecer episódios de infarto e AVC, especialmente entre idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas que já possuem histórico de doenças cardíacas.
O motivo envolve uma série de reações do organismo às baixas temperaturas que acabam sobrecarregando o sistema cardiovascular. Embora o inverno não seja a causa direta dessas doenças, diversos estudos mostram que os meses mais frios costumam registrar aumento nas internações e mortes relacionadas a eventos cardiovasculares.
Por isso, entender o que acontece com o corpo nessa época do ano pode ser fundamental para a prevenção dessas doenças e a preservação do bem-estar.
O frio realmente aumenta o risco de infarto e AVC?
Segundo especialistas em entrevista exclusiva para a Seleções, sim. O frio pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares porque provoca alterações importantes no funcionamento do organismo.
Quando a temperatura cai, o corpo tenta preservar o calor interno. Para isso, ocorre a chamada vasoconstrição, um estreitamento dos vasos sanguíneos. Esse mecanismo ajuda a reduzir a perda de calor, mas também faz com que o coração precise trabalhar mais para bombear o sangue.
Como consequência, a pressão arterial tende a subir e o esforço cardíaco aumenta.
“O frio pode prejudicar o coração porque faz os vasos sanguíneos se contraírem, aumentando a pressão arterial e forçando o coração a trabalhar mais. Para nos mantermos aquecidos, o corpo também precisa aumentar a produção de energia, Isso eleva a frequência cardíaca e a necessidade de oxigênio, o que é perigoso para quem já tem problemas no coração”, Explica o Dr. Ulisses Alves Somaio, do Instituto Cardio do Paraná.
Em pessoas saudáveis, o organismo geralmente consegue lidar bem com essas mudanças. O problema é no caso de quem já possui intercorrências como hipertensão, aterosclerose, insuficiência cardíaca ou outras condições cardiovasculares, esse aumento da demanda pode representar um risco adicional.
Hábitos de inverno também podem influenciar no aumento do risco cardíaco
Alguns fatores típicos da época fria são apontados por especialistas como possíveis facilitadores de problemas cardíacos. Por exemplo, a diminuição da atividade corporal e aumento do sedentarismo, menor ingestão de água e até mesmo uma maior inclusão de alimentos ‘confort food’ na dieta diária.
“A má alimentação, com consumo de alimentos gordurosos ou ricos em sódio, como sopas industrializadas e comfort foods, eleva a pressão arterial e o colesterol. O sedentarismo, comum no frio por menos atividade física, piora a circulação e a saúde do coração. Além disso, o aumento de infecções respiratórias, como gripes, pode inflamar o corpo e sobrecarregar o coração”, pontua o Dr. Ulisses.
Os casos de AVC também costumam aumentar no inverno
O Acidente Vascular Cerebral também está muito ligado à saúde cardíaca e pode ocorrer de forma mais facilitada durante o inverno. Há dois tipos de AVC, o isquêmico, que é causado pela obstrução de vasos sanguíneos, e o hemorrágico, que é ocasionado pelo rompimento de vasos e gera sangramento no cérebro.
Pesquisas relatam que cerca de 48.4% das ocorrências de AVC se dão durante as épocas de temperaturas mais frias, entre outono e inverno. Um outro ensaio científico, de 2016, produzido pelo Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, examinou 172,000 casos de hospitalizações devido a acidente vascular isquêmico e confirmou que há um aumento dos casos conforme há a queda das temperaturas.
Em entrevista a Seleções, o médico Igor Abrahim, neurologista da equipe da Incórpore Eco Medical Center, explica que embora ambos os tipos da doença ocorram nessa estação do ano, um deles acaba sendo mais comum: “Ambos os tipos de AVC são mais comuns no inverno, porém a associação é mais forte com o subtipo isquêmico”.
Como se proteger?
Apesar da chegada do frio ser inevitável, é possível adotar alguns hábitos para se manter seguro e diminuir as chances de ocorrências. De acordo com ambos os especialistas consultados pela nossa equipe, o principal é não abrir mão dos cuidados básicos como a hidratação diária, a alimentação e a prática de atividades físicas.
O Dr. Abrahim também aponta que é essencial que pessoas hipertensas não deixem de dar atenção aos seus tratamentos específicos. “É fundamental realizar o tratamento de doenças vasculares como hipertensão arterial e dislipidemia, dieta saudável, atividade física regular, cessação de tabagismo e etilismo e realização de exames de rastreio. Também é importante realizar a vacinação para infecções respiratórias quando estiver indicada”.
O Dr. Ulisses, por sua vez, reforça que é essencial que pacientes que já tenham doenças vasculares não deixem de realizar acompanhamento médico, especialmente durante o inverno.
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