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Ficar triste depois do parto é normal? Veja o que diz especialista

Entenda se ficar triste após o parto é normal e o que pode ser depressão pós-parto ou 'baby blues'.

Thyago Soares | 5 de Setembro de 2025 às 11:00

Muitas mulheres podem sentir tristeza pós-parto e é necessário ficar de olho. - Reprodução / Freepik

O nascimento de um bebê costuma ser culturalmente um momento de plenitude e alegria,  no entanto, a realidade de muitas mães é bem diferente e sentimentos de medo, insegurança e tristeza podem surgir logo após o parto e se prolongar por semanas ou até meses. Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 25% das mulheres brasileiras enfrentam esse desafio nos primeiros 18 meses de vida da criança e podem chegar a desenvolver quadros de depressão pós-parto, um diagnóstico clínico que precisa de atenção.

Entendendo a depressão pós-parto

Sentir tristeza após o parto não é considerado algo normal, uma vez que o puerpério é um período marcado por intensas mudanças hormonais, adaptações físicas e grande carga emocional e apesar da expectativa social de que a maternidade seja vivida apenas com felicidade pode acentuar o sofrimento das mulheres que não se enxergam nesse ideal. 

“A depressão pós-parto não é uma fraqueza ou falta de amor pelo bebê. É uma condição clínica que precisa ser diagnosticada e tratada, assim como qualquer outro problema de saúde”, explica o ginecologista Dr. Newton Silva, da UBS Vera Cruz, em São Paulo.

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Esse transtorno pode se manifestar por meio de tristeza persistente, irritabilidade, perda de interesse em atividades antes prazerosas, choro frequente, insônia e fadiga intensa, segundo publicação do portal Dráuzio Varella. Há ainda sintomas físicos, como dores de cabeça, alterações no apetite e tensão muscular. 

Em casos mais graves, podem até mesmo surgir pensamentos de automutilação ou de machucar o bebê. “O alerta vermelho aparece quando a angústia começa a atrapalhar o cuidado com a criança e a mãe passa a duvidar de sua capacidade materna. Esse é o momento de procurar ajuda médica imediatamente”, reforça o especialista.

Entre os fatores de risco estão a ausência de rede de apoio, histórico de transtornos mentais, gravidez não planejada e altos níveis de estresse.

Baby blues ou depressão, como reconhecer?

Nem toda instabilidade emocional no pós-parto é depressão, também há a famosa ‘baby blues’. Segundo Dr. Newton, é comum que, entre o segundo e o terceiro dia após o nascimento do bebê, a mulher apresente o chamado ‘baby blues’, que se trata de uma fase marcada por maior sensibilidade, choro fácil e ansiedade. 

O médico classifica esse momento como uma disforia passageira que costuma desaparecer em até duas semanas e não compromete de forma significativa a rotina da mãe, diferentemente da depressão pós parto, que é mais duradoura e incapacitante. 

Enquanto o ‘baby blues’ está ligado principalmente ao ajuste hormonal e à adaptação à nova realidade, a depressão envolve múltiplos fatores, biológicos, psicológicos e sociais.

Como tratar

Nos casos de ‘baby blues’, o suporte emocional é o principal aliado e é imprescindível contar com a compreensão da família, com momentos de descanso. Já a depressão pós-parto exige tratamento profissional e a combinação de psicoterapia com medicamentos antidepressivos seguros para o período da amamentação costuma apresentar bons resultados.

A prática de atividades integrativas, como prática de exercícios físicos leves, mindfulness e grupos terapêuticos, também podem potencializar a recuperação, desde que acompanhadas por profissionais de saúde. Em situações graves, o encaminhamento para serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial, o CAPS, pode ser necessário.

No Brasil, a Linha de Cuidados Materno-Infantil do SUS oferece protocolos específicos para identificar e acompanhar casos de depressão pós-parto e já durante o pré-natal, as gestantes já recebem orientações sobre mudanças emocionais e passam por triagens de saúde mental que continuam no período pós-parto. Esse cuidado pode incluir visitas domiciliares, consultas com psicólogos, psiquiatras e acompanhamento multidisciplinar com enfermeiros, médicos e assistentes sociais.

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