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Cirurgia contra depressão? Saiba como funciona o tratamento usado em caso recente

Entenda como funciona a 'cirurgia contra depressão', tratamento inovador feito por médico em paciente colombiana que promete revolucionar os tratamentos.

Thyago Soares | 20 de Agosto de 2025 às 10:00

A nova abordagem é ideal para quem não apresenta melhoras com o uso de medicamentos. - Reprodução / Freepik

Você já imaginou que seria possível realizar uma cirurgia para tratar a depressão crônica? Isso foi o que aconteceu com uma jovem colombiana e deixou a comunidade científica chocada. O procedimento chegou como uma novidade para a medicina e apresenta novos horizontes e possibilidades para o futuro da psiquiatria e o tratamento de condições psíquicas.

O que é esse procedimento cirúrgico?

A operação, realizada em abril no Hospital Internacional da Colômbia, em Bogotá, foi conduzida pelo neurocirurgião William Omar Contreras e é conhecida como estimulação cerebral profunda, ou DBS, na sigla em inglês, já era usado em casos de Parkinson. No entanto, o seu uso no caso de depressão resistente, quadro em que pacientes não respondem à medicação ou à psicoterapia, o procedimento é tido como algo novo em casos de depressão e marca um verdadeiro avanço científico.

“Quando todos os tratamentos convencionais falham, a DBS oferece modulação contínua e reversível dos circuitos cerebrais ligados ao humor e à motivação. O objetivo é ajustar a atividade elétrica dessas áreas para aliviar os sintomas”, explicou o médico responsável pelo procedimento ao G1.

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Na realização do procedimento foram implantados quatro eletrodos, dois em cada hemisfério cerebral, nas áreas subgenual do córtex cingulado, associada à tristeza profunda, e no braço anterior da cápsula interna, responsável por conectar a razão às emoções. A precisão do procedimento foi garantida por técnicas avançadas de ressonância magnética e mapeamento das conexões cerebrais.

“Usamos quatro eletrodos, dois por hemisfério, para atingir simultaneamente essas regiões. É a primeira vez no mundo que essa abordagem multitarget, direcionada a múltiplos alvos, é feita para depressão resistente”, elucidou o médico.

O caso ganhou notoriedade pois anteriormente, nos casos do tratamento de Parkinson, a estimulação cerebral profunda para depressão utilizava um único eletrodo por hemisfério, sem abordar múltiplas redes cerebrais ao mesmo tempo. A novidade técnica foi justamente o estímulo personalizado e contínuo a diversos circuitos relacionados ao humor, à ruminação, à culpa e à motivação.

Qual é a eficácia desse procedimento?

Ao G1, o profissional da saúde responsável pela execução do procedimento explicou que a estimativa de é que 40% a 60% dos pacientes submetidos a essa estimulação experimentem melhora significativa dos sintomas com DBS. Para 20% a 30%, a remissão deve ser duradoura, ou seja, não devem haver sinais de depressão por longos períodos. Vale ressaltar que essas porcentagens são baseadas em estudos de casos limitados, com dados ainda embrionários e restritos.

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