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Brasileiros produzem maior estudo já feito sobre sequelas do Zika vírus

Saiba detalhes sobre a pesquisa brasileira que se propõe a esmiuçar as sequelas do Zika vírus para crianças gestadas por mães infectadas.

Thyago Soares | 7 de Janeiro de 2026 às 09:59

O vírus da Zika causa sequelas graves em crianças gestadas por mães contaminadas. - Reprodução / Freepik

O maior estudo já realizado sobre as sequelas do vírus Zika foi publicado por um grupo de pesquisadores brasileiros. O ensaio científico traz novos dados sobre os efeitos de longo prazo da infecção que, em 2015 e 2016, provocou uma epidemia de grandes proporções no Brasil e no mundo. 

Saiba detalhes sobre a pesquisa

O ensaio científico envolveu dados coletados de 12 centros de saúde e cerca de 853 crianças brasileiras com microcefalia, nascidas entre 2015 e 2018, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. Em declaração à imprensa, a pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), destaca que não há outro estudo com esse número de dados.

A pesquisa acompanhou esse grande grupo de crianças que nasceram de mães infectadas pelo Zika durante a epidemia, comparando seu desenvolvimento cognitivo, motor e comportamental ao de crianças não expostas ao vírus no útero. 

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“É uma microcefalia diferente. É uma anatomia diferente, vamos dizer assim. É muito típica da doença por Zika na gravidez. Nas outras microcefalias, o cérebro fica pequeno. Na da Zika, não. Você vê claramente que tem algo diferente. O cérebro colapsa, e a estrutura óssea colapsa junto também”, declarou Maria Elizabeth.

Os resultados da pesquisa ainda apontam algumas das sequelas mais frequentes para infantes expostos ao vírus, como; a microcefalia ao nascer, observada em 71,3% dos casos, dos quais 63,9% eram graves, a microcefalia pós-natal, registrada em 20,4% das crianças, a prematuridade, em 10% e 20%, o baixo peso ao nascer, com média de 33,2%, variando de 10% a 43,8%, e malformações congênitas, entre as quais as mais frequentes foram epicanto (40,1%), occipital proeminente (39,2%) e excesso de pele no pescoço (26,7%).

Outro dado apresentado por Maria Elizabeth é que das 853 crianças observadas para a elaboração deste estudo, 30% já faleceram. A pesquisadora ainda aponta que dentre os infantes que permaneceram vivos, todos requerem acompanhamento médico especial e que a maioria são vítimas de paralisia cerebral grave.

A publicação desse estudo representa um avanço significativo no entendimento científico do Zika vírus e suas consequências a longo prazo, apresentando dados essenciais para orientar estratégias de intervenção precoce e políticas de saúde que garantam suporte adequado às crianças afetadas e suas famílias ao longo do tempo.


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