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Anvisa aprova primeiro remédio sem hormônios contra ondas de calor da menopausa

Medicamento é alternativa para mulheres que sofrem com fogachos mas não podem, ou não querem, usar terapia hormonal. Entenda como funciona e para quem é indicado.

Douglas Ferreira | 23 de Junho de 2026 às 17:49

- bearfotos/Freepik

Se você acorda encharcada de suor às três da manhã ou sente aquela onda de calor subir pelo peito sem motivo, provavelmente está sentindo os famosos fogachos da menopausa. Segundo o Ministério da Saúde, esse é o sintoma mais relatado por mulheres entre 40 e 65 anos. E no Brasil a situação é particularmente intensa: 36,2% das mulheres nessa faixa etária convivem com episódios moderados a intensos do sintoma — índice mais que o dobro da média global (15,6%).

Por décadas, a principal resposta médica a esse sofrimento foi a terapia de reposição hormonal. Embora esse tipo de tratamento seja eficaz para muitas mulheres, nem todas podem ou querem passar por ele. E é exatamente a essas mulheres que a decisão da Anvisa pode beneficiar.

Na segunda-feira, 22 de junho de 2026, a agência aprovou o fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal com registro oficial no Brasil especificamente desenvolvido para tratar ondas de calor e suores noturnos da menopausa. Comercializado com o nome Veoza, pela Astellas Farma, esse medicamento é a principal alternativa para quem não pode usar estrogênio.

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Antes do Veoza, as mulheres que não podiam usar hormônios tinham opções limitadas e nenhuma delas era perfeita. Alguns antidepressivos, como a venlafaxina e a paroxetina, eram prescritos "off-label" (ou seja, fora da indicação aprovada) para aliviar os fogachos, com resultados variáveis e efeitos colaterais nem sempre bem tolerados.

"Até agora, as alternativas não hormonais para o tratamento se restringiam principalmente a alguns antidepressivos, que costumam apresentar eficácia limitada e não têm indicação formal em bula para esse uso", explicou a endocrinologista Lorena Lima Amato, doutora pela Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Jornal de Brasília.

No entanto, a aprovação do novo medicamento não significa que a terapia hormonal deixará de ser usada. De acordo a ginecologista Denise Joffily, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, a reposição hormonal provavelmente seguirá sim sendo a opção mais eficaz para a maioria das pacientes. Isso porque além de controlar os fogachos, ela também oferece proteção óssea e ajuda a prevenir a osteoporose. O que muda é que agora existe uma alternativa real para quem não pode seguir esse caminho.

Como o fezolinetanto age no corpo

Para entender por que esse medicamento é diferente, vale entender o que acontece no cérebro durante a menopausa. Quando os níveis de estrogênio caem, uma substância chamada neurocinina B passa a agir de forma exagerada no hipotálamo — a região do cérebro que funciona como termostato do corpo. Esse desequilíbrio é o responsável pelos episódios repentinos de calor intenso, rubor e suor.

O fezolinetanto atua bloqueando o receptor NK3, que é ativado pela neurocinina B. Ao interromper esse sinal, o medicamento ajuda a restaurar o equilíbrio térmico sem precisar reintroduzir hormônios no organismo.

Nos estudos clínicos de fase 3, com mais de 3 mil participantes na Europa, Estados Unidos e Canadá, o medicamento reduziu em 64% a intensidade dos fogachos e em 60% a frequência das ondas de calor após três meses de uso, com melhora percebida já nos primeiros dias de tratamento.

Para quem o Veoza é indicado e para quem não é?

O medicamento é indicado para mulheres com sintomas vasomotores moderados a intensos, isto é: aquelas que têm fogachos frequentes o suficiente para prejudicar o sono, a concentração e a qualidade de vida.

Segundo a ginecologista Rita de Cassia Dardes, integrante da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o medicamento veio preencher uma lacuna real no tratamento. "O fezolinetanto não substitui de forma geral a terapia hormonal da menopausa. Ele amplia as possibilidades de tratamento", afirmou em entrevista ao Metrópoles.

Apesar dos benefícios, o medicamento possui algumas contraindicações que exigem atenção redobrada:

Além disso, o fezolinetanto não trata outros efeitos da queda de estrogênio, como a perda de massa óssea e o ressecamento vaginal. Para esses sintomas, a avaliação médica continua sendo essencial.

O que ainda não sabemos e o que fazer enquanto espera?

Embora aprovado, o Veoza ainda não está disponível nas farmácias brasileiras. A aprovação da Anvisa é o primeiro passo, mas não o último. Antes de chegar às prateleiras, o medicamento precisa passar pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que define o preço máximo de venda. A Astellas Farma confirmou que ainda não há data de lançamento comercial nem preço estabelecido para o Brasil. 

No entanto, quando o medicamento estiver disponível, ele exigirá receita médica e acompanhamento com exames periódicos.

O que fazer enquanto isso? Se você sofre com fogachos intensos e não pode usar terapia hormonal, a recomendação é não esperar nem se automedicar. Converse com seu ginecologista ou clínico geral sobre as alternativas atualmente disponíveis — incluindo os antidepressivos usados off-label, que, apesar das limitações, são uma opção real para muitas mulheres.


Fontes consultadas: Agência Brasil; Ginecologistas Rita de Cassia Dardes (Febrasgo) e Denise Joffily (HSPE-SP); Medicsupply; Anvisa.


Aviso importante!

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo, e foi produzido a partir de conversas com especialistas e estudos publicados em fontes oficiais reconhecidas. Contudo, ele não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento médico profissional. Sempre consulte seu médico antes de alterar hábitos relacionados à saúde. Em caso de emergência, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou Bombeiros (193).


ⓘ Este artigo foi revisado pela equipe editorial de saúde do nosso veículo em 23 de junho de 2026 e está em conformidade com nossa Política Editorial de Conteúdo Médico.

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