Veterinária explica a importância da hidratação, ensina cuidados com a pele, a higiene e outras necessidades
Com a chegada do verão, muitas pessoas aproveitam os dias de sol para relaxar na praia ao lado de seus cães, mas será que esse hábito é seguro para a saúde dos pets? Apesar do assunto dividir opiniões na internet, especialistas apontam que, sim, é possível levar cães à praia com segurança. Mas isso exige planejamento, atenção à saúde do animal e respeito às regras locais para que o passeio seja prazeroso para todos.
Antes de arrumar a coleira e sair de casa, vale um alerta importante: não existe uma lei federal que proíba cães nas praias brasileiras. Cada município define suas próprias normas. Em algumas cidades, os pets são permitidos apenas em determinados horários ou trechos da areia; em outras, há praias reconhecidas como pet-friendly. Por isso, o primeiro cuidado é sempre verificar as regras da região e garantir que o animal esteja sob controle, com coleira, e que os dejetos sejam recolhidos.
Segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, levar o cão à praia pode ser uma experiência positiva, desde que o responsável pense além da diversão. Planejar o transporte, a permanência no local e o retorno para casa faz toda a diferença para o bem-estar do animal.
“A praia pode ser estimulante para o cão, mas a mudança de rotina deve ser feita com cuidado. O ideal é não mudar o alimento nesse momento, ou seja, manter o alimento de qualidade que o pet já está habituado a consumir, nos horários de alimentação parecidos com os de casa. Além disso, manter a hidratação e o descanso ajuda o animal a lidar melhor com a nova experiência”, orienta a especialista, lembrando que, antes de sair de viagem, o responsável também deve confirmar se a vacinação, os check-ups e os controles antiparasitários estão em dia.
A seguir, veja os principais cuidados para aproveitar a praia com seu cachorro de forma segura.
1. Sol, pele e patas merecem atenção especial
A exposição ao sol é um dos pontos que mais exigem cuidado. Assim como os humanos, os cães podem sofrer queimaduras solares, especialmente em regiões com pouca pelagem ou pele clara, como focinho, orelhas e abdômen. Nesses casos, protetores solares específicos para pets podem ser recomendados, sempre com orientação veterinária. Produtos de uso humano devem ser evitados, pois podem ser tóxicos se o animal lamber a pele.
Outro risco comum está no chão quente. A areia e até superfícies como a grama podem atingir temperaturas capazes de causar queimaduras nas “almofadinhas” das patas.
“Outro cuidado importante é com a temperatura da areia, ou até mesmo outras superfícies, como a grama de jardim, por exemplo, que podem queimar os coxins (que são as almofadinhas das patas dos pets) em horários de sol intenso. Uma forma simples de testar é colocar a mão sobre a areia por alguns segundos, se estiver quente para você, certamente estará quente para as patas do seu pet", explica Mayara.
Evitar os horários de sol mais forte, no fim da manhã e no início da tarde, ajuda a reduzir esses riscos.
2. Água fresca, sombra e pausas fazem toda a diferença
Diferentemente dos humanos, os cães não regulam a temperatura corporal pelo suor espalhado pelo corpo. Eles dependem principalmente da respiração para dissipar o calor, e suas glândulas sudoríparas são pouco eficientes, concentradas basicamente nas patas. Por isso, o calor excessivo pode levar rapidamente à exaustão térmica.
“Levar um guarda-sol, tenda ou criar sombras frequentes onde o cão possa descansar e se abrigar do sol, além de oferecer pausas regulares e água fresca, ajuda a manter o pet confortável e seguro. A água fresca em abundância, inclusive, é fundamental para evitar desidratação, que pode ocorrer rapidamente com o calor, especialmente perto do mar", orienta.
Permitir que o animal descanse à sombra e oferecer água com frequência são cuidados simples, mas essenciais para evitar problemas mais graves.
3. Depois da praia, higiene também é cuidado com a saúde
O passeio não termina ao sair da areia. O contato com o sal do mar, a areia e microrganismos presentes no ambiente pode causar irritações na pele, coceiras e inflamações, principalmente em cães mais sensíveis.
O enxágue com água doce após a praia ajuda a remover resíduos e reduzir o risco de problemas dermatológicos. Para uma higienização mais completa, o ideal é contar com a orientação do médico-veterinário que acompanha o pet, que pode indicar os produtos mais adequados para cada caso.
4. Alimentação e rotina não devem sair de cena
Mesmo em clima de férias, manter a rotina alimentar do cachorro é fundamental. Mudanças bruscas na dieta, somadas ao estresse de um ambiente diferente, podem provocar distúrbios gastrointestinais e desconforto.
Alimentos de qualidade, oferecidos nos mesmos horários de costume, ajudam o animal a se sentir mais seguro e adaptado ao novo cenário. Como reforça a especialista: “Manter horários de refeição semelhantes aos de casa ajuda o cão a se adaptar melhor às mudanças do dia, reduzindo o estresse e favorecendo seu bem-estar”, explica.
“Levar o cão à praia pode ser uma experiência fantástica para toda a família, mas desde que feita com responsabilidade, respeito às normas locais e cuidados com a saúde física e emocional do pet. Planejamento, proteção solar, hidratação e alimentação adequada são essenciais para transformar esse passeio em um momento seguro e prazeroso", completa Mayara. Com atenção a esses cuidados, o dia de praia tem tudo para render boas lembranças para você e para o seu melhor amigo de quatro patas.