Restauração de esculturas religiosas em Carmo do Cajuru, em Minas Gerais, virou meme nas redes sociais após desagradar moradores; "Ficou bão não."
As redes sociais criam memes inusitados e imagens se tornam verdadeiros virais! Foi exatamente o que aconteceu em Carmo do Cajuru, município de pouco mais de 23 mil habitantes no Centro-Oeste de Minas Gerais, após uma intervenção em esculturas religiosas históricas provocar espanto, críticas e uma enxurrada de memes.
O episódio aconteceu no tradicional Monumento do Calvário de Jesus, localizado na Praça Nossa Senhora Aparecida, conhecida pelos moradores como Praça do Cruzeiro. O local abriga esculturas sacras bastante conhecidas na cidade e faz parte da paisagem urbana e da memória afetiva de gerações de moradores.
Porém, o que deveria ter sido um trabalho de restauração e manutenção das obras de arte, acabou gerando uma repercussão completamente diferente da esperada: virou um grande meme.
Quando os moradores chegaram à praça e observaram as imagens, perceberam que os rostos das esculturas haviam recebido novas pinturas. Os traços discretos que caracterizavam as obras deram lugar a sobrancelhas marcadas, cílios destacados, lábios contornados e olhos que, para muitos moradores, acabaram alterando completamente a aparência original das imagens.
"Pintaram o olho de Jesus torto"
A repercussão da imagem que mostra o trabalho feito na estátua de jesus ganhou força nas redes sociais e moradores passaram a compartilhar fotografias do antes e depois das esculturas, comparando o resultado.
Entre as críticas, algumas pessoas demonstraram indignação por considerarem que a intervenção descaracterizou um patrimônio religioso importante para a cidade. Outras optaram pelo humor.
Uma das mensagens que mais chamou atenção dizia: "Pintaram o olho de Jesus todo torto também. Está um pior que o outro". A frase rapidamente começou a circular em grupos de mensagens e publicações sobre o caso. Outro comentário que viralizou afirmava: "Minha Nossa Senhora… Quem foi a bênção que fez isso?".
Também não faltaram avaliações mais diretas. "Ficou bão não", escreveu uma moradora em uma publicação oficial sobre o tema. A frase acabou resumindo o sentimento de boa parte da população e se transformou em uma espécie de slogan informal da polêmica.
Memes tomaram conta da internet
Como costuma acontecer em situações inusitadas, os memes não demoraram a aparecer! Internautas passaram a comparar as esculturas a restaurações famosas que deram errado ao redor do mundo, especialmente ao caso do "Ecce Homo", na Espanha, que se tornou um dos maiores exemplos de restauração controversa da história recente.
Montagens, brincadeiras e comparações circularam em diversas plataformas digitais. Alguns usuários afirmavam que as imagens pareciam personagens de desenho animado. Outros brincavam que os santos haviam ganhado uma "nova identidade visual".
Apesar do tom bem-humorado adotado por parte da população, muitos moradores destacaram que a situação envolvia um patrimônio religioso e histórico importante para a comunidade.
Conselho que contratou o serviço também ficou insatisfeito
Um detalhe que chamou atenção foi que nem mesmo o Conselho Paroquial Nossa Senhora Aparecida, responsável pela contratação do serviço, ficou satisfeito com o resultado final. Após a repercussão negativa, a própria paróquia divulgou uma nota reconhecendo que a intervenção causou desconforto entre os moradores e fiéis.
Segundo o comunicado, a intenção inicial era apenas realizar uma manutenção nas esculturas devido ao desgaste provocado pelo tempo. No entanto, o resultado obtido acabou desagradando a comunidade.
A nota reconheceu que "o resultado da pintura causou desconforto em muitos fiéis e moradores".
A admissão ajudou a reduzir parte das críticas direcionadas à instituição, já que ficou evidente que o resultado final não correspondeu ao esperado nem mesmo pelos responsáveis pela contratação.
Prefeitura precisou se manifestar
Com a repercussão ganhando proporções estaduais e nacionais, a Prefeitura de Carmo do Cajuru também decidiu se posicionar publicamente. Em nota, a administração municipal esclareceu que não contratou, autorizou nem solicitou a realização da pintura nas esculturas.
Segundo o comunicado, os serviços executados no local não eram de responsabilidade do município. A prefeitura também reforçou que qualquer intervenção em bens públicos deve ser previamente autorizada pelos órgãos ou entidades competentes.
A manifestação ocorreu depois que alguns moradores passaram a questionar nas redes sociais quem teria autorizado as alterações.
Reprodução / Redes Sociais
O que será feito agora?
A boa notícia para quem ficou incomodado com o resultado é que já existe um plano para corrigir a situação.
Pouco depois da repercussão, a paróquia informou que iniciou a remoção das pinturas aplicadas nos rostos das esculturas. Segundo a instituição, parte do material já havia sido retirada poucos dias após a polêmica ganhar destaque.
Além disso, a igreja informou que está buscando um profissional especializado em restauração para executar o trabalho de maneira técnica e respeitando as características originais das obras. O objetivo é devolver às esculturas a aparência tradicional que marcou o monumento ao longo dos anos. Até o momento, não foi divulgado um prazo para a conclusão do novo processo de restauração.
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